Stuart Dunbar, sócio do Baillie Giffors, o fundo de investimento com 110 anos de história e que gere mais de 194 milhões de euros, revelou recentemente quais as áreas mais promissoras para os próximos anos e nas quais estarão de olho.

Stuart Dunbar, sócio do fundo de investimento escocês Baillie Gifford, com 110 anos de história e que gere mais de 194 milhões de euros, revelou em entrevista ao Business Insider  que “a única coisa que nos interessa [saber]é se as empresas estão a obter progresso operacional suficiente para alcançar os objetivos de longo prazo que esperamos delas”.

Ao explicar a metodologia numérica usada pelo fundo quando escolhe empresas para incluir no seu portefólio, Dunbar revela que tentam multiplicar o seu dinheiro entre 2,5 a 5 vezes o seu valor inicial durante um período de 5 a 10 anos e, em muitos casos, num período mais alargado.

Mas afinal quais as empresas que podem cumprir os requisitos e contar com o contributo deste fundo? Apenas as melhores e mais impressionantes histórias de sucesso do mercado. Uma breve passagem pelo portefólio do Baillie Gifford revela um repertório de nomes de primeira linha. Falamos de empresas como o Facebook, Amazon, Alphabet, Netflix e Alibaba. E também a Tesla, que tem uma das maiores percentagens de ações nas mãos de um investidor institucional.

Baillie Gifford tem priorizado o investimento em empresas que acabaram de abrir e que ainda não são públicas. Assim, tem participações em unicórnios como a Lyft, a Airbnb e a Dropbox.

Numa entrevista exclusiva ao Business Insider, Stuart Dunbar revelou os temas e escolhas de ações únicas que considera cruciais para os futuros investimentos do Baillie Gifford.

Inovação em saúde

Segundo Dunbar, “estamos muito interessados no que chamam de inovação na saúde. Sou consciente de que não se trata de um tema novo, mas é uma novidade em termos de oportunidades que estão a ser geradas. Estamos a passar muito tempo com os académicos e a trabalhar nos avanços académicos que vão mudar a indústria da saúde para sempre”.

Na sua opinião existe um grande poder no processamento de big data, que continua a crescer, bem como na capacidade de acumular dados através do menor custo a sequenciar genes. E vai mais longe: a Illumina fabrica o equipamento para sequenciar genes, exemplifica.

“Sequenciar genes tornou-se mais barato a ponto de ser em breve um processo universal”, explica, acrescentando que “existe a capacidade de analisar um conjunto colossal de dados que oferecem a possibilidade de começar a entender como os genes influenciam a saúde”.

Visão artificial e o seu impacto na agricultura

Dunbar diz que estão muito entusiasmados com a combinação da robótica e da visão artificial: “a visão artificial é na realidade apenas big data, mas para que funcione é necessário ter um poder de processamento de informações colossal”.

O sócio do fundo de investimento escocês afirma que existe uma empresa chamada ASML que fabrica as máquinas usadas pelos fabricantes de semicondutores. Esta empresa produziu alguns vídeos sobre uma tecnologia chamada litografia ultravioleta extrema, o que significa que analisam até o nível atómico, procurando a capacidade de manipular átomos em semicondutores.

Neste sentido, garante, que “na prática a lei de Moore vai-se manter intacta durante os próximos 10 anos. Isto gera capacidade para criar coisas como robots com visão artificial, que começaram a assumir tarefas que não podem fazer de manhã. A oportunidade de investimento está nos fornecedores de sensores para empresas robóticas e não nas próprias empresas”.

Qual será o resultado destes avanços? Dunbar refere que terão um impacto enorme na agricultura: “Um dos fatores ambientais mais prejudiciais é o uso excessivo de pesticidas nas áreas cultivadas. A chegada da robótica e da visão artificial trará pequenos robots que se movem pelos campos e direcionam os pesticidas para áreas específicas. Pode-se reduzir o uso de pesticidas em 99% ou algo similar”.

“Eu sei que parece fição científica, mas estes é o tipo de tecnologia que vai começar a aparecer”, conclui.

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