No passado mês de janeiro foi publicado o Índice de Qualidade de Vida na União Europeia – European Quality of Life Survey  (EQLS) [1].

Para a edição de 2016 foram entrevistados cidadãos de 33 países europeus. Os 28 Estados Membros foram inquiridos entre setembro de 2016 e fevereiro de 2017. Na Albânia, Macedónia, Turquia, Montenegro e Sérvia as entrevistas decorreram entre novembro de 2016 e março de 2017. No total, os inquéritos abrangeram cerca de 37 mil pessoas.

É a quarta vez que se realiza este Índice. A primeira edição ocorreu em 2003, a segunda em 2007, seguindo-se a edição de 2011 que antecedeu a atual.

No geral, os resultados são melhores que os de 2011 o que é em si mesmo uma excelente notícia e que se explica por estarmos a sair da crise económica que se instalou no continente europeu.

Destacam-se melhorias em três grandes áreas – qualidade de vida, qualidade da sociedade e qualidade dos serviços públicos.

Os portugueses estão claramente mais otimistas mas a resiliência ainda não está no nível desejável, bem como a esperança num futuro melhor em que a diferença entre a perceção das crianças e dos adultos é notória.

O nível de vida subiu consideravelmente quando comparado com as edições anteriores, mas ainda há uma grande lacuna no acesso à saúde, em que os portugueses são dos que mais adiam a visita ao médico e no acesso a uma habitação de qualidade. Preocupa, igualmente, o nível de partilha das responsabilidades domésticas no seio do agregado familiar, assim como, a efetiva conciliação entre a vida familiar e o trabalho.

A necessidade de haver uma aposta na qualidade, nas suas múltiplas dimensões, é transversal a todos os países, bem como a todos os setores de atividade, e terá impacto imediato nos dois géneros e em todos os grupos etários. Assim, todos os atores sociais devem ser engajados para que se consiga envolver a maioria da população.

A única forma que Portugal e os restantes Estados Membros têm de melhorar os respetivos Índices é terem políticas públicas totalmente assentes no Pilar Europeu dos Direitos Sociais [2] – European Pillar of Social Rights [3] – que foi proclamado na Cimeira Social em Gotemburgo, em novembro de 2017, e prevê 20 princípios e direitos sociais e laborais fundamentais para se conseguir ter um mercado de trabalho onde impere o trabalho digno e onde os sistemas de proteção social sejam eficazes.

Empreender pela Qualidade tem que ser um imperativo nacional e deve estar englobado nos direitos cívicos pois se deixarmos de ter qualidade de vida, automaticamente deixaremos de poder gozar os direitos cívicos na sua plenitude e haverá um atropelo aos Direitos, Liberdades e Garantias.

[1] https://www.eurofound.europa.eu/sites/default/files/ef_publication/field_ef_document/ef1733en.pdf

[2] http://ec.europa.eu/social/main.jsp?catId=1226&langId=pt

[3] https://ec.europa.eu/commission/sites/beta-political/files/social-summit-european-pillar-social-rights-booklet_en.pdf

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Sobre o autor

Teresa Damásio

Teresa Damásio é Administradora Delegada do Grupo Ensinus desde julho de 2016, constituído por Instituições de Ensino Superior, o ISG, por Escolas Profissionais, o INETE, A Escola de Comércio de Lisboa e a Escola de Comércio do Porto, a EPET,... Ler Mais