A ideia foi passada por Jim Yong Kim, presidente do Grupo Banco Mundial, que garante que uma das maneiras de acabar com a pobreza é aumentar o estatuto das mulheres empreendedoras.

Jim Yong Kim, presidente do Grupo Banco Mundial (World Bank Group – WBG) referiu, num artigo publicado na publicação norte-americana INC, que o empreendedorismo feminino pode ser a grande solução para acabar com a pobreza em alguns países.

O presidente da organização usou o exemplo de Kany Mufuta, uma cidadã da República Democrática do Congo, que tem um pequeno negócio financiado em parte pelo Grupo Banco Mundial (WBG), para expor a sua tese sobre o assunto.

Mufuta produz farinha a partir de raízes de mandioca. A procura pelo produto tem crescido abruptamente, mas a empreendedora do Congo não tem recursos para comprar o equipamento necessário para expandir a produção. O financiamento conseguido pelo WBG não é suficiente para o efeito pretendido e, quando Mufuta procurou empréstimos em instituições bancárias, rapidamente descobriu que os juros eram bastante altos.

Este é um dos entraves ao crescimento do empreendedorismo e ao desenvolvimento económico dos chamados países de terceiro mundo. Se Kany conseguisse um empréstimo com taxas razoáveis conseguiria abranger um mercado mais amplo e dar resposta à procura do seu produto. Mais, se a expansão do pequeno negócio fosse para a frente, seriam criados novos postos de trabalho e riqueza, num país onde se estima que o PIB per capita, em 2017, seja de perto de 400 euros.

Atualmente, cerca de 30% de todos os negócios são controlados por mulheres. Segundo o presidento do WBG, é preciso aumentar significativamente este número, visto que os projetos criados por mulheres criam emprego e, por consequência, vão ao encontro do objetivo da organização, que passa por acabar com a pobreza extrema.

Aumentar este número não é fácil. A razão para esta afirmação prende-se com o facto de, em muitos países, as mulheres ainda terem de obedecer a normas sociais e leis que não lhes permitem serem proprietárias de estabelecimentos comerciais ou de trabalharem sem a autorização do seu companheiro.

Mas, segundo Jim Yong Kim, o desafio é global. Muitas mulheres, mesmo em países desenvolvidos, não têm acesso a capital financeiro ou a redes profissionais que são fulcrais para serem bem-sucedidas.

O WBG está a tentar diminuir este tipo de desafios e as lições aprendidas em alguns países podem ser passadas para muitos outros. Parte desta iniciativa passa por criar programas que apoiem as mulheres na criação de negócios, e de redes de contacto, que possam aumentar o potencial de sucesso.

O Brasil é um bom exemplo do empoderamento do empreendedorismo feminino. Aqui as mulheres superaram os homens na criação de novos negócios. Os dados são do Global Entrepreneurship Monitor 2016, que revela que as mulheres empreendem mais frequentemente por necessidade do que os homens. No grupo feminino, 48% das inquiridas afirmaram ter recorrido ao empreendedorismo porque precisaram. Já no grupo masculino essa percentagem foi de 37%.

Este estudo concluiu ainda que, em tempos de crise, o empreendedorismo é uma alternativa para vários brasileiros que perderam o emprego ou procuram uma fonte de rendimento adicional.

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