Elon Musk acredita que a inteligência artificial pode resultar em situações perigosas e que os governos devem introduzir um programa universal de rendimento básico, a fim de compensar a automatização.

Elon Musk partilhou no World Government Summit, que decorreu de 11 a 13 de fevereiro no Dubai, o que pensa sobre o Rendimento Básico Universal (UBI – Universal Basic Income, na sigla em inglês).

No evento, Musk teve a oportunidade de falar sobre o futuro e os desafios que o mundo enfrentará nos próximos 100 anos – incluindo a inteligência artificial (AI), a automação e a substituição do trabalho humano que daí advirá, avança o site Futurism.

Quando questionado sobre os desafios que a civilização deverá enfrentar no futuro próximo, Musk começou por salientar a ameaça da inteligência artificial que ultrapassa a humanidade.

Segundo o dono da Tesla Motors, “a inteligência artificial profunda, ou inteligência artificial geral, onde podemos ter inteligência artificial muito superior à do ser humano mais inteligente da Terra, é uma situação perigosa”.

Por isso, alertou para a importância de avançar na AI com cautela: “Acho que precisamos de ter muito cuidado com a forma como adotamos a inteligência artificial e que devemos certificarmo-nos de que os investigadores não se deixem levar pelo entusiasmo. Por vezes, o um cientista fica tão absorvido no seu trabalho que não se apercebe, realmente, das implicações do que está a fazer”.

Musk também se mostrou preocupado com o impacto que a tecnologia automática terá sobre o emprego, referindo que, provavelmente, teremos em breve uma automatização inteligente, em grande escala para os transportes, concretamente.”Vinte anos é um curto período de tempo para ter algo como 12-15% da força de trabalho desempregada”, disse, destacando como a automatização irá revolucionar especificamente o transporte automóvel.

No entanto, a mudança provocada pela automatização não se limita ao setor dos transportes, indo também afetar uma série de outras indústrias. Musk argumenta que os governos devem introduzir um programa UBI, a fim de compensar esse facto.

Programas-piloto de Rendimento Básico Universal

Que sentido tirarão as pessoas da vida? Muitas pessoas obtêm sentido para a sua vida através do trabalho. Se deixarem de ser necessárias, o que sentirão estas? Sentir-se-ão inúteis? Esse será um problema muito mais difícil de resolver. Como garantir que o futuro é o futuro que queremos, aquele que ainda desejamos?

À medida que a discussão sobre a UBI continua, são já várias as nações e instituições que já iniciaram os seus próprios programas-piloto para testarem o modelo.

A Finlândia, por exemplo, iniciou este ano um programa pioneiro de UBI, com o lançamento de uma instituição governamental de segurança social, a Kela. Esta vai atribuir 560 euros líquidos por mês a 2.000 finlandeses selecionados aleatoriamente. Também a empresa de investimento filantrópico de Pierre Omidyar, fundador do eBay, doou 493 mil dólares (cerca de 465 mil euros) para ajudar a financiar um programa de rendimento básico universal no Quénia.

Dentro de dois anos, ou talvez menos, poderão existir dados suficientes, a partir dessas experiências, para que possamos considerar o UBI como uma solução verdadeiramente eficaz e aferir se Musk está ou não certo no seu ponto de vista.

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