A capital portuguesa integra a lista das cidades mundiais mais seguras e com melhor qualidade de vida. A avaliação é da consultora Mercer que listou 231 países.

O 21.º estudo anual Quality of Living da Mercer, divulgado hoje, revela que Lisboa é a 31.ª cidade mais segura do mundo (subiu 6 posições face a 2005) e a 37.ª da lista das cidades mundiais com mais qualidade de vida (à frente de Madrid, Barcelona, Paris, Londres ou Nova Iorque, por exemplo).

Desenvolvido anualmente para permitir que as multinacionais e outras organizações remunerarem os seus colaboradores de forma justa quando estes são colocados em projetos internacionais, o estudo da Mercer avalia mais de 450 cidades a nível mundial, 231 das quais integram os rankings relativos à qualidade de vida e à segurança pessoal. A informação analisada refere-se ao período entre setembro e novembro de 2018.

Contrariamente ao que se poderia pensar, dada a instabilidade política e económica que se vive em muitas zonas do globo, esta análise mundial da Mercer revela que ainda existem muitas cidades a reunir boas condições para atrair negócios e empresas. As que se encontram mais bem posicionadas são as que enquadram a qualidade de vida como um argumento fundamental para atrair negócios e talento.

E neste ponto, a capital austríaca marca a diferença já que, de acordo com o estudo da Mercer, Viena lidera, pelo 10.º consecutivo, o ranking das cidades mundiais com melhor qualidade de vida. O segundo lugar pertence a Zurique (Suíça) enquanto o terceiro é partilhado por Vancouver (Canadá), Auckland (Nova Zelândia) e Munique (Alemanha). Já se olharmos para a América Latina, o destaque, pela positiva, vai para Montevideo (em 78.º lugar). Já a capital da Venezuela, Caracas, foi uma das cidades a sofrer uma queda significativa nas suas condições de vida devido à instabilidade política e económica que o país atravessa. Na Ásia a que teve melhores resultados foi Singapura (25.ª posição) e em África foi Porto Luís (83.ª posição).

A par desta avaliação, o estudo deste ano contempla um ranking dedicado à segurança pessoal que analisa a estabilidade interna das cidades, níveis de criminalidade, aplicação da lei, limitações à liberdade individual, relações com outros países e liberdade de imprensa.Trata-se de um indicador igualmente prioritário para quem quer internacionalizar os negócios e as suas equipas.

E neste caso, a liderança cabe ao Luxemburgo, considerada a cidade mais segura. A segunda posição coube, ex-aequo, a Helsínquia (Finlândia) e às cidades suíças de Basileia, Berna e Zurique. Por oposição, a última posição deste ranking (231.º lugar) é ocupada por Damasco.

Tiago Borges, líder da área de Rewards da Mercer | Jason Associates, lembra o quanto são essenciais as estruturas locais para as operações globais das multinacionais “impulsionadas em grande parte pelo bem-estar pessoal e profissional dos quadros que as empresas colocam nesses locais”. Este profissional refere ainda que “as alterações que estão em curso em termos socioeconómicos a nível mundial estão a fazer com que as empresas e organizações reflitam mais a fundo sobre as oportunidades de negócio além-fronteiras. Diversos fatores entram em jogo nestas tomadas de decisão, tais como a segurança que incluímos na nossa análise deste ano.”

Performance europeia
As cidades europeias continuam a ter a qualidade de vida mais elevada do mundo, já que 13 cidades do top 20 são europeias. As principais capitais europeias como Berlim (13.º), Paris (39.º) e Londres (41.º) permaneceram estabilizadas no ranking deste ano, enquanto Madrid (46.º) subiu três lugares e Roma (56.º) subiu um.
Este ano, Minsk (188.º), Tirana (175.º) e São Petersburgo (174.º) permaneceram como as cidades com o ranking mais baixo na Europa, enquanto Sarajevo (156.º) subiu três lugares devido à queda do número de crimes reportados.No campo da segurança, Moscovo (200.º) e São Petersburgo (197.º) foram eleitas as menos seguras.

À frente de Paris (39.ª), Londres (41.ª) ou Nova Iorque (44.ª), no ranking da qualidade de vida, Lisboa também deu um salto qualitativo no ranking da segurança: subiu 12 lugares, relativamente a 2005, ocupando agora a 31.ª posição o que a coloca, por exemplo, à frente de Dublin (32.ª), Paris (60.ª) ou Barcelona (61.ª).

Continente Americano
As cidades canadianas continuam a refletir os valores mais elevados na América do Norte. Vancouver (em 3.º), regista o ranking mais elevado de qualidade de vida em geral, mas partilha esse lugar com Toronto, Montreal, Ottawa e Calgary no campo da segurança.

Já as cidades norte-americanas contempladas no estudo caíram, sendo que a descida mais acentuada foi protagonizada por Washington DC (53.º). Nova Iorque (44.º) foi a exceção ao subir um lugar. Detroit continua a surgir como a cidade norte-americana com a qualidade de vida mais baixa.

Na América do Sul, a qualidade de vida manteve-se inalterada em cidades chave como Buenos Aires (91.º), Santiago (93.º) e Rio de Janeiro (118.º).

Sudeste Asiático e África
No Sudueste Asiático, Dubai (74.º) continua a ter a melhor performance quanto a qualidade de vida, seguida de perto por Abu Dhabi (78.º). Já  Sanaa (229.º) e Bagdade (231.º) contam com o pior registo na região. A queda na taxa de criminalidade e a ausência de incidentes terroristas nos últimos 12 meses fez com que Istambul (130.º) subisse quatro lugares. Quanto a segurança, as mais seguras do Sudeste Asiático são Dubai (73.º) e Abu Dhabi (73.º)

Em África, Porto Luís (83.º) foi a cidade com melhor qualidade de vida e também a mais segura (59.º). Por outro lado, Bangui (230.º) registou o pior resultado em ambos os rankings.

Ásia-Pacífico
Singapura (25.º) apresenta a melhor qualidade de vida, seguida pelas cidades japonesas de Tóquio (49.º), Kobe (49º), Yokohama (55.º), Osaka (58.º) e Nagoya (62.º). Depois seguem-se Hong Kong (71.º) e Seoul (77.º), que subiram dois lugares, esta última ano graças ao retorno da estabilidade política. Outras cidades a assinalar nesta parte do Globo são Kuala Lumpur (85.º), Bangkok (133.º), Manila (137.º) e Jacarta (142.º).

A segurança continua a ser um problema nas cidades centro asiáticas como Almaty (181.º), Tachkent (201.º), Asgabat (206.º), Dushanbe (209.º) e Bichkek (211.º).

Nova Zelândia e Austrália continuam com um ranking de qualidade de vida elevado, com Auckland (3.º), Sidney (11.º), Wellington (15.º) e Melbourne (17.º) a permanecerem no top 20. As principais cidades australianas marcam todas presença no top 50 de segurança.

Comentários