Empreender e inovar não são modas, irreverência ou mesmo uma forma de estar na vida, mas premissas-chave de sobrevivência num mundo em permanente mudança. No Turismo, que é multifacetado, transversal e que se insere numa economia global, essas premissas ganham ainda mais sentido.

O Turismo, enquanto atividade pluridisciplinar, exige vários «saberes» e, neste domínio, o turismo português tem tido a capacidade de atrair talentos das mais diversas áreas de conhecimento: engenharia, história, tecnologias, arquitetura, entre outras, que têm contribuindo para o empreendedorismo e inovação no turismo.

Iniciativa, versatilidade, espírito inventivo e atento às tendências do mercado, criatividade na implementação de novos negócios ou em alterações aos modelos de negócios já existentes, podem ser condensados num só conceito: empreendedorismo.

No turismo, a procura é muito elástica e a oferta, como é mais rígida, nem sempre tem a agilidade suficiente para acompanhar a procura que segue tendências e é influenciada por vários fatores.

Desde logo, o perfil do turista mudou. Hoje o turista é mais informado, é mais exigente e está mais sensibilizado para práticas de proteção ambiental. Procura experiências personalizadas, autênticas, procura fazer parte da comunidade/destino e contribuir para o seu desenvolvimento (turista-cidadão).

A resposta que é preciso dar a estas mudanças chama-se inovação. Inovação é fazer melhor, melhor que os nossos concorrentes e melhor do que já fizemos, representando um constante desafio de superação e teste de limites quase diário.

Além do empreendedorismo e de pequenas inovações incrementais, existem aquelas que são disruptivas, que criam novos paradigmas, que chegam primeiro e que conseguem facilmente explorar e competir em ambiente blue ocean – modelos de negócio ainda não explorados – ao invés de red ocean – modelos de negócio tradicionais, em que é difícil competir e a única forma de o fazer será via preço – através da inovação do modelo de negócio e com a consequente criação de valor acrescentado. A existência de um ambiente que inspire e desafie jovens investidores e empresários para a exploração de oceanos azuis, é de especial importância.

Portugal tem hoje um ambiente propício à consolidação de um ecossistema empreendedor e inovador no turismo.

Portugal e as start-ups portuguesas já demonstraram o seu potencial, com créditos firmados e boa reputação, interna e externamente, sendo exemplo desse reconhecimento, a escolha de Lisboa para a realização do Web Summit de 2016 a 2018.

Mas inovar e empreender em Turismo não se limita ao surgimento de start-ups, mas sim a um contínuo melhoramento das empresas já existentes, seja através do alargamento e da qualificação da sua oferta, seja através de ofertas mais personalizadas, inovadoras e com capacidade de surpreender e fazer diferente.

O empreendedorismo e a inovação são para o Turismo, simultaneamente, uma oportunidade e uma responsabilidade. Oportunidade, no sentido em que existe um ambiente favorável e recetivo àquelas atividades: mobilização de organizações, empresas e centros de investigação; existência de espaços livres de reflexão e estímulo ao empreendedorismo e à inovação (de que é exemplo a plataforma Link to Leaders); o apoio à internacionalização de start-ups do turismo; incentivos financeiros nacionais e comunitários (como os sistemas de incentivos do Portugal 2020 para a Inovação/ Empreendedorismo); linha de crédito com condições especiais para o empreendedorismo no turismo; e instrumentos comunitários direcionados para um «novo» tipo de empreendedorismo que associa a riqueza gerada ao seu contributo para o ambiente ou para a sociedade, aliando criação de riqueza ao combate das assimetrias sociais – fundos europeus para o empreendedorismo social.

É também uma responsabilidade, tendo em conta o efeito catalisador e multiplicador que o Turismo tem na economia e o seu cariz multissetorial. De facto, fazer as apostas certas no Turismo pode significar criação de valor, de riqueza e de emprego. Pode significar uma forma de unir a economia em torno de um combate efetivo das alterações climáticas, na adoção de boas práticas de sustentabilidade, na regeneração urbana e na melhoria da vida das pessoas: dos residentes, dos profissionais e dos visitantes.

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Sobre o autor

Nuno Fazenda

Nuno Fazenda é doutorado pelo Instituto Superior Técnico em Planeamento Regional e Urbano (área do Turismo), Mestre pela Universidade de Aveiro em Gestão e Políticas Ambientais e Licenciado em Turismo pela Universidade do Algarve, tendo desenvolvido o 2º ano na University of Wales Cardiff. Com vários anos de experiência profissional na área do turismo (no sector público e privado) foi na CCDRN o Perito-Coordenador responsável pela Agenda Regional de Turismo... Ler Mais