Lembrem-se da Kodak… Uma empresa criada em Rochester, Nova Iorque, em 1888, com o verdadeiro espírito americano, o que a tornou Grande. Deteve uma posição dominante no mercado ao longo do século XX.

Começou a ter problemas nos anos 90 devido à sua relutância em aceitar a mudança e falhou ao adaptar o seu negócio a um aumento da procura da fotografia digital.

Na verdade, a Kodak desenvolveu a sua primeira câmara fotográfica digital em 1975, mas decidiu abandonar o projeto com receio de que este ameaçasse a sua principal atividade, a película fotográfica

Em menos de duas décadas, a Kodak passou de vendas de quase 16 mil milhões de dólares em 1996 para a falência em 2012, resultando no despedimento de 150 mil funcionários. Olho para este falhanço e vejo semelhanças com o que está atualmente a acontecer nos EUA.

Os EUA também foram uma potência dominante na maior parte do século XX. No entanto, e tal como a Kodak, os Estados Unidos registaram uma diminuição da sua taxa de crescimento nas últimas duas décadas. Nos anos 50 e 60, a taxa de crescimento média estava acima dos 4%, nos anos 70 e 80 diminuiu para cerca de 3% e nos últimos dez anos a taxa de crescimento média está abaixo dos 2%.

A Grande Kodak sucumbiu. Estarão os Estados Unidos no mesmo caminho?

A história está repleta de histórias de grandes quedas. Nunca os mais pequenos e ágeis estiveram numa posição tão vantajosa, para aplicar o derradeiro golpe nos melhores e mais importantes, do que agora.

Assim como a fotografia digital mudou a sorte da Kodak, também a inovação, as alterações climáticas, a globalização, a inclusão e a tecnologia representam uma ameaça aos Estados Unidos, enquanto potência.

A maioria dos especialistas concorda que os pontos referidos acima são reais e representam ameaças. No entanto, também apresentam oportunidades para a economia e negócios que incluem e usam para seu benefício. Ignorar estas marés de mudança levar-nos-á, inevitavelmente, pelo mesmo caminho do falhanço que tomou a Kodak e muitos outros.

A Kodak tentou remar contra a corrente, determinada a voltar aos bons velhos tempos e falhou. Os Estados Unidos elegeram agora um novo Presidente/CEO (Donald Trump) que pretende remar contra a corrente e “Tornar a América Grande Outra Vez” (os bons velhos tempos). Ele quer insurgir-se contra a globalização (que tornou os EUA e outros países mais prósperos), contra a imigração (que contribuiu para as maiores taxas de crescimento que os EUA alguma vez viveram), quer descredibilizar as alterações climáticas (que poderiam oferecer aos EUA uma vantagem mais competitiva sobre a China) e rejeitar a inclusão (que foi nesta base que os EUA foram fundados e floresceram). Irá este CEO conduzir os EUA em frente ou irá, mais provavelmente, conduzi-los no sentido contrário, vendo que as suas ideias e ações também são retrógradas?

O mundo não se pode dar ao luxo de ver os EUA a entrar no capítulo 11, embora acreditemos que isto não aconteceu ainda, devido ao facto dos EUA serem capazes de imprimir o dólar americano.

Com Trump como CEO, os EUA têm agora um líder que entrou em processo de insolvência pelo menos 6 vezes e não têm qualquer transparência nas suas atuais transações comerciais. Com base no seu histórico de negócios pessoal, Trump está idealmente qualificado para conduzir os EUA à ruína financeira profunda, sendo que uma das previsões é de que a dívida dos EUA aumentará abruptamente, quando este terminar.

Mantenho a esperança de que este período negro e perigoso passe, principalmente devido ao seguinte:
– Trump perdeu o voto popular, na verdade, foi a maior margem de perda de sempre. Portanto, foi o maior perdedor de sempre.
– Os EUA têm as pessoas mais brilhantes, criativas e atenciosas do mundo. Pena não terem concorrido para a presidência.
– Os defeitos de Trump serão finalmente expostos e, afinal de contas, os EUA são uma terra de lei e ordem. Vejo isto em 90% dos filmes, por isso estou a contar com isso.
– Também acredito que os EUA deixarão de ter medo da própria sombra. Começarão a agir como se estivessem em controlo e deixarão de agir e reagir a twitters sem sentido, piratas informáticos e todas as outras porcarias.

EUA, peço-vos, não sejam a próxima Kodak, abracem a mudança de hoje e moldem o futuro por todos nós…

 

Versão do texto em inglês:


USA the Next Kodak!!!

Remember Kodak…. A company started in Rochester New York in 1888 with the true American spirt which made it Great. It held a dominant market position through out most of the 20th century.

It started struggling in the 1990’s due to it’s reluctance to embrace change and failed to adapt it’s business to the increased demand for digital photography. Kodak actually developed the first ever digital camera way back in 1975, but decided to abandon the project on fear that it would threaten Kodak’s core photographic film business…

In less than 2 decades, Kodak went from sales of just below 16 Billion USD in 1996 to bankruptcy in 2012, resulting in 150 000 employees losing their jobs.

I look at this fall from grace and see similarities with what is currently happening in the USA. The USA has also been the dominant power for most of the 20th century.

However just like Kodak, the United States has experienced a decrease in it’s growth rate over the past 2 decades. In the 50’s and 60’s the average growth rate was above 4 percent, in the 70’s and 80’s it dropped to around 3 percent and in the last ten years the average growth rate has been below 2 percent.

The Great Kodak company fell. Is the United States on the same path.

History is full of stories of the great falling. Never have the small and agile been in a more advantageous position to deliver a knockout blow to the biggest and greatest than right now.

Just as digital photography changed the fortunes of Kodak, so will innovation, climate change, globalization, inclusiveness and technology pose a threat to the United States as a leading power.

Most experts agree that the points above are real and pose threats, however, they also offer opportunities for economies and businesses which embrace and use them to their advantage. Ignoring these waves of change will inevitably leads us down the same failing path as Kodak and many others.

Kodak tried to row against the current, determined to go back to the good old days and it failed. The United states has now elected a new President / CEO (Donald Trump) who wants to row against the current and “Make America Great Again” (the good old days). He wants to go against globalization (which made the USA and other countries more prosperous), against immigration (which contributed to the highest growth rates the US ever experienced), discredit climate change, (which could have offered the US it’s biggest competitive advantage over China) and reject inclusiveness (which is the how the US was founded and flourished). Will this CEO lead the USA forwards or will he more likely lead it backwards, seeing that his thoughts and actions are backward too.

The world cannot afford to have the USA enter a chapter 11, even though we already believe that this hasn’t happen, due to the US being able to print it’s own dollar currency.

With Trump as CEO, the USA now has a leader that has filed for bankruptcies at least 6 times and has no financial transparency in his current business dealings.

Based on his personal business track record, Trump is ideally qualified to lead the USA into deep financial ruin. One prediction is that the US debt will have increased hugely when he is done.

I do hold out hope that this dark and dangerous period will pass,  mainly due to the following:
– Trump lost the popular vote, actually it was the largest loss margin ever. So he is actually the biggest loser ever.
– The US posses some of the brightest, creative and caring people in the world. Real pity they didn’t run for president.
– Trump’s flaws will ultimately be exposed and in the end, the US is a land of law and order. I see this in 90% of the US movies, so I am counting on it.
– I also believe the US will stop being scarred of its own shadow. Start acting in control and stop acting out and reacting to senseless twitters, hackers and all the other crap.

USA, I urge you, don’t be the next Kodak, embrace the changed of today and shape the future for us all…

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Sobre o autor

Tim Vieira

Tim Vieira é empresário em Angola desde 2001, país onde possui, juntamente com o seu sócio Nuno Traguedo, um dos mais relevantes grupos de Media – a Special Edition Holding –, que emprega mais de 500 colaboradores e detém algumas das principais agências de publicidade, eventos, ativações de marca e planeamento de meios (TBWA/Angola, Original Brands, Multileme, Onmedia). Tem também empresas de media em Moçambique e no Gana. É CEO... Ler Mais