A Beltrão Coelho conta atualmente como mais de 900 clientes em Portugal, tendo faturado 7,7 milhões de euros em 2017.  Em entrevista ao Link To Leaders, a diretora-geral da tecnológica fala da sua aposta na área da robótica e da sua parceria com o Web Summit.

A marca Beltrão Coelho está a celebrar os 70 anos de existência, assumindo-se como a empresa tecnológica de origem familiar com maior longevidade no mercado português.

Fundada em 1948, a Beltrão Coelho, dedicou-se, inicialmente, ao negócio da fotografia, tornando-se representante no nosso país das prestigiadas marcas Polaroid e Pentax. Hoje em dia, é especialista em MPS (Managed Print Services), tendo sido pioneira nesta área em Portugal.

Mais recentemente entrou na área da robótica, contando já com uma equipa de programadores para preparar e adaptar os robots às necessidades dos diferentes clientes.

A Beltrão Coelho celebra este ano o seu 70.º aniversário. O que mais destaca no percurso da empresa?
O que mais destaco é, sem dúvida, a constante procura de novos produtos e tecnologias, que tragam inovação e mais-valia para o mercado português, com um enfoque na diferenciação dos produtos e serviços prestados.

O que ainda perdura na empresa e o que mais mudou?
O que perdura há já 70 anos, e que fazemos questão de manter, são os valores pelos quais nos regemos: a ética, a verdade e o respeito. Apenas fizemos as necessárias adaptações ao mercado, otimizando os recursos e procedimentos de forma a estar no “pelotão da frente”, fornecendo produtos e serviços que satisfaçam em pleno os nossos clientes.

Tivemos fases muito boas e outras mais complicadas, mas sempre conseguimos, todos juntos, graças à grande família que somos, sair mais fortes destes desafios…

Quais têm sido os grandes desafios da Beltrão Coelho?
Como é natural numa empresa com 70 anos, já ultrapassámos muitos desafios. A conjuntura económica e a constante inovação do mercado, assim como a disseminação do conhecimento e o consequente aumento de exigência por parte dos clientes são os fatores que mais impacto têm na nossa organização. Tivemos fases muito boas e outras mais complicadas, mas sempre conseguimos, todos juntos, graças à grande família que somos, sair mais fortes destes desafios…

Qual o segredo para uma empresa se manter 70 anos no mercado?
O segredo é, sem dúvida, ter princípios e valores bem enraizados. Defendemos a verdade, ética e respeito perante os nossos clientes, mas não só. Fazemo-lo também em relação aos nossos colaboradores. Vivemos com base na confiança, no respeito mútuo, e isso faz com que sejamos uma família. Esta ligação dá-nos força e confiança e transmite-se para o cliente. Basicamente, é este o segredo da nossa longevidade.

Apesar de ter assumido a direção-geral da empresa apenas este ano, já exerço funções na Beltrão Coelho há 22 anos, em diferentes áreas.

A Ana Cantinho é a terceira geração da família Beltrão Coelho. O que trouxe de novo para a empresa e o que não quer alterar e que lhe passaram de testemunho?
Apesar de ter assumido a direção-geral da empresa apenas este ano, já exerço funções na Beltrão Coelho há 22 anos, em diferentes áreas. Não sei o que trouxe de novo para a Beltrão Coelho… Talvez uma maior proximidade às pessoas, mais emotividade, uma caraterística muito própria. No entanto, e sem me querer repetir, não quero, nem irei alterar os valores da empresa, porque foi com eles que cresci e acredito profundamente nesses princípios.

É fácil liderar no feminino uma empresa que durante anos foi gerida por homens?
Não creio que o facto de ser mulher e estar a assumir a liderança da empresa depois de dois grandes homens o terem feito tenha qualquer importância. Como já referi, trabalho na empresa há 22 anos, nos últimos dos quais desempenhei cargos de direção, e nunca senti por parte de qualquer colaborador, cliente ou parceiro que fosse tratada de forma diferente ou menos correta por ser mulher. Para mim, o género não faz qualquer diferença.

Na tecnologia tudo muda e a Beltrão Coelho deve acompanhar essa mudança, reinventando-se todos os dias. Para inovar, temos que nos reinventar todos os dias.

De que forma pretende ajudar a empresa inovar no mercado das TI?
Na tecnologia tudo muda e a Beltrão Coelho deve acompanhar essa mudança, reinventando-se todos os dias. Para inovar, temos que nos reinventar todos os dias.

A empresa está preparada para enfrentar o mercado das tecnologias emergentes?
Estamos sempre preparados para enfrentar o mercado nas tecnologias emergentes. Temos um setor de desenvolvimento de software, com pessoal dos quadros da empresa, que desenvolve soluções à medida para os nossos clientes de Managed Print Services (MPS). Além disso, entrámos este ano na área da robótica, com os robots de serviço, um mercado em grande expansão, embora jovem e por desbravar. Temos também uma equipa de programadores para preparar e adaptar os robots às necessidades dos diferentes clientes. Sim, porque não existirá nunca um robot igual a outro…

O nosso foco é, e sempre será, prestar o melhor serviço aos nossos clientes, independentemente de ser na área de MPS, aquela em que temos uma maior experiência e enraizamento, ou na recente área da robótica.

Qual a área de foco da empresa hoje em dia?
O nosso foco é, e sempre será, prestar o melhor serviço aos nossos clientes, independentemente de ser na área de MPS, aquela em que temos uma maior experiência e enraizamento, ou na recente área da robótica. Os nossos clientes não são apenas para o momento, para um negócio. São tratados de forma a manterem-se satisfeitos e tornarem-se parceiros para a vida.

O ano passado, a Beltrão Coelho voltou a assumir o papel de parceira do Web Summit e a assegurar a estrutura de impressão do evento de tecnologia. Este ano mantém-se a parceria?
Sim, fomos novamente escolhidos para parceiro MPS da Web Summit e assegurar a estrutura de impressão e não só. Sendo um evento internacional, não podemos esquecer que os nossos equipamentos permitem efetuar a tradução de documentos em variadíssimas línguas. Temos muito orgulho em estar novamente representados neste prestigiado certame.

Quantos clientes tem a Beltrão Coelho neste momento?
Temos cerca de 940 clientes com contrato ativo. Estamos a fazer um esforço para conseguir chegar, ainda em 2018, aos 1000 clientes.

Esperamos conseguir fechar este ano, e tudo aponta para isso, ultrapassando a barreira dos 8 milhões de euros.

Quanto faturaram no ano passado? E quais as previsões para este ano?
Em 2017 conseguimos atingir os 7,7 milhões de euros em faturação. Esperamos conseguir fechar este ano, e tudo aponta para isso, ultrapassando a barreira dos 8 milhões de euros. É um objetivo para o qual estamos todos a trabalhar afincadamente.

Num período em que assistimos ao nascimento de start-ups a uma velocidade acelerada, é importante notar que, à mesma velocidade a que estas nascem, também morrem. Que conselho acha que o seu avô daria aos jovens empreendedores?
O meu avô sempre foi uma pessoa empreendedora e com visão. No entanto, ele sabia que nada se conseguia obter sem muito trabalho, empenho e perseverança, aliados ao rigor e retidão. Com ele, e com o meu pai, aprendi que nem todos os meios servem para atingir os fins e que o sucesso imediato não pode nunca desconsiderar a ética e os princípios. Estes seriam, de certeza, os valores e ensinamento que daria aos jovens que pretendem lançar-se no mundo empresarial.

Objetivos para o futuro?
Sermos líderes de MPS em Portugal, conseguirmos manter este espírito de camaradagem e familiaridade dentro da empresa e a proximidade com todos os nossos clientes; sermos reconhecidos pelo mercado português como os pioneiros na implantação dos robots de serviço no nosso mercado. Queremos manter a empresa a laborar, pelo menos mais 70 anos, de uma forma saudável e sustentada e que o nome Beltrão Coelho seja associado a uma marca íntegra, sólida e de prestígio.

Respostas Rápidas
O maior risco: A conjuntura económica.
Maior erro: Aprender sempre com os mesmos, por mais pequeno que seja, e melhorar.
A melhor ideia: Todas as que trouxeram inovação para esta empresa.
A maior lição: Os ensinamentos familiares, especialmente os do meu pai, que ajudaram a formar o meu carácter.
A maior conquista: O respeito dos meus colaboradores e parceiros.

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