Vivemos no nosso país um período rico de iniciativas empresariais em que a dimensão sustentada por jovens empreendedores é muito significativa.

E se é verdade que um parte importante dessas iniciativas está ligada a novas tecnologias e à utilização intensa de sistemas de informação – “data analytics”, “blockchain”, por exemplo – por outro lado existem muitas indústrias tradicionais que beneficiam intensamente deste ímpeto empreendedor.

O recurso a novas tecnologias tem a vantagem óbvia de tornar possível a realização de projetos empresariais em que a massa cinzenta é o fator determinante de sucesso. É por isso que, a observar pela enorme variedade de iniciativas empresariais de jovens empreendedores, podemos dizer que a matéria prima portuguesa é de excelente qualidade. E essa qualidade encontra acolhimento nas rondas de financiamento que as “start ups” portuguesas regularmente organizam e que terminam com uma forte vontade de investir de muitos “business angels” e investidores internacionais.

Esta onda de empreendedorismo é muito benéfica uma vez que assegura que uma parte do esforço de inovação empresarial em Portugal irá gerar valor no nosso país e aqui se irá consolidar.

O que é também interessante de notar é que as indústrias tradicionais, ao contrário do que muitas vezes se imagina, são uma enorme fonte de inovação. Assim vemos, por exemplo, a indústria do calçado a recorrer cada vez mais a soluções inovadoras de gestão da cadeia de produção em estreita ligação com soluções eletrónicas de distribuição e venda on-line, as quais permitem uma antecipação, quase em tempo real, das tendências dos consumidores, o que permite uma otimização dos níveis de stocks de matérias-primas e produtos acabados, e uma maximização do retorno do capital investido.

A gestão inteligente de recursos a todos os níveis abre um manancial inesgotável de oportunidades para o desenvolvimento de soluções empresariais inovadoras. As oportunidades para jovens empreendedores são enormes e as políticas públicas de apoio ao empreendedorismo são um suporte adicional a essas iniciativas. Os apoios financeiros a “business angels”, as linhas de capital de risco e os incentivos à inovação estão disponíveis para apoiar projetos que sejam efetivamente diferenciadores e criadores de soluções criativas para a indústria e para a economia portuguesa. É esse o papel das políticas públicas.

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Sobre o autor

Franquelim Alves

Franquelim Alves é Diretor-Geral da 3anglecapital, sociedade especializada em operações de M&A e serviços de “advisory” financeiro. Licenciado em economia, pelo ISEG, detém um MBA em Finanças pela Universidade Católica Portuguesa e o Advanced Management Program da Wharton School of... Ler Mais