Este novo tipo de crowdfunding está a abrir novos canais de investimento às start-ups, dando-lhes a possibilidade de divulgarem o seu projeto e de receberem investimentos de qualquer parte do mundo.

As plataformas de crowdfunding tradicionais, como o Kickstarter, Indiegogo e a PPL estão a abrir portas e a dar novas oportunidades às start-ups que queiram vender os seus produtos antecipadamente, de forma a conseguirem ter dinheiro para a produção. Este método não só é importante para dar mais sustentabilidade às start-ups em early-stage, como também para dar visibilidade aos seus produtos junto de potenciais clientes dos quatro cantos do mundo.

Deste tipo de plataformas nasceu uma iniciativa subsidiária, as campanhas de equity crowdfunding. A principal diferença entre esta nova modalidade e uma plataforma de crowdfunding tradicional prende-se com o facto de o público-alvo serem investidores, ao contrário de consumidores.

A ideia é start-ups registarem-se nestas plataformas e disponibilizarem uma percentagem da empresa em troca de investimento. A Pixel Maison, por exemplo, que foi o último projeto português a entrar na Seedrs (website de equity crowdfunding), tem como objetivo receber 150 mil euros de investimento. Em troca, disponibiliza 18,75% do projeto para os potenciais investidores, o que avalia a empresa em 650 mil euros.

Nos últimos anos, foi grande a quantidade de empresas a ingressar neste tipo de plataforma. Apesar de ainda não haver legislação que autorizasse ou negasse este tipo de negócios, o Reino Unido foi um dos países que se adaptou mais rapidamente às mudanças. Os Estados Unidos, apesar de fazerem parte do grupo de países que lideram na inovação financeira, ainda estão num processo de adaptação a esta nova realidade. Aqui, só investidores acreditados podem investir em plataformas deste género. Para receberem este título, os americanos precisam de ter um salário anual superior a 170 mil euros ou um património líquido de, pelo menos, 850 mil euros. Não sendo muitas as pessoas que se possam qualificar para este título, as que o fazem, normalmente, podem facilmente aceder ao mundo das start-ups através dos fundos de investimento.

Independentemente disto são muitos os investidores que veem valor nas plataformas de equity crowdfunding. Isto porque, ao contrário dos fundos de capital de risco onde os investidores têm de confiar nos seus gestores, neste espaço as pessoas têm mais poder e controlo sobre as empresas decidem apoiar. E apesar destas plataformas cobrarem uma pequena percentagem, não se compara à dos fundos de capital de risco.

Mas haverá espaço para uma nova realidade no mundo dos investimentos? Afinal, segundo um relatório de abril deste ano, a nível global, os fundos de capital de risco somaram mais de 100 mil milhões de euros para colocar em empresas.

Apesar disto, muito do dinheiro que estes fundos colocam em empresas são afunilados para um certo tipo de empresas que preencham os requisitos. O equity crowdfunding vem liberalizar o mercado dos investimentos, dando, assim,mais oportunidades às start-ups, que não preencham as formalidades dos fundos tradicionais locais, de receberem investimentos através de outros canais.

Esta transformação da realidade dos investimentos não trará dificuldades aos tradicionais fundos de investimento. As previsões são de que os grandes players do mercado se mantenham, mas a criação de um novo canal vai trazer benefícios às empresas que se insiram fora dos grandes ecossistemas da atualidade, descentralizando, assim, o poder dos grandes fundos.

 

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