Tenho de confessar que não sou um digital networker frequente. Uso pouco as redes sociais profissionais para estabelecer contactos com novas pessoas e tomo o LinkedIn apenas como o cartão de visita dos dias de hoje.

Apesar de, nos últimos tempos, o começar a fazer de forma mais eficiente, para promover conteúdos sobre aquilo que vou sabendo, mais em profundidade.

Vou recebendo inúmeros pedidos de ligação de pessoas que não conheço e que aceito, porque tenho como máxima de vida profissional falar com todos os que comigo querem falar… Mas 95% das pessoas que me pedem ligação, não dizem nada a seguir… Ou seja, parecem não ter qualquer estratégia para esse pedido de ligação. O paralelo que faço seria, mais ou menos, alguém vir ter connosco num evento, dar-nos um cartão de visita sem nos cumprimentar e ir-se embora. Não parece fazer nenhum sentido, mas é assim que quase todos fazem…

Ou seja, após a aceitação que faço do pedido de ligação, não existe nenhum contacto adicional, nem solicitação de coisa alguma, nem oferta de ajuda, nem de criação de conteúdo… nada. É apenas mais um pedido de ligação. E confesso que estranho, por defeito, qualquer ação sem estratégia… E, em especial, sem um contacto, sem follow-up

Entendo o LinkedIn como uma plataforma que dá algumas garantias de credibilidade e de análise rápida do percurso profissional de uma pessoa, dizendo à nossa rede, ou a quem vê o nosso perfil, quais são as nossas capacidades e saber. E, claro, também ter uma lista de contactos otimizada que organiza a nossa rede, as nossas recomendações e os conteúdos profissionais que formos publicando.

Imagino, em primeiro lugar, que, quando alguém pede ligação a alguém numa rede profissional, o objetivo não seja colecionar ligações… Em especial porque uma rede de grande dimensão serve para pouco. Até porque deixamos de ter memória de quem é cada pessoa e para que serve. Vejo até alguns perfis que anunciam (10k+, 5k+), indicando que têm redes de mais de cinco ou dez mil pessoas, mas para quê? Passar dias a fio a enviar “pedidos de ligação” não me parece ser um desporto muito eficaz…

Claro que cada um poderia explorar a sua capacidade de criação de conteúdos sobre a sua especialidade e saber promovê-los através das ligações que tem. Mas poucos o fazem. Ou seja, a rede que vão construindo com pedidos de ligação permanente, serve para pouco mais do que ter muitas ligações.

No entanto, talvez o número de ligações possa ser um caminho interessante. Devemos lembrar-nos de que ser especialista é conseguido pelo desenvolvimento de conteúdo com saber profundo e novo, sobre aquilo que nos diferencia e esse é um dos principais caminhos de crescimento profissional. O uso do LinkedIn, como base de propagação desses conteúdos e desse conhecimento, é algo onde uma rede grande pode fazer muita diferença, pois o “reach orgânico” é ainda elevado.

Parece-me assim que, além da rede que temos e do nosso percurso, o que verdadeiramente nos diferencia é como conseguimos passar a escrito o nosso raciocínio, intelecto e saber. Esses artigos e a sua produção são o que verdadeiramente nos diferencia e o valor que damos de volta à rede que nos rodeia. Nas redes sociais, como sempre foi, especialistas são aqueles que publicam um tweet, um post, um artigo, um capítulo, um livro…

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Sobre o autor

Pedro Janela

Pedro Janela é CEO e cofundador do WYgroup (www.wygroup.net), o maior grupo de capitais nacionais dedicado ao marketing digital, publicidade e design, conta com mais de 230 colaboradores e 11 agências em operação e que fatura 12 milhões de euros,... Ler Mais