O medo[1] muitas vezes impede-nos de fazer coisas e funciona como um inibidor da nossa ação, mas a contrario sensu também funciona como propulsor de novas ideias e gerador de decisões para problemas que aparentemente não têm solução.

Temos vários episódios da nossa história moderna em que o medo, como estado emocional que é, faz com que o ser humano desencadeie os mecanismos físicos que levam em muitas situações ao confronto e a procurar mecanismos que resultem na resolução imediata da situação que provoca esta emoção.

Naturalmente, que há situações em que o medo ultrapassa a resposta física e condiciona a pessoa do ponto de vista psicológico, mas aqui o que nos interessa é analisar de que forma é que é relevante ou não empreender no medo, o que é que isso significa na realidade e qual o benefício que tem tido para a humanidade em geral e para o mundo dos negócios em particular.

Já aqui escrevemos, por diversas vezes[2], que são vários as emoções e os factos objetivos que moldam a vontade do empreendedor. No entanto, estamos habituados a analisar e a caracterizar o empreendedor com base nas suas competências intrínsecas ao desenvolvimento desta arte[3] mas, efetivamente, os fatores externos são determinantes e, igualmente, relevantes para a arquitetura da respetiva vontade.

Regra geral, o medo é percecionado como não sendo gerador de nada de positivo. Sendo assim, para o empreendedor, pessoa que tem na sua vontade, garra e determinação o ADN do sucesso, seria uma emoção a nunca ter em consideração, mas se analisarmos a “guerra” que está instalada neste momento em Portugal entre os táxis e a Uber percebemos que o medo que estes últimos têm de serem agredidos e de verem os respetivos carros destruídos só tem feito com que fortaleçam a vontade de continuarem com o negócio.

Ao contrário do que possamos pensar, empreender no medo pode, por vezes, gerar ideias de negócio relevantes para o futuro da vida humana. Veja-se, a título de exemplo, tudo o que tem sido feito no domínio da investigação científica no que diz respeito a tornar viável a vida fora do planeta Terra em virtude do medo que o nosso planeta se torne inabitável.

Assim, empreender no medo tem sido em muitas áreas positivo e fundamental para a nossa continuidade!

Como em tudo o que interessa, é a perspetiva com que interpretamos os conceitos e a forma como olhamos para o mundo à nossa volta que conta!

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[1] me·do |ê| (latim metus, -us) substantivo masculino
Estado emocional resultante da consciência de perigo ou de ameaça, reais, hipotéticos ou imaginários. = FOBIA, PAVOR, TERROR 2. Ausência de coragem (ex.: medo de atravessar a ponte). = RECEIO, TEMOR ≠ DESTEMOR, INTREPIDEZ 3. Preocupação com determinado facto ou com determinada possibilidade (ex.: tenho medo de me atrasar). = APREENSÃO, RECEIO 4. [Popular] Alma do outro mundo. = FANTASMA “medo”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. https://dicionario.priberam.org/medo
[2] http://linktoleaders.com/empreender-na-humildade
[3] http://linktoleaders.com/a-arte-de-empreender

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Sobre o autor

Teresa Damásio

Teresa Damásio é Administradora Delegada do Grupo Ensinus desde julho de 2016, constituído por Instituições de Ensino Superior, o ISG, por Escolas Profissionais, o INETE, A Escola de Comércio de Lisboa e a Escola de Comércio do Porto, a EPET,... Ler Mais