Há 10 anos atrás quando pensávamos em comprar um automóvel, as primeiras pessoas com quem falávamos era com os membros da família, aquele amigo “carapau de corrida” que percebia do assunto, ou com o vendedor do stand, provavelmente recomendado por um dos anteriores.

Neste preciso momento já devem estar a fazer a comparação com o processo atual no vosso subconsciente. Quando faço a pergunta: “Como o fazem hoje?”, quase todos os indagados respondem, pesquiso no Google.

Mais interessante é o facto de, invariavelmente, orientarmo-nos por partilhas de comentários, experiências – a maior parte das vezes más, pois as boas são partilhadas em menor proporção que as boas – opiniões de terceiros. Considerem o número de vezes que escolheram um hotel, ou restaurante no Booking, Trip Advisor, ou Zomato. Quantas dessas vezes escolheram com base numa dessas partilhas de alguém que não conhecem, não vão conhecer, e até não querem conhecer?

Agora imaginem que eram um Marca conhecida habituada a investir milhares ou milhões, conforme o País e a dimensão da empresa que a constrói. De um momento para o outro, o maior prescritor passou a ser o “colega” consumidor, em vez da empresa detentora da marca “que sabe o que é melhor para esse consumidor, e que o pode ajudar a escolher com conhecimento de causa”. De repente, temos o “colega” consumidor, a sugerir melhores produtos, melhores serviços, melhores experiências que não são daquelas empresas que têm o poder financeiro para se fazerem ouvir nos canais tradicionais, a Televisão, a Rádio, a Imprensa, os Outdoors.

Os consumidores saíram do “loop”.
E isto, pode ser muito bom. Bom, se formos uma startup que está perto do Consumidor, que percebe os seus problemas e que desenvolve soluções para os resolver. Bom, se soubermos como ouvir os consumidores no seu habitat natural, na socialização, quer seja online, quer seja offline. Bom, se daí soubermos extrair o que os leva a usar um produto/serviço em detrimento de outro, do porquê escolher o nosso produto, ou o porquê de deixar de o fazer, e nunca mais querer voltar a ouvir falar do assunto. Bom, porque este processo traz e obriga as empresas e marcas a serem transparentes, éticas, humanas e conscientes do seu impacto social e ambiental. Bom, porque a influência passa a estar do lado do consumidor e não apensa do lado das marcas, nivela o plano de jogo. E tudo isto, muitas das vezes, em tempo real.

Antes de sermos Millennials, somos todos Social Consumers!
Mais do que termos nascido entre 1981 e 1997, ou qualquer outra geração, todos temos, em maior ou menor grau, os comportamentos que o contexto nos induz. E esses comportamentos são os de um Social Consumer. Como em qualquer tendência, temos sempre a contra tendência, o equivalente a ter um segmento da população que resiste a até combate esta aculturação. No final do dia, qualquer organização de ter em conta este novo paradigma, pois é dele que resulta o Social Business, o nível que muitas empresas querem atingir a fazer a Transformação Digital (DX).

No final do dia, esqueçam os fatores demográficos, e foquem-se no humano por detrás dos Analytics. Mas tenham muita atenção pois não se devem esquecer ou desvalorizar os Analytics, devem é pôr-se no contexto do ser humano que lhes dá origem. Já agora, vale a pena pensar nisto… Qual dos conceitos considera ser mais fácil acionar em estratégias ganhadoras? O de Baby Boomer, Gen X, Millennial, Gen Z, ou o de Social Consumer?

 

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Sobre o autor

Luís Madureira

Luis Madureira é acreditado com o CIP-II - Master of Competitive Intelligence pela Academy of Competitive Intelligence (ACI), um de apenas dois em Portugal e de cerca de 500 profissionais a nível mundial. Licenciou-se na NOVA School of Business and Economics, em Economia com especialização em Marketing. Criou e implementou o SMINT, a primeira abordagem a nível mundial ao Competitive Intelligence (CI) em tempo-real, assim com o INNOVaction, um programa... Ler Mais