O “Love Index” da Accenture Digital acaba de revelar, neste mês de novembro, quais as marcas mais apaixonantes para os consumidores, num estudo realizado a cada 2 anos e que atravessa vários países. E o resultado traz para o TOP5:  Netflix, Apple, Google, Microsoft e YouTube.

Este estudo cruza os valores obtidos por cada marca, em 5 índices: Diversão + Relevância + Envolvimento + Socialização + Ajuda.

Como se percebe (e conjugando estes dados numa semana em que o Web Summit se realizou pela primeira vez no nosso país), o Digital reina. Surpresa? De facto, quando observado o âmbito do estudo, que se centra nas experiências que as marcas proporcionam aos seus clientes, deixa de surpreender. Talvez a grande surpresa seja mesmo a ausência do Facebook.

Basta considerarmos o impacto que, genericamente, hoje a tecnologia do digital tem na nossa vida, para o entendermos. Mas ainda nem todos. Afinal de contas, a tecnologia sempre esteve por cá e fez andar o mundo… Desde a máquina a vapor, ao motor de combustão ou ao microscópio. Porquê então agora ser tão diferente com o digital?

Ainda há bem pouco tempo, o CMO da Unilever, Keith Weed, falava, numa entrevista à Marketing Week, desta incompreensão por alguns membros de algumas gerações, ironizando sobre os índices de ‘bluff’ que tantos profissionais de Marketing fazem em torno do que realmente percebem de digital, e apelidando-os de “lost generation”. Portanto, o que o século XXI, com o domínio do digital, veio trazer para os negócios, foi mais do que a presença nas conversas tidas em conferências. Foi, isso sim, essa omnipresença em qualquer negócio.

Como Damon Crepin-Burr provocava há 3 anos numa apresentação da Fullsix – questionando se esta coisa do digital era conversa de computadores para aplicar nos negócios de bits e bytes, ou se viria a afetar também as indústrias conserveiras e a fábrica que há 80 anos produz o mesmo Ketchup – a reposta é Sim!

Mas há outro fator pelo qual este tema do digital está hoje na ordem do dia – a velocidade.

A disrupção que a visão digital traz a muitos negócios, é atroz, ao ponto de, em apenas 10 anos, transformar por completo setores que estavam adormecidos e estáveis há décadas.

Foi assim nos processos. Foi na música. Na imprensa. Será no automóvel. Será em tudo. Por isso, ainda muitos olham para o digital como para a informática. “Isso é aquele departamento, não é? Os senhores do IT. Tratam das redes e das comunicações.” Mas hoje, e cada vez mais, veremos o digital como o sistema nervoso da empresa e, dentro de alguns anos, não conseguiremos distinguir onde começa e termina a sua presença.

A razão é simples: a faculdade da visão é física, é a que nos permite ler este texto e saber também que o digital está nas nossas vidas. Mas algo completamente diferente é a capacidade de olhar – o olhar é sensitivo, é afetivo e é social. Não admira, portanto, que tantos digam que sim, que vêem, mas não olham. Na verdade, por mais que abram as pálpebras, não conseguem olhar verdadeiramente, ao ponto de sentir o que é isto do digital, se apaixonarem por ele e transformarem os seus negócios.

Os clientes, esses, já escolheram. Pelos vistos com o coração. E nem precisaram de abrir os olhos.

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Sobre o autor

Ricardo Tomé

Ricardo Tomé é Diretor-Coordenador da Media Capital Digital, empresa do grupo que gere a estratégia e operação interativa para as várias marcas – TVI, TVI24, IOL, MaisFutebol, AutoPortal, etc. – com foco especial na área mobile (Rising Star, MasterChef, SecretStory)... Ler Mais