Um verdadeiro líder é aquele que é capaz de mudar o mundo? Certamente que sim! Aquilo que antes era visto como uma visão romântica, é hoje crescentemente aceite como requisito: cada vez mais as pessoas identificam os líderes como alguém que os inspira pelo exemplo, na sua crença de que é capaz de causar impacto na Sociedade.

É certo que devemos muito à tão “badalada” geração dos millennials, cada vez mais exigentes no que respeita ao propósito dos projetos que abraçam, ao seu impacto social no sentido mais abrangente. No entanto, os líderes sempre foram gente inquieta, movida pela ambição de mudar o mundo.

Henry Ford, arauto do capitalismo e um dos pioneiros da produção em massa, afirmou, no lançamento do famoso modelo T, que o fazia porque queria que todos os seus funcionários tivessem acesso a comprar um dos carros que ajudavam a produzir! Sob a sua liderança, a Ford foi uma das empresas responsáveis pela massificação do automóvel. Quando hoje olhamos à nossa volta para os milhões de carros conduzidos por todo o tipo de gente em todos os cantos do Globo, percebemos que o investimento de Henry Ford no modelo T foi efetivamente uma forma de “impact investment” e que mudou realmente a relação da Sociedade e de cada um dos seus membros com a mobilidade.

Do meu ponto de vista, o grande problema dos nossos líderes é a falta de foco, na sua ânsia de mudar o mundo em múltiplas direções e sentidos! Se olharmos para o exemplo dos líderes empresariais de maior sucesso na Contemporaneidade, vemos que todos eles se caracterizam por serem focados naquilo que têm como missão fazer. Um dos líderes por quem ainda hoje tenho especial admiração, é Bill Gates. Certamente que o seu sucesso se deveu à grande mestria com que geriu a Microsoft, particularmente nos primeiros anos e, juntamente com os seus companheiros de percurso, às decisões estratégicas acertadas que tomou, como a pioneira parceria com a IBM. Mas essa capacidade de gestão empresarial foi sempre iluminada com um foco muito claro, o de querer criar um sistema operativo que toda a Humanidade pudesse vir a utilizar algum dia.

Já retirado de lides executivas na Microsoft, Bill Gates definiu um novo foco: erradicar a malária do mundo inteiro. Eu acredito que vai conseguir! Quer numa situação quer na outra, o seu sucesso é determinado pela forma tão focada como lidera ambos os processos. A importância do foco no sucesso é transmitida de forma ilustrada e decisivamente convincente no livro de leitura obrigatória “A Única Coisa” (1).

Para garantir que se atinge o foco necessário, não conheço nada melhor do que o Coaching Executivo. Trata-se de uma metodologia desenvolvida há décadas, já testada e amplamente utilizada em todo o mundo. Baseia-se no princípio de que as respostas estão dentro de nós e só serão eficazes se forem executadas pelo próprio! Assim, o coach é alguém que pergunta de forma exaustiva e só se dá por satisfeito quando, como resposta, lhe é apresentado um plano de ação e consegue que o coachee assuma o compromisso da execução desse plano de ação que ele próprio (coachee) desenhou.

Acredito que uma maior generalização da prática do Coaching Executivo levará os líderes portugueses a afinar a sua mira, definindo o “Único Foco” e tornando a sua ação consideravelmente mais eficaz e inspiradora.

Acredito que é fortemente necessário reforçar a eficácia da liderança na indústria portuguesa em geral, mas de forma ainda mais marcante nas nossas start-ups e nos jovens empresários e empreendedores que, em Portugal, criam empresas e negócios.

Mais sobre o tema do Coaching em próximas “aparições”.

(1) A Única Coisa – A verdade simples e surpreendente por trás dos resultados extraordinários, Keller, Gary e Papasan, Jay, 2015, Sabedoria Alternativa

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Sobre o autor

Miguel Henriques

Miguel Henriques é um Business Angel português. Presidente da FNABA entre 2015 e 2017, é hoje vice-presidente do Clube de Business Angels de Lisboa e membro da Invicta Angels, do Porto. Integra três sociedades de investimento em projetos empresarias inovadores, tipicamente start-ups. Tem uma carreira de 30 anos nas áreas pública e privada, como consultor e gestor. É presentemente CEO de uma concessão pública da área da energia. Academicamente, é... Ler Mais