A metodologia de produção da Toyota é vista como uma das mais inovadoras do mercado automóvel, mas o CEO da Tesla tem a certeza de que vai ultrapassar a marca nipónica.

Pouco tempo depois de lançar um Tesla para o espaço como uma das jogadas publicitárias mais audazes de sempre, Elon Musk disse aos analistas de investimento que a Tesla vai ultrapassar a Toyota no que toca ao lean manufacturing.

Esta é, no mínimo, uma afirmação arrojada, visto que o lean manufacturing foi introduzido pela marca japonesa, de forma a aumentar a qualidade total imediata, minimizar os desperdícios, melhorar continuamente o processo e aumentar a flexibilidade.

Será esta mais uma jogada de marketing de Musk? Tudo indica que o CEO da Tesla acredita piamente que vai conseguir ultrapassar a Toyota, mesmo que os dados relativos à produção do Model 3 – o primeiro carro da marca norte-americana a ser construído em massa – estejam pelas ruas da amargura.

Citado pela Forbes, o visionário realça que “a força da competitividade a longo termo da Tesla não vão ser os carros, mas sim a fábrica”. A ideia é que a simplificação do design dos carros, para os tornar mais fáceis de produzir, e a instalação de mais robots nas linhas de montagem, vai tornar possível construir um milhão de carros por ano numa única fábrica.

Em comparação, estes números são quatro vezes maiores do que uma fábrica de montagem normal e ainda maiores do que a linha de montagem mais movimentada do mundo, em Wolfsburg, na Alemanha, e que pertence à Volkswagen.

Questionado sobre a “sanidade mental” do CEO da Tesla, o autor do livro “The Toyota Way”, Jeffrey Liker, explicou à Forbes que “se ele instalasse todo este equipamento robótico para implementar a sua visão ia culminar num desastre”. No entanto, Liker acredita que este problema nunca vai acontecer, visto que as “pessoas inteligentes que o rodeiam vão descobrir que estas ideias não funcionam”.

Mas no meio de todo este entusiasmo é apontado um erro a Musk. O objetivo do líder da Tesla é conseguir fabricar um milhão de carros do próximo modelo, o Y. O problema é o facto de ignorar a procura dos consumidores que, entretanto, já se podem ter virado para outras marcas (como o clone chinês da Tesla) que conseguem garantir a entrega dos seus carros a tempo e horas.

Mais: enquanto que a ideia de eficiência de produção da Tesla passa por produzir mais e mais rápido, o conceito da Toyota sobre este tema passa por aumentar a flexibilidade e responder às mudanças que acontecem no mercado. Em vez de se fiarem na rapidez de produção, o ritual da marca japonesa passa agora por construir 200 mil unidades por ano, o que se traduz em 20% daquilo que Musk quer atingir.

Independentemente da sua concorrência, o líder da marca de carros elétricos mais conceituados do mundo acredita que os grandes players da “indústria automóvel pensam que são muitos bons no fabrico e, na verdade, são realmente bons, mas não se apercebem do potencial que existe para melhorar. É bem maior do que eles pensam”.

 

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