Dizem que os empreendedores são arrogantes e que estão habituados a serem o centro do mundo e a verem e interpretarem tudo de acordo com a sua própria perspetiva e visão. Nada mais errado.

O empreendedor é humilde e sabe que a única forma de ter sucesso é aprender a ver o mundo pelos olhos dos outros. Ou seja, não é deixar de ser autêntico nem genuíno no que aos valores dos negócios dizem respeito e à sua visão para o mundo. Antes, é permitir que os outros, os clientes, os investidores, os stakeholders em geral, se revejam no seu negócio e isso tenha acontecido porque o empreendedor teve a capacidade ímpar de sair de si próprio e deixar que o seu negócio também seja a voz do outro e reflita as suas aspirações e anseios.

A humildade traz ao empreendedor a força para começar e recomeçar as vezes que sejam necessárias. Ao ser humilde o empreendedor tem a plena noção das suas próprias limitações e sabe assumir as suas responsabilidades sem qualquer tipo de sobranceria, assim como crê que todos têm a mesma dignidade e devem ser tratados de forma equitativa e serem todos merecedores de respeito. Em suma, ao empreender na humildade há o respeito pelos Direitos Humanos em todos os seus domínios e, como sabemos, ninguém pode ter uma ideia de negócio e executar o respetivo plano sem o cabal cumprimento dos mesmos plasmados na sua Declaração Universal[1], adotada pela Organização das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948.

No capítulo III do seu novo livro “21 lessons for the 21st Century”,  Yuval Noah Harari[2] fala-nos do poder da humildade[3], analisando-a do ponto de vista das várias religiões e que a maior parte das pessoas tendem a posicionar-se como o centro do mundo, o que tem sido provado pelos acontecimentos históricos ao longo dos séculos como sendo errado, e que é fundamental que saibamos deixar de ser egocêntricos.

Ora, aquilo que se pretende do empreendedor é que seja efetivamente capaz de promover a mudança. Por isso, é que entre as caraterísticas que damos a quem empreende, a inovação, a criatividade, o carácter disruptivo e o risco fazem parte intrínseca do respetivo ADN. No entanto, tanto o estudo empírico como a análise factual do comportamento do empreendedor diz-nos que ser humilde é condição sine qua non para ter sucesso e ser apreciado e vangloriado pela comunidade.

Empreender pela humildade compreende, como já referimos, antes de tudo o respeito pelo outro e pela sociedade em geral.

O sucesso inalienável de qualquer empreendedor só existe porque soube empreender pela humildade. Como sabemos dos arrogantes não reza a história!

[*] hu·mil·da·de (latim humilitas, -atis, pequenez, modéstia). substantivo feminino. 1. Qualidade de humilde. 2. Capacidade de reconhecer os próprios erros, defeitos ou limitações. = MODÉSTIA ≠ ALTIVEZ, ARROGÂNCIA, ORGULHO. 3. Sentimento de inferioridade. = REBAIXAMENTO. 4. Demonstração de respeito, submissão. = DEFERÊNCIA, REVERÊNCIA ≠ DESRESPEITO. 5. Ausência de luxo ou sofisticação. = SIMPLICIDADE, SOBRIEDADE ≠ OSTENTAÇÃO. 6. Pobreza, penúria.

“humildade”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa https://www.priberam.pt/dlpo/humildade

[1] https://www.unric.org/pt/sabia-que/32368-onde-foi-adotada-a-declaracao-universal-dos-direitos-humanos

[2] http://www.ynharari.com/book/21-lessons/

[3] Em inglês humility tem um significado semelhante aquele que tem para a língua portuguesa – Definition of humility : freedom from pride or arrogance : the quality or state of being humble accepted the honor with humility The ordeal taught her humility. In: https://www.merriam-webster.com/dictionary/humility

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Sobre o autor

Teresa Damásio

Teresa Damásio é Administradora Delegada do Grupo Ensinus desde julho de 2016, constituído por Instituições de Ensino Superior, o ISG, por Escolas Profissionais, o INETE, A Escola de Comércio de Lisboa e a Escola de Comércio do Porto, a EPET,... Ler Mais