Depois de cinco start-ups fundadas e vendidas, Alexandre Mars dedicou-se a trazer a filantropia para a era digital, criando o que chama de capital de risco para filantropos. Nascia assim a Epic Foundation.

Alexandre Mars, empreendedor tecnológico norte-americano, depois de ter criado e vendido com sucesso cinco empresas na Europa e América do Norte, decidiu criar a Epic Foundation em 2014, uma organização não lucrativa (ONG) que liga pessoas de negócios com fortunas a instituições de caridade que apoiam crianças e jovens.

“Cresci em Paris. A minha mãe era toda dedicada às causas sociais e o meu pai era um empreendedor. Eu sou uma mistura dos dois. Em adolescente sabia que queria mudar o mundo. Mas depressa percebi que sem recursos não o conseguiria fazer. Por isso disse, “ok, vou fazer umas start-ups e criar a minha riqueza”, referiu ao Canadian Business.

“Comecei a minha primeira empresa quando tinha 17 anos. A minha segunda foi uma das primeiras agências digitais da Europa. Depois de a ter vendido, mudei-me para os Estados Unidos e tornei-me num investidor de capital de risco. Era uma loucura, mas uma loucura divertida. Tinha 24 anos e as pessoas confiavam em mim. Quando a bolha rebentou voltei para a Europa com a minha família. Queria criar algo novo na área do mobile, pelo que lancei a Phonevalley. Quando o Steve Jobs anunciou o iPhone em 2007, recebemos 14 propostas de aquisição num único ano. Vendi então a empresa e comecei uma nova [a plataforma de gestão de redes sociais ScrOOn], que vendemos em 2013 à BlackBerry”, contou Mars.

2013 foi um ano de viragem para Mars. Depois de vender a ScrOOn, apercebeu-se de que estava numa posição que lhe permitia alavancar as competências e experiência que tinha ganhado para seguir o sonho inicial de se tornar num empreendedor social. Nesse sentido, a Epic Foundation começava a desenhar-se com o objetivo de dar resposta ao vazio que existia entre a nova geração de filantropos individuais e empresariais e as organizações de apoio a crianças e jovens de todo o mundo.

Quando começou a Epic Foundation, voltou a mudar-se para os Estados Unidos e, porque não tinha experiência ao nível da filantropia, recorreu a contactos que tinha e que poderiam ajudá-lo, como a Gates Foundation, que o apresentaram a outros empreendedores sociais, filantropos e decisores políticos.

Sobre estes contactos e conversas, Mars partilhou que quando lhes perguntava se tinham doado dinheiro a alguma instituição de caridade no ano anterior todos lhe respondiam que sim. Mas se lhes perguntasse logo a seguir se sentiam que tinham dado o suficiente, a maioria deles lhe respondiam que não. O motivo que apresentavam era sempre o mesmo, não confiavam nas empresas sociais e que não tinham nem o tempo nem o conhecimento necessário para avançarem nesse sentido, e que preferiam não o fazer a fazerem-no mal. Foi isso que levou o empreendedor a fundar a Epic Foundation dois anos depois.

Mars percebia as exigêncoas de uma nova geração socialmente consciente, pelo que criou a Epic como uma plataforma para que os doadores se envolvessem com a sua instituição de caridade através da tecnologia, permitindo-lhes selecionar, monitorizar e viver o impacto que a sua doação tinha gerado. Desta forma conseguiu dar um novo impulso ao mundo da filantropia, trazendo o ato de dar para a era digital.

Ao recorrer ao que até aqui era tradicionalmente do domínio da tecnologia, Mars permitiu aos doadores verem a reação de quem recebe as suas doações e potenciar a relação entre ambas as partes através do ato de caridade.

As instituições que integraram na Epic surgiram numa viagem que fez em família por à volta o mundo, com o objetivo de identificar o que poderiam mudar com a Epic Foundation.

Para ganharem a credibilidade e confiança dos doadores, a Epic tornou-se extremamente rigorosa com as instituições que apoia. Por exemplo, de 1400 instituições candidatas num ano, apenas 20 foram apoiadas, num processo que considera ser semelhante ao seguido pelas investidoras de capital de risco.

A pensar nos doadores, desenvolveu uma app que lhes dá informação em tempo real sobre quantas pessoas a sua doação está a ajudar, acesso às faturas dos pagamentos, notícias sobre as instituições, fotografias e vídeos. Neste momento estão dedicados a integrar a realidade virtual na Epic e com ela ligar as pessoas aos seus doadores.

Já sobre a captação de doadores, seguem o mesmo esquema dos road show para IPO (oferta pública inicial), viajando para onde há poder e dinheiro para falar com bancos privados, empresas familiares, empreendedores, entre outros.

Para Mars, o que estão a fazer com a Epic Foundation é adaptar a forma de pensar do negócio ao mundo das organizações não lucrativas, considerando-a como uma empresa de capital de risco para filantropos.

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