Está prestes a apresentar um pitch a um business angel, mas não está confiante? Para o ajudar, Tanguy de Fouchardière, business angel e presidente da France Angels, partilha alguns conselhos que poderão ser-lhe úteis durante o processo de obtenção de financiamento.

“Um terço das start-ups não sobrevivem mais de 5 anos”, diz o presidente da France Angels, a federação de redes francesas de investidores privados, que conta com 4.500 membros. Em 2016, investiu 40 milhões de euros em 350 empresas, num montante global de financiamento superior a 120 milhões de euros, graças ao efeito de alavancagem provocado junto de outros investidores.

“A concorrência é dura entre os projetos que nos são apresentados. Mas quantidade não significa necessariamente qualidade”, acrescenta. Dos 10.000 casos que recebe em cada ano, a France Business financia 3 a 5%.

Para se destacar entre os demais, atrair e convencer os business angels, siga os conselhos de Tanguy Fouchardière que foram partilhados pelo site francês Les Echos.

1.Saber rodear-se

“Nunca vi uma grande empresa de uma só pessoa. Privilegiamos projetos com vários empreendedores. Mesmo uma pequena equipa, com dois sócios, é preferível a uma pessoa. A equipa é frequentemente o que mais falta. O fundador não pode carregar tudo sozinho e será muito mais criativo se comparar as suas ideias com as de outros.

A start-up deve ser estruturada e evoluir sob um modelo empreendedor, com uma equipa forte e competente, associada no capital da empresa, que inclua um gerente, um administrador e um gestor de negócios. Outra necessidade: a complementaridade de percursos e de competências para “garantir uma boa gestão do projeto e a cobertura dos riscos.”

2. Validar a viabilidade do conceito
Deve ter validado a “prova de conceito “. “O que propõe deve ser inovador, ou pelo menos diferenciado, com base num negócio recorrente e não numa especulação momentânea. O objetivo é criar valor a longo prazo.” Mesmo que ainda tenha pouco volume de negócios, deve mostrar o futuro dos seus objetivos, através dos seus primeiros resultados: projetos-piloto, reação positiva do mercado, acordos de distribuição, versão beta de um site de internet, comunidade de seguidores…

Outro ponto importante é a identificação de mercado. Assegure-se de que ele existe, mesmo que ainda seja confidencial. “O objetivo do jogo é ativá-lo. Se sente que é o primeiro, isso significa que ele ainda não existe!”, explica Tanguy de Fouchardière.

3. Construir um plano de negócios sólido
Uma ideia em si não vale grande coisa. É a sua implementação e execução que interessam. Um plano de negócios objetivo é o mais importante instrumento de diálogo para convencer. Baseado nos próximos dois anos, o plano deve detalhar, mês após mês, os recursos internos mobilizados para satisfazer o cliente e as projeções de evolução, em termos de crescimento e rentabilidade, segundo o presidente da France Angels. Por outras palavras: como a empresa vai conseguir volume de negócios, o que carrega atrás e como irá evoluir o seu modelo de negócio.

Por trás da tabela do Excel, é preciso ver a realidade e detalhar o plano de negócios. Baseando-se em hipóteses de desenvolvimento, o plano de negócios raramente fica como foi planeado. Compete-lhe provar a sua capacidade de adaptação. “O business angel assume um risco e deverá estar seguro de que a equipa irá gerir e controlar uma mudança de estratégia, se for necessário”, explica Tanguy de Fouchardière.

4. Explicar o uso dos recursos aplicados
No pitch, deve falar da oferta, do caráter diferenciador, das competências, do mercado, da concorrência, do ambiente, provar o conceito e da necessidade de financiamento. Como empreendedor, deve provar o seu lado de gestor e detalhar o uso que será feito do dinheiro investido pelo business angel. Este último deve salientar-se no business plan.

5. Comunicar a sua necessidade de acompanhamento
Ponto estratégico. O objetivo do jogo não é apenas seduzir ou vender-se, mas iniciar um longo relacionamento de cinco anos em média, que deve ser o mais autêntico possível. Em termos de transparência, o empreendedor deve assumir os seus erros e dificuldades e reconhecer ali onde precisa de ajuda. “Um business angel não está ali apenas para ganhar dinheiro, mas também para acompanhar. Escute-o e aceite responder a perguntas incómodas e que o ponham em causa. Especialmente porque a sua abordagem é bem-intencionada”, frisa.

6. Demonstrar perseverança
Mesmo que tenha uma primeira recusa, não hesite em voltar quando o seu projeto estiver mais maduro e avançado.

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