Fundada na Covilhã, a UpHill acaba de receber um investimento de 600 mil euros da Caixa Capital, da Busy Angels e do Grupo Luz Saúde. O objetivo é continuar a aumentar o grau de eficácia terapêutica dos profissionais de saúde, evitar erros clínicos e apostar na internacionalização, segundo um dos seus cofundadores.

O Grupo Luz Saúde estreou-se como investidor no mundo das start-ups ao liderar a segunda ronda de investimento fechada pela portuguesa UpHill. Esta start-up, que desenvolve software de análise que ajuda os médicos a tomar decisões mais eficazes para cada caso clínico, levantou 600 mil euros. Na operação, também participaram a Caixa Capital e a Busy Angels.

“Temos dois objetivos muito concretos para o capital angariado nesta segunda ronda de investimento: apostar na internacionalização da empresa e investir na contratação de profissionais qualificados que nos permitam duplicar a equipa atual até ao final do ano”, explicou em entrevista ao Link To Leaders Eduardo Freire Rodrigues, um dos cofundadores da UpHill.

Fundada por três médicos, a UpHill está no mercado há três anos, estando presente nos “principais hospitais privados” do país. A start-up conta também com clientes estrangeiros, nomeadamente a multinacional suíça Novartis.

A UpHill acaba de receber um investimento de 600 mil euros da Caixa Capital, da Busy Angels e do Grupo Luz Saúde. Qual o objetivo deste investimento?
A UpHill desenvolve software para treino e análise da qualidade em hospitais. Estamos a tornar a saúde mais segura. Com este investimento, pretendemos expandir a nossa equipa de desenvolvimento e de vendas. As próximas versões do produto irão permitir informar os profissionais de saúde acerca de dezenas de artigos científicos em poucos minutos de treino. Assim, temos dois objetivos muito concretos para o capital angariado nesta segunda ronda: apostar na internacionalização da empresa e investir na contratação de profissionais qualificados que nos permitam duplicar a equipa atual até ao final do ano.

“Não gastámos um euro em publicidade e conseguimos que os nossos produtos chegassem à maior parte do setor privado hospitalar de Portugal e também à indústria farmacêutica”.

O que foi preponderante para que esta segunda ronda de investimento corresse bem?
Essencialmente foi o progresso dos nossos indicadores de desempenho e eficiência na utilização do capital prévio que atraiu os novos investidores e que permitiu o reinvestimento da Caixa Capital. Isto porque não gastámos um euro em publicidade e conseguimos que os nossos produtos chegassem à maior parte do setor privado hospitalar de Portugal e também à indústria farmacêutica. Temos um historial longo e bem-sucedido de parceria com a Luz Saúde e partilhamos a mesma visão para os cuidados de saúde de excelência, o que facilitou esta operação. Adicionalmente, o know-how da Busy Angels em investimentos de Saúde tornou esta relação óbvia.

“Até então tínhamos recebido um investimento de 80 mil euros, decorrente da vitória do Prémio Jovem Empreendedor em 2016”.

Angariaram quanto investimento até ao momento? Tem sido um processo fácil?
Até então tínhamos recebido um investimento de 80 mil euros, decorrente da vitória do Prémio Jovem Empreendedor em 2016. A partir daí, temos sido autossustentáveis e consideramos a rentabilidade dos nossos produtos como um indicador chave. Para escalar, tanto os produtos como as vendas, precisávamos de smart-equity. Embora o acesso ao capital de risco em Portugal seja ainda escasso, acreditamos que a Luz Saúde, a Caixa Capital e a Busy Angels são os melhores parceiros para aportar enorme valor no progresso da UpHill.

Como é que surgiu a UpHill?
A UpHill foi fundada, em 2016, por mim, pelo Duarte Sequeira e pelo Luís Patrão. No nosso percurso na medicina, apercebemo-nos da vasta quantidade de informação com que os profissionais de saúde têm que lidar para se manterem atualizados. Neste sentido, quisemos contribuir para simplificar o acesso à medicina baseada na evidência, de forma mais rápida e simples. A UpHill foi, assim, criada de médicos para médicos.

Que balanço faz dos três anos que a UpHill está no mercado?
Superou todas as expetativas. Em 2016, fomos distinguidos com o Prémio Jovem Empreendedor, atribuído pela ANJE e entregue pelo Presidente da República, que muito nos orgulha. Atualmente, os nossos produtos já são usados por 60 mil utilizadores em Portugal, estamos presentes nos principais hospitais privados nacionais e temos clientes na indústria farmacêutica, como a multinacional Novartis. Em termos de faturação, duplicámos as receitas entre 2017 e 2018 e prevemos voltar a fazê-lo este ano.

“Os nossos concorrentes estão focados em substituir os profissionais de saúde com sistemas de decisão automática. Já nós desenvolvemos software para capacitar as equipas através de treino avançado. Acreditamos que as equipas de saúde são o garante da qualidade”.

O que distingue o software desenvolvido pela UpHill de outros existentes no mercado e a quem se destina?
Os nossos concorrentes estão focados em substituir os profissionais de saúde com sistemas de decisão automática. Já nós desenvolvemos software para capacitar as equipas através de treino avançado. Acreditamos que as equipas de saúde são o garante da qualidade. A tecnologia deve ser um aliado para o profissional e para o doente, não uma ameaça. É um meio e não um fim.

O Upsim, o software que desenvolvemos, permite ao profissional de saúde manter-se atualizado de forma eficaz, tendo rapidamente acesso à informação científica necessária para abordar cada caso clínico. O software permite, assim, diminuir as assimetrias que se verificam no acesso à informação, promove o aumento da adesão a guidelines e recomendações hospitalares e, simultaneamente, é extremamente respeitoso do tempo dos profissionais de saúde, que como sabemos, é cada vez menor. Em suma, o nosso software permite às unidades de saúde melhorar a gestão da qualidade, ao mesmo tempo que, através da formação continuada, ajuda os médicos a tomar decisões mais eficazes para cada caso clínico, com vista a obter melhores resultados e maior segurança para o paciente.

O que representa o software em termos reais para os pacientes?
Com cuidados de saúde atualizados e centrados na melhor evidência científica, todas as pessoas ganham. É fundamental que o setor da saúde acompanhe os avanços tecnológicos, sempre com o objetivo de prestar melhores cuidados. E é essa a nossa missão: capacitar o profissional de saúde enquanto garante da qualidade. Contribuímos para a formação dos profissionais de saúde e, em última análise, estamos a maximizar a qualidade dos cuidados prestados aos pacientes.

“Além dos desafios inerentes a qualquer start-up, competir com grandes multinacionais para o recrutamento de talento é cada vez mais um desafio”.

Quais as maiores dificuldades que encontraram no caminho?
Além dos desafios inerentes a qualquer start-up, competir com grandes multinacionais para o recrutamento de talento é cada vez mais um desafio. As start-ups de economia de conhecimento só conseguem crescer se os recursos humanos escalarem. Embora Portugal e Lisboa estejam na moda, isto torna cada vez mais difícil atrair colaboradores.

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