A General Fusion está a tentar comercializar a energia por fusão nuclear, algo que é tido por muitos como o futuro da energia limpa.

A missão é gerar energia limpa, amiga do ambiente e eficiente, que seja suficiente para dar acesso às mais de mil milhões de pessoas que não têm acesso a eletricidade. O desafio, presumivelmente impossível de resolver, está a ser atacado pela General Fusion, uma start-up tecnológica que atua num mercado ainda não explorado: o da energia por fusão nuclear.

Liderada por Michael Laberge, que desistiu de um trabalho lucrativo numa empresa de impressão a laser para se dedicar ao desenvolvimento de fusão nuclear, a equipa já recebeu mais de 110 milhões de euros em investimento (segundo dados da Crunchbase). Entre os apoiantes contam-se Jeff Bezos e Bill Gates.

No entanto, ao contrário das típicas start-ups de Silicon Valley apoiadas pelos fundadores da Microsoft e da Amazon, a General Fusion não tem nem milhões de utilizadores espalhados pelo mundo, nem um crescimento supersónico.

Como é que se gera energia? Em oposição à energia gerada através da fissão nuclear, que envolve a divisão de átomos pesados para criar outros mais leves – e que produz material radioativo e bombas nucleares –, a energia por fusão não produz qualquer substância penosa para o ambiente, nem é criado qualquer material radioativo. Para além disto, é impossível torná-la numa numa arma e é substancialmente mais estável do que a energia por fissão – sendo praticamente impossível o colapso de uma central nuclear deste género.

A fusão ocorre quando dois átomos leves se juntam para formar um mais pesado – idêntico ao que acontece nas estrelas. Este processo cria energia, que pode posteriormente ser armazenada e utilizada.

O que torna este método fundamentalmente mais amigo do ambiente e eficiente é o facto de utilizar deutério – um átomo que pode ser encontrado no hidrogénio, que, por sua vez, pode ser encontrado na água. Isto significa que, caso esta invenção se venha a concretizar, existe um risco muito baixo ou praticamente nulo de ficarmos sem uma fonte de energia.

Segundo dados da Live Science, utilizando este procedimento, a energia produzida por 3,8 litros de água é equivalente a 1.136 litros de gasolina.

Porque é que ainda não foi comercializado? A juntar à General Fusion, existem mais algumas dezenas de empresas a tentar perceber como é que podem comercializar este tipo de energia. No entanto, apesar do conceito já estar cientificamente comprovado há décadas, é extremamente difícil colocá-lo em prática. Um dos motivos é o facto de serem precisas temperaturas superiores a 100 milhões de graus Celsius para o processo poder acontecer – uma temperatura quase quatro vezes superior à do núcleo do sol. Além disto, as partículas precisam de estar numa grande proximidade e o plasma (o gás ionizado que é criado no processo de fusão) tem de ser controlado, caso contrário pode fugir.

A acrescentar é necessário que o processo seja suficientemente barato e eficiente para que possa ser utilizado em larga escala.

“Não há nada que vá transformar tanto o espaço da energia como a fusão – da mesma forma que o Facebook dominou as redes sociais ou como se alguém desenvolvesse um carro autónomo verdadeiramente prático”, referiu o CEO da General Fusion, Christopher Mowry, à CNBC.

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