De acordo com um estudo internacional da Mercer, 94% das empresas tem o desafio da inovação no topo da sua agenda em 2018.

Após vários anos a falar de disrupção, os executivos parecem finalmente dispostos a passar das palavras à ação. Ou seja, as organizações estão aumentar os seus esforços de transformação para preparar o futuro do trabalho e a colocar as pessoas no centro desses esforços.

Algumas das conclusões do recente estudo Global Talent Trends 2018 – Unlocking Growth in the Human Age, uma pesquisa desenvolvido pela Mercer e que envolveu 800 homens de negócios, 1800 profissionais de recursos humanos e mais de cinco mil empregados, de 21 sectores de atividade, de cerca de 44 países, apontam no sentido de que este seja um “ano de ação”

Constatou que 96% das empresas planeia fazer alterações no seu desenho organizacional, enquanto que 78% dos colaboradores colocam a hipótese de trabalhar como freelancer, valorizando cada vez mais a possibilidade de gerirem de forma mais autónoma a sua vida pessoal e profissional.

Por outro lado, este ano, 94% dos executivos têm no topo da sua agenda o desafio da inovação; 40% das empresas está a aumentar o acesso a formação online; e apenas 26% das empresas está a apostar ativamente em programas de rotação de talento.

Apesar do peso crescente das tecnologias nas organizações, os executivos estão a apostar, por outro lado, no “sistema operativo humano” para fortalecer as empresas. Nesta matéria, a pesquisa da Mercer identificou cinco tendências da força de trabalho para o corrente ano:

Mudança antecipada: a forma como as empresas se preparam para o futuro do trabalho depende do nível de disrupção antecipada. Aqueles que esperam uma maior disrupção já estão a trabalhar no seu modelo e a apostar em estruturas mais horizontais e em rede, cerca de 32%.

53% dos executivos prevê que, nos próximos cinco anos, pelo menos uma em cada cinco funções da sua organização deixará de existir, por isso é fundamental, para a sobrevivência dos negócios, estar preparado para a substituição e requalificação ao nível do trabalho. 40% das empresas já está a aumentar o acesso a formação online.

Trabalhar com um propósito: 75% dos colaboradores bem-sucedidos e realizados, referem que a sua empresa apresenta um forte sentido de propósito. Os colaboradores procuram dinamismo, aprendizagem e experimentação. Caso não o encontrem, irão procurá-lo noutro local – 39% dos colaboradores satisfeitos com o seu trabalho atual planeia sair devido a falta de oportunidade de carreira. Além do propósito, a nova proposta de valor inclui fatores como a saúde e o bem-estar financeiro.

Apenas 26% das empresas desenvolvem políticas internas para gerir o bem-estar financeiro. A justiça dos pacotes de remuneração e as práticas de sucessão são também uma preocupação, sendo que apenas 53% dos colaboradores refere que a sua empresa garante equidade no salário e nas decisões de promoção.

Flexibilidade permanente: Os colaboradores valorizam cada vez mais as suas expetativas de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Querem mais opções de trabalho flexível, e próprias organizações estão cada vez mais atentas – 80% dos executivos veem o trabalho flexível como parte essencial da sua proposta de valor. Apenas 3% dos executivos consideram-se líderes no seu setor relativamente a políticas de flexibilidade e 41% dos colaboradores teme que optar por um trabalho flexível tenha impacto nas suas perspetivas de promoção.

Plataforma para o talento: 89% dos executivos espera que a competição pelo talento aumente. As empresas percebem a necessidade de expandir o seu ecossistema de talento e atualizar os seus modelos de gestão para uma era digital. Duas em cada cinco empresas planeiam subcontratar mais talento em 2018 e 78% dos colaboradores considerariam trabalhar como freelancer. Os executivos concordam, que melhorar a capacidade de transferir empregos para pessoas e pessoas para empregos será o investimento em talento que terá maior impacto no desempenho do negócio em 2018.

Digital de dentro para fora: Apenas 15% das empresas consideram-se digitais. Apesar de 65% dos colaboradores referirem que as ferramentas de última geração são importantes para o sucesso, apenas 48% diz ter as ferramentas digitais necessárias para cumprir as suas tarefas e apenas 43% apresenta interações digitais com os Recursos Humanos.

Os líderes das organizações estão confiantes na capacidade dos Recursos Humanos enquanto parceiro estratégico na definição da estratégia para o futuro. 70% dos executivos afirma que os RH alinham a estratégia dos colaboradores com as prioridades do negócio.

Comentários