Um relatório da Accenture identificou dois traços que diferenciam as empresas que inovam eficazmente.

Todos os anos, pequenas e médias empresas, multinacionais e start-ups investem milhares de milhões na tentativa de trazer uma nova inovação para o mercado. Contudo, há estudos que mostram que não existe relação direta entre o dinheiro injetado nos departamentos de pesquisa e desenvolvimento e os resultados inovadores.

Um relatório da Accenture veio, mais uma vez, enfatizar esta ideia. A consultora seguiu de perto as 170 maiores empresas do mundo (com base na receita) e chegou à conclusão que o retorno dos gastos em inovação tem decrescido. Num artigo publicado na Harvard Business Review, os coordenadores do estudo indicam que parte do problema poderá vir da pressão contínua a que as empresas são sujeitas para mostrarem que conseguem trazer novas soluções disruptivas para o mercado. Segundo os autores, tal imposição leva a tomadas de decisão rápidas, que não têm estratégia por trás e que não têm uma ligação direta ao negócio.

Então como é que as empresas conseguem inovar eficazmente? Outra pesquisa da Accenture, onde foi analisado o trabalho de executivos de 840 empresas com receitas superiores a 500 milhões de dólares, chegou a duas principais conclusões sobre as raras equipas que conseguem inovar:

– Tentam resolver grandes problemas

Em vez de verem a inovação como uma meta, a abordagem deste pequeno grupo de executivos passa por utilizar a inovação como um meio para chegar a um fim: o de resolver grandes problemas.

Em oposição a estes, os inovadores menos eficazes conduzem os seus investimentos para a melhoria de serviços ou produtos já existentes.

Os executivos mais eficientes na área da inovação têm duas práticas em comum, segundo os membros da Accenture. Não só olham para os avanços tecnológicos como o potencial de criar mercados novos, como também vão ao encontro das grandes necessidades dos consumidores, como a autonomia, felicidade e ligações sociais.

É, portanto, fundamental que os líderes decisores olhem para o mercado com o objetivo de resolver grandes problemas, de criar um segmento anteriormente inexistente a partir dos avanços tecnológicos e desenvolver algo que faça parte da “lista de necessidades” do seu potencial público-alvo.

– Têm organizações com foco na inovação

As organizações mais capazes de inovar são as que têm todos os seus recursos alinhados para esse objetivo. Em oposição, mais de metade dos executivos da pesquisa da Accenture disseram que a inovação é um processo criativo feito esporadicamente por pessoas que estão distanciadas do núcleo do negócio.

Os números revelam que as empresas que partilham a estratégia de inovar junto de todos os funcionários – por mais pequenos que sejam os departamentos – conseguem um avanço de 23% em relação às que responsabilizam equipas específicas com a tarefa de inovar.

Tendo isto em consideração, é relevante que os líderes das empresas desenvolvam uma estratégia de inovação que seja transversal a todos os departamentos.

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