Os últimos meses foram essenciais para a evolução do ecossistema de start-ups brasileiro. A entrada em bolsa de várias empresas e a ascendência ao estatuto de unicórnio antecipam um 2019 ainda mais brilhante.

Há precisamente um ano corriam os primeiros boatos sobre a criação do primeiro unicórnio brasileiro. A notícia só foi revelada no início de janeiro de 2018, altura em que a gigante da mobilidade chinesa Didi Chuxing assumiu o controlo da 99 (aplicação mobile inserida no mercado da mobilidade), tornando-a uma empresa com uma avaliação superior a mil milhões de dólares (880M€). Tinha, assim, nascido o primeiro unicórnio brasileiro.

Ainda o mês de janeiro não tinha terminado e surgia outra boa notícia para o ecossistema. A PagSeguro, fintech paulista, criada em 2006, que vende máquinas para pagamentos com cartão, inscreveu-se para levar a cabo um IPO (initial public offering). Na altura, a Bloomberg noticiava que este era o “NYSE’s Biggest IPO Since Snap is 2.3 Billion for Brazil Fintech”. A start-up chegou a ser avaliada em oito mil milhões de euros no primeiro dia de trocas, mas o valor acabou por descer e a sua capitalização de mercado está atualmente fixada nos 6.1 mil milhões de euros. O processo abriu caminho para a entrada em bolsa de outros projetos da mesma envergadura, como a Stone e a Arco Educação.

Depois da 99 se ter tornado unicórnio seguiu-se a Stone, a Movile, a iFood e o Nubank, este último eleito pela Fast Company como uma das start-ups mais inovadoras da América Latina. A acrescentar a estes projetos temos a Loggi, que apesar de não ter atingido o estatuto das anteriores, recebeu um investimento de 88 milhões de euros do Softbank Vision Fund – um dos maiores fundos de investimento do mundo. Os últimos 12 meses foram bastante positivos para o ecossistema brasileiro e surgiram várias iniciativas para continuar a tendência positiva que vive na área do empreendedorismo.

A entrada da aceleradora portuguesa Fábrica de Startups no Brasil, que agora ocupa um andar com 3.700 metros quadrados num edifício carioca, é apenas uma das iniciativas efetuadas pelos players brasileiros para tornar o país numa nação de start-ups.

Após a aceleradora criada por António Lucena de Faria ter aterrado no Brasil foi inaugurado, em São Paulo, o inovaBra Habitat, um prédio de dez andares, e 22 mil metros quadrados, que se posiciona como um centro de coinovação entre grandes tecnológicas, start-ups, investidores, consultores e universidades.
O Cubo, outra iniciativa do mesmo género, surgiu da mesma lógica: um espaço de 14 andares e 20 mil metros quadrados onde grandes corporações de diferentes setores se podem conectar facilmente com os fundadores de projetos inovadores. Em conjunto, estes três últimos espaços têm capacidade para incubar 530 start-ups.

O ano ainda não acabou, e podem surgir novas notícias positivas para o empreendedorismo brasileiro. Aliás,  avizinha-se um 2019 com vários candidatos ao estatuto de unicórnio: GuiaBolso, PSafe, VivaReal, TruckPad, Contabilizei, Quinto Andar e Loggi são apenas sete projetos que podem ascender a este patamar.

Comentários

Sobre o autor