A comissária europeia para a concorrência subiu hoje ao palco da Web Summit onde deu a conhecer a sua visão sobre os perigos que vamos enfrentar com as inovações digitais e com o crescente poder das grandes tecnológicas.

Margrethe Vestager é comissária europeia para a concorrência desde 2014. Antes disso, entre 2001 e 2014, foi membro do parlamento dinamarquês, sob a alçada do Partido Social Liberal. Nos últimos quatro anos, já com a pasta europeia em mãos, ficou conhecida pela intenção de multar multinacionais tecnológicas como a Google (em 4.3 mil milhões de euros) e a Apple (em 13 mil milhões de euros). A dinamarquesa subiu hoje ao palco principal da Web Summit para falar de “Building a fairer digital economy”.

Podemos tropeçar a dar o próximo passo tecnológico
Margrethe Vestager começou a sua apresentação por referir que “os Descobrimentos abriram horizontes aos europeus”. Atualmente, e da mesma forma que os portugueses não sabiam o que estava para lá do Atlântico, não sabemos prever que inovações tecnológicas vão aparecer daqui a 20 anos. No entanto, a comissária europeia para a concorrência afirma que estas novas invenções vão alterar a nossa vida – da mesma maneira que as redes sociais mudaram a sociedade.

A transformação tecnológica e as próximas grandes invenções podem ser algo que ansiamos. No entanto, Vestager sublinha que “esta revolução é como uma montanha russa: para ser divertida temos de ter 100% a certeza de que é segura”.

“A tecnologia digital tem um poder imenso para fazer o bem. Mas associado a todo este poder vem uma grande responsabilidade”, afirmou a comissária europeia. Um bom exemplo deste poder é o Facebook. Os resultados das últimas eleições norte-americanas ou o caso do genocídio em Myanmar – devido à propagação de notícias falsas sobre uma minoria étnica – são apenas dois casos recentes em que a culpa é atribuída à rede social de Mark Zuckerberg.

É por estes motivos que comissária europeia acredita que antes de entrarmos na porta que nos liga à próxima revolução precisamos de saber o que nos espera do outro lado.

“Os dados dão-nos uma nova visão do mundo, mas há um perigo inerente quando só meia dúzia de empresas tem acesso a esta informação. Precisamos de proteger os nossos dados enquanto cidadãos digitais”, sublinhou a oradora com um discurso que se assemelhou ao do presidente da Samsung – que fechou o primeiro dia da conferência.

A comissária europeia fez questão de apontar o holofote para um dos gigantes que se insere nesta lista: a Google. Apesar de ter sido uma das empresas mais inovadoras dos últimos anos, a tecnológica não só anulou (ou tentou anular) as oportunidades das empresas mais pequenas de operarem no mesmo espaço, como também mascarou as boas intenções de lançar o sistema Android em open source para poder construir novas fontes de receitas.

“É verdade que o mundo digital é impulsionado pela inovação, mas a inovação que nós queremos é a que torna a nossa vida melhor”, concluiu Vestager.

Foram ainda prometidas mudanças no panorama tecnológico europeu para breve. O objetivo, segundo a comissária europeia, é tornar o tecido empresarial mais competitivo, de forma a beneficiar o consumidor, bem como aumentar a segurança da privacidade dos dados dos cidadãos.

Google responde
Num painel à parte, e em resposta às acusações da comissária europeia, Matt Brittin, presidente da Google para a Europa, explicou que a sua empresa está do lado dos consumidores e desafiou as organizações governamentais a introduzirem regulação que limite as suas ações.

Em relação à recente marcha dos colaboradores da gigante norte-americana, o executivo da Google afirmou que vão estar mais atentos às suas necessidades, não adiantando os planos para atingir este fim.

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