Quando se fala em investimento, o nome capital de risco ou só VC é hoje uma realidade. Mas nem todos têm bem presente o que significa, de onde vem o dinheiro e por aí fora.

Foi a pensar em todas as questões que surgem acerca das entidades de capital de risco, que o Tech World preparou um artigo para responder a algumas delas.

Comecemos pelas mais óbvias.

O que é uma capital de risco?

Um venture capitalist ou ‘VC’ é, simplesmente, um investidor. Investe em start-ups e empresas de grande crescimento em troca de ações, ou mais comummente, uma participação na empresa. É, de certa forma, semelhante às gestoras de fundos, mas está geralmente mais próximo e envolvido com os seus investimentos, as start-ups. Tende a especializar-se e investir numa área específica, por exemplo em setores tecnológicos, como a fintech.

O retorno do investimento é variável, mas, em média, espera-se que o dinheiro que um VC investe tenha retorno de cinco a 10 anos após o investimento inicial, através de desinvestimento (venda a outra empresa) ou tornando-se pública (IPO).

Os VC esperam que o capital que investem triplique, aproximadamente, nesse tempo. Como nem sempre os seus investimentos são bem-sucedidos, os VC esperam que, ao investirem numa variedade de empresas, estejam a diluir o risco e consigam vários sucessos para compensar os que falham.

Como funcionam os VC?

A maioria das empresas de VC têm níveis de intervenção como associado ou sócio (partner). Os associados normalmente encontram-se com as start-ups na sua fase inicial e encontram os potenciais investimentos, enquanto os sócios se envolvem quando o negócio se torna mais sério.

Um associado pode ser promovido a sócio, quando tiver gerado retornos sólidos para a empresa. Um dia típico de um VC inclui encontros com empresários, networking em eventos e procura de investimentos.

Onde os VC obtêm o dinheiro?

A maior parte do dinheiro que as empresas de VC utiliza para investir vem de uma variedade de fontes externas, como fundos de pensões, fundações sem fins lucrativos, companhias de seguros, particulares e empresas internacionais.

Os sócios de uma empresa de capital de risco normalmente também investem o seu próprio dinheiro no fundo, embora em percentagens de um dígito no total do fundo, sendo a maior parte proveniente de fontes externas.

Como investem os VC nas start-ups?

Os VC investem, tipicamente, durante a que é chamada ronda de investimento ‘Série A’. Esta é seguida alfabeticamente pelas rondas ‘Série B’ e ‘Série C’, cujos montantes vão crescendo de uma para a outra e, por vezes, envolvem um número maior de investidores em cada fase.

Antes destas, obtêm-se as rondas de financiamento semente ‘Pre A’ ou ‘Série AA’, que são os primeiros estádios de investimento, os de maior risco.

Estas rondas costumam levantar montantes inferiores aos levantados no capital de risco e incluem o investimento angel, o apoio de família/amigos e o crowdfunding. Os Business Angels têm algumas semelhanças com os VC, no entanto, geralmente trabalham sozinhos e desempenham um papel mais de aconselhamento.

Em que tipos de start-ups investem os VC?
Os VC tendem a focar-se no investimento de risco, em start-ups inovadoras com alto potencial de crescimento e, especialmente, em fundadores com uma visão em que eles confiam e acreditam que podem ter sucesso. Também investem em empresas que existem há mais tempo, mas que já têm resultados demonstráveis e estão focadas em incrementar a sua expansão. Dado que investem elevados montantes nas start-ups, é fundamental que acreditem que vai haver uma elevada taxa de retorno no caso de terem sucesso.

Os VC não revelam grande gosto por investir em empresas que não têm planos agressivos de crescimento, isto é, empresas que preferem focar-se num crescimento do negócio mais lento, mas mais regular, mais seguro.

Como decidem em que investir?

Muitos VC especializam-se em áreas específicas: tecnologia ou mesmo setores dentro da tecnologia, como segurança, tecnologia limpa ou tecnologia financeira.

Os VC, quando avaliam uma start-up, dão atenção a métricas, como aquisição de clientes, tamanho potencial do mercado, planeamento sólido, tração do produto e valor do tempo de vida do cliente. No entanto, na fase inicial, o seu foco principal estará na equipa fundadora e na sua visão para o negócio, e se estão a propor um grande produto ou um serviço de elevado potencial.

Uma boa parte do sucesso de um investimento depende de um bom relacionamento VC/fundador, em que sejam capazes de comunicar abertamente, serem flexíveis, e estarem prontos para lidar com imprevistos potencialmente negativos – o que é quase inevitável quando se lança uma empresa.

Que mais podem as start-ups receber dos VC além do capital?

Apesar do foco principal tender a ser o capital que os VC injetam nas start-ups, normalmente vai muito além do dinheiro. Estes podem atuar como um balizador das ideias do fundador ou equipa fundadora, oferecer aconselhamento e proporcionar acesso à sua rede de contactos, entre outras vantagens. Muitos deles criaram a sua própria empresa e/ou trabalharam no mundo da tecnologia ou do investimento, tendo inestimáveis agendas de contactos, assim como experiência pessoal.

Como nos podemos tornar um VC?

Não há uma única forma, um caminho claro para se tornar VC, embora todos pareçam retirar um elevado nível de satisfação do seu trabalho.

Alguns VC passaram por business schools ou então pela banca de investimento, outros criaram e venderam as suas próprias start-ups, enquanto outros provêm de fundos mais corporativos. Muitos foram empresários e veem na atividade uma forma de continuarem ligados ao mundo das start-ups sem criarem um novo negócio. Também é muito comum os VC terem sido anteriormente business angel, que ‘apanharam o bichinho’ do investimento em start-ups e decidiram tornar isso numa parte mais formal da sua carreira.

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