A fabricante de carros norte-americana não quer ficar atrás das grandes inovadoras da mobilidade, como a Tesla e a Uber, na década que se avizinha.

O futuro da mobilidade passa por as pessoas não terem veículos próprios. A ideia foi passada pelo CPO (chief product officer) da Uber na Web Summit. O representante da start-up mais valiosa do mundo explicou na conferência que a visão da empresa para a mobilidade do futuro passa por as pessoas não terem carros próprios. O plano é haver uma plataforma de partilha de carros autónomos que vão transportar as pessoas, reduzindo o tráfego e, por consequência, aumentando a facilidade e rapidez com que as pessoas se movimentam dentro das grandes cidades.

Por outro lado, a Tesla, que já tem carros de luxo que se transportam de forma autónoma e está a desenvolver carrinhas/camiões de transporte com a mesma funcionalidade, já está à frente das outras fabricantes, apresentando um produto elétrico com uma eficiência invejável aos outros construtores de carros. Apesar de ainda ter problemas a nível da construção dos carros, não sendo capaz de entregar os seus produtos aos clientes rapidamente, a empresa de Elon Musk tem os carros que representam o futuro da indústria.

Como é que a empresa que conseguiu criar a primeira linha de montagem de carros eficiente, e que também ela trouxe, em tempos, uma forte componente de inovação à indústria, reage a estas duas empresas recém-aparecidas no mercado?

No update estratégico do trimestre da Ford há quatro pontos-chave importantes a referir e que vão tornar a fabricante norte-americana capaz de sobreviver à nova era da mobilidade:

1- Vai-se preparar para a disrupção, focando-se na diminuição dos custos em vez das receitas;

2- Os próximos veículos a serem fabricandos vão estar todos conectados;

3- Estes veículos vão operar num novo sistema de transporte;

4- A empresa quer evoluir para ser capaz de capitalizar em novas oportunidades de negócio dentro da indústria.

Parte da nova estratégia passa por apresentar um novo modelo industrial para as próximas gerações de veículos, o que vai, segundo a Ford, reduzir os custos dos novos veículos até 50%. Este novo modelo traduz-se em poupanças na ordem dos 12 mil milhões de euros, sendo que 8,6 mil milhões são abatidos em custos de material.

As operações da Ford a médio prazo também vão sofrer alterações, especialmente na sua complexidade. O Ford Fusion, por exemplo, é um carro que a marca disponibiliza em 35 mil combinações diferentes. De forma a diminuir a logística necessária para implementar estas alterações, a Ford quer disponibilizar esta versão do veículo em apenas 96 combinações possíveis.

O futuro da fabricante passa especialmente pelos carros elétricos, combatendo, assim, gigantes como a Tesla. Por outro lado, quer também criar carros autónomos que se vão movendo pela cidade de forma independente, criando uma plataforma como a da Uber.

A IoT (Internet of Things) é também ela um salto para a Ford, que quer ter uma frota de carros conectados até 2020.

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