Esta frase de Samuel Beckett poderia resumir em poucas palavras a vida de muitas start-ups. Imbuídos no espírito empreendedor, são muitos os que se lançam na criação de empresas, na esperança de que esta seja a próxima Amazon, Facebook ou Uber do mercado.

Porém, a realidade diz-nos que apenas uma, em cada dez start-ups, têm sucesso. Sabendo que não há receitas infalíveis para o atingir, existem alguns aspetos que qualquer empresa ou empreendedor deverá ter em conta nas diferentes fases do processo, de forma a fintar o fracasso.

O surfista
Um ditado chinês diz que sorte é quando a preparação encontra a oportunidade. As oportunidades criam-se. No entanto, poderão não ser verdadeiramente pertinentes, inovadoras ou mesmo ser redundantes, levando ao insucesso da empresa, mais cedo ou mais tarde. Tal poderá acontecer devido à surdez e ao efeito de negação, resultantes da excitação no início de projeto. Confiança cega, surda e muda, sem estudar o mercado, a pertinência ou a concorrência do produto, poderá revelar-se fatal.

Mas, acima de tudo, o timming é muito importante e, tal como um surfista, quando a onda forma a crista, ou se está no tubo ou na areia.

A borboleta
Muitos de nós poderemos ter boas ideias, mas, no decurso da sua implementação, o empreendedor tem que passar por um processo metamórfico, tal como a larva se transforma em borboleta para voar. Mais do que um criativo ou empresário, o empreendedor terá que desenvolver qualidades de liderança, para cativar, alavancar a sua equipa, criando um verdadeiro movimento de tribo.

O visionário
Mais do que vender um produto, importa a visão. Para onde queremos ir, como fazemos e quais os valores que defendemos. Num mundo em mudança e com uma nova geração atenta a aspetos sociais e ambientais, mais do que encarar o negócio através das lentes do lucro, as organizações não se podem demitir da responsabilidade de o tornar melhor, através das suas políticas empresariais e das suas pessoas.

O alpinista
“Depois de termos subido a uma grande montanha, descobrimos que existem ainda mais grandes montanhas para subir.” Esta frase de Nelson Mandela aplica-se à vida e aos desafios contínuos que se colocam no caminho de um empreendedor. Para subir a montanha, um alpinista precisa de um bom planeamento e de preparação física. Escolher a altura certa para arrancar, aliviar a carga e simplificar a rota são cruciais para o sucesso da expedição.

O engenheiro e o arquiteto
As parcerias certas poderão ser cruciais para o arranque de um projeto ou lançamento de um produto. Grandes empresas e start-ups deverão criar pontes entre si, de forma a partilhar conhecimento, práticas e contagiar-se positivamente.

Em suma, nesta terceira vaga tecnológica, os desafios de uma grande empresa passam pela adaptação imediata a uma nova realidade e, para uma start-up, passam por escalar e aprender rápido.

Ambas poderão ter mais a ganhar, se aprenderem em conjunto. Precisamos de investir mais em tecnologia e inovação; de ter uma maior consciência de nós próprios e do mundo que nos rodeia; precisamos de criar pontes que difundam o conhecimento e, acima de tudo, de investir continuamente nas pessoas.

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Sobre o autor

Rita Nabeiro

Rita Nabeiro é Diretora-Geral da Adega Mayor, do Grupo Nabeiro. Formada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, o seu percurso profissional teve início em 2005 na área de design e comunicação. Primeiro numa agência de publicidade em Itália e de seguida em Portugal, na agência Brand New. Viria a integrar o negócio familiar (Grupo Nabeiro-Delta Cafés) cerca de dois anos mais tarde. Dentro... Ler Mais