Reunir com investidores não é um processo simples e vem normalmente acompanhado de uma muito reduzida taxa de sucesso. Trazemos-lhe dicas de sete venture capitals mundiais para que não arruíne a sua próxima negociação.

Nos dias que correm, recorrer a capital de risco faz parte das necessidades de quase todas as start-ups para conseguirem crescer e competirem no mercado global, mas são poucas as que o conseguem.

“Mesmo que esteja em bootstrapping com a sua start-up irá necessitar a dada altura de levantar algum capital, o que pode vir acompanhado de uma decisiva reunião com um VC [Venture Capital]. Esta pode ser avassaladora e geradora de elevado stress, principalmente se for a primeira vez que tem de pedir dinheiro”, refere John Rampton, empreendedor e investidor norte-americano, citado pelo Entrepreneur.

Rampton reuniu dicas de sete VC mundiais que acredita serem capazes de o ajudarem a estar mais confiante na próxima entrevista com um investidor.

1. Bill Gurley, Benchmark Capital

“Eu e os meus sócios temos notado uma interessante tendência nos últimos anos: um número crescente de empreendedores preferem fazer os seus pitch sem recorrerem a uma apresentação”, partilhou Bill Gurley, que investiu na GrubHub, na OpenTable e na Zillow.

“Por outro lado, isto é totalmente compreensível. Muitos acreditam que o PowerPoint representa o tipo de burocracia menosprezada na banda desenhada de Dilbert. Outros procuram parecer simples e comunicadores e veem as apresentações como algo muito formal. Mas eliminar totalmente um apoio pode ser uma jogada de risco e eis porquê. Os investidores não estão apenas a avaliar a história da sua empresa. Também estão a avaliar as suas capacidades para contar essa história. Comunicar eficientemente a sua estratégia, modelo de negócio e diferenciação competitiva é critico em muitas das coisas que fará enquanto empresa”, explica.

2. Chris Sacca, Lowercase Capital

Num episódio do “This American Life”, Chris Sacca, que investiu no Twitter, na Uber, no Instagram e no Kickstarter, referiu ao produtor Alex Blumberg que este tinha de encurtar o seu pitch. Blumberg na altura faturava através de publicidade e de conteúdo pago.

Quando questionado sobre quanto dinheiro precisava, Blumberg respondeu “bem, penso que vou precisar talvez de um milhão e meio de dólares? E de…”.

Chris Sacca respondeu-lhe: “Retira o «penso que»”.

Alex Blumberg: “Vai ser preciso um milhão e meio – pretendo um milhão e meio a dois milhões de dólares de financiamento semente”.

Chris Sacca:” Não, não. O que pretendes é uma quantia específica de dinheiro”.

3. Jeff Jordan, Andreessen Horowitz

“Todos os bons fundadores conseguem contar uma grande história”, diz Jeff Jordan. “É uma das competências-chave de um fundador, o conseguir levar as pessoas a acreditar”.

O ex-CEO do OpenTable e investidor do Airbnb, Instacart, Pinterest e OfferUp referiu que Brian Chesky, do Airbnb, é um comunicador e contador de histórias excecional e que consegue meter “a empresa inteira a rir e a chorar em cinco minutos”.

Apenas um comunicador eficiente e um verdadeiro contador de histórias consegue persuadir os investidores a juntarem-se ao barco, recorrendo apenas ao seu produto, visão e sonho.

4. Fred Wilson, Union Square Ventures

“Envolva as pessoas na conversa o mais depressa que conseguir”, referiu Fred Wilson, que investiu no Twitter e no Etsy. Se pretende ser um bom contador de histórias, “seguir por um enquadramento muito extenso sobre o seu percurso é uma ideia muito má. Por exemplo, não é uma boa estratégia começar por referir que “licenciei-me em 1972″… e só 20 minutos depois falar do que é realmente importante”.

“Como muitas coisas na vida, menos é mais quando se trata de slides para angariação de capital. Pode explicar o seu negócio com detalhes sem importância ou pode inspirar o investidor e deixá-lo a imaginar. Adivinhe qual funciona melhor?”, perguntou Wilson.

5. Peter Fenton, Benchmark Capital

“Na vida de uma jovem empresa é imperativo manter o foco – penso que muitas das nossas empresas acabam mais por falta de foco do que por qualquer outro erro. Uma coisa que me preocupa, e que detetei nos últimos dois anos, é a perceção de que hoje as rondas de investimento inicial são mais fáceis por haver exemplos mais positivos do que havia, digamos que em 2003 e 2004. Acho que se está a perder a ideia de que se deverá vencer numa determinada área antes de se expandir horizontes”, referiu Peter Fenton, que investiu na New Relic, na Quip, no Twitter e na Zendesk, segundo a Bloomberg.

“As pessoas do capital de risco querem apoiar grandes ideias e grandes mercados que darão origem a grandes empresas, mas quando olhamos para trás para os grandes vencedores, estes começaram habitualmente com muito pouco capital e com ofertas muito focadas. Isto é particularmente verdade no campo da internet: a Google (GOOG) começou como pesquisa classificada por página, o Yahoo! (YHOO) estava muito focado no diretório da Web e o eBay estava realmente a vencer na área dos colecionáveis. Estes focaram-se apenas numa coisa que fizeram extraordinariamente bem, melhor do que qualquer outro no mundo. Quando se tem dinheiro é mais provável que se contrate um maior número pessoas capazes de fazer mais coisas e de assim mascarar o facto de não se estar a ser bem-sucedido no negócio central da organização. É preciso respirar antes de ir mais fundo”, diz.

6. Josh Kopelman, First Round Capital

“Tenha um plano e um orçamento muito claro para a sua ronda de financiamento semente. Perceba os pontos-chave que tem de alcançar numa ronda A e garanta que tem espaço suficiente para lá chegar”, recomendou Josh Kopelman, que investiu na Bazaarvoice e no OnDeck Capital.

7. Steve Anderson, Baseline Ventures

“Quais são os objetivos para as [rondas de acompanhamento]do financiamento?”, questiona Steve Anderson, que investiu nos estádios iniciais do Instagram e do Twitter, em entrevista à VentureAPP.

“No geral, a maioria dos meus investimentos são em versões beta de produtos a serem lançados no mercado, são apenas uma ideia. Por isso, conseguir que o produto encaixe no mercado é o objetivo mais importante desta ronda. O meu, enquanto investidor, é garantir que existe financiamento suficiente para dar tempo à empresa para o conseguir, entre um ano a um ano e meio. O pior cenário possível é tentar levantar dinheiro quando ainda não se atingiu esse objetivo”.

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