Um estudo realizado pelas Universidades East Anglia e Glasgow, no Reino Unidos, revela que o apoio dado aos “business angels” por parte do governo mesmo em tempos de austeridade é essencial para a economia.

Com a crise global de 2008, os bancos deixaram de fazer empréstimos tão facilmente e os fundos de capital de risco tornaram-se menos ativos. Neste panorama económico os governos encorajaram “business angels” (BA) a investirem o seu dinheiro, tornando assim o ecossistema empreendedor mais ativo por toda a Europa.

O estudo, intitulado “Angel investing in an austerity economy – the take-up of government policies in Portugal” (Investimento de BA numa economia de austeridade – a adoção de politicas governativas em Portugal), examinou as ações económicas dos BA nas economias que sofreram mais com esta crise.

Focado em Portugal, que sofreu umas das maiores recessões económicas da Europa e que teve de implementar medidas económicas e fiscais extremas para reduzir o défice e cumprir com os objetivos delineados por instituições internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e a União Europeia (UE), este estudo teve também a colaboração de investigadores da Universidade de Évora e do Instituto Politécnico de Beja.

Um dos autores, Tiago Botelho, da Universidade de East Anglia, refere que, embora o estudo confirme que a intervenção do Governo para apoiar o investimento de business angels possa ter um impacto positivo, diferentes tipos de intervenção apelam a diferentes tipos de business Angels, com implicações na sua eficácia.

Os investimentos por parte de BA são uma das principais fontes de investimento – depois da família e dos amigos – em start-ups e empresas em fase inicial. Para além de investirem capital, os BA podem também investir tempo a servir de mentores às microempresas.

O estudo publicado dia 23 de maio, revelou ainda que, apesar da crise financeira portuguesa, os BA continuaram a investir. Em média, cada investidor deste tipo fez entre três a quatro investimentos que variaram entre 100 a 250 mil euros em cada um. Perto de 80% deste tipo de investidores mostrou-se ainda interessado em investir nos 12 meses seguintes, apesar dos ajustes na economia portuguesa, feitos na altura, poderem piorar a situação financeira.

Os BA portugueses mostraram-se interessados em esquemas de coinvestimento, com uma preferência em fundos do mesmo género. Dentro das medidas mais populares feitas pelo Governo português está a da eliminação da proibição de venda de “shares” de empresas no período de cinco anos. Estes investidores acham também que o apoio do governo em redes de BA devia focar-se, em primeiro lugar, em setores que ajudem o mercado em vez de utilizarem esses fundos para treinar este tipo de investidores (apesar de acharem este ponto importante).

Os investigadores apoiam a ideia de que há um maior proveito e eficiência se o governo optar por apoiar as redes regionais de BA. Referem ainda que a opinião negativa dos investidores sobre novas leis deve ser vista de uma maneira séria e que a atividade dos BA não deve ser obstruída pela legislação.

Segundo Tiago Botelho, “os outros países podem aprender com a experiência portuguesa na relação dos tipos de intervenções que têm maior ou menor taxa de adoção, a ligação entre o tipo de incentivo e a sua adoção e ainda os tipos de intervenção que deviam ser considerados, mas que não foram implementados em Portugal”.

Pode saber mais sobre este estudo publicado no “European Planning Studies” aqui.

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