O financiamento do empreendedorismo pelos três efes (family, friends and fools) é importante, mas insuficiente para a criação e desenvolvimento de start-ups cada vez mais sofisticadas tecnologicamente.

Para agravar a situação, as instituições bancárias estão ainda em processo de desalavancagem e por isso o crédito às start-ups é limitado e caro, tanto mais que os negócios early stage têm maior perceção de risco. Acresce que as fontes alternativas de financiamento, como o capital de risco ou o smart money, não se encontram ainda suficientemente desenvolvidas em Portugal.

Perante este cenário, os empreendedores necessitam, muitas vezes, de encontrar financiamento no exterior. Acontece que, a nível internacional, há maior competitividade e, consequentemente, critérios mais exigentes de seleção e avaliação dos projetos a investir. Logo, os empreendedores têm de apresentar modelos de negócio bastante sólidos, financeiramente equilibrados e com perspetivas balanceadas de valorização. Mais: exige-se aos empreendedores fluência na língua inglesa, capacidade persuasiva no pitch e uma gestão criteriosa do networking.

Em todo este processo de captação de financiamento, os empreendedores devem, antes de mais, ter confiança nos seus projetos e motivação para os concretizar. Depois, há que trabalhar o plano de negócios (descrição do produto, valor do investimento, demonstrações financeiras, perspetivas de mercado, potencial económico, estratégia de crescimento, etc.), dar aos projetos uma orientação global (p. ex: criando marcas que soem bem em inglês), fazer provas de conceito (e eventualmente patentear o conceito), desenvolver protótipos e promover apresentações a investidores.

Nas apresentações aos investidores, é fundamental estar focado nos clientes e no modo de rentabilização das ideias de negócio. Os empreendedores devem esclarecer, durante o pitch, quem é o cliente do negócio, que problemas o negócio vai solucionar e que valor o negócio vai gerar para todas as partes envolvidas. Importa ainda deixar bem claro quem são os elementos insubstituíveis da equipa, ou seja, aqueles cujas competências são essenciais ao êxito do projeto. É que uma boa equipa pode corrigir um mau produto, mas um bom produto não consegue corrigir uma má equipa.

Devo ressalvar que, por vezes, o promotor da ideia de negócio não é a pessoa mais indicada para concretizar o projeto, por falta de meios, competências ou determinação. Neste caso, é preferível que o promotor venda a sua tecnologia, patente ou protótipo a quem os possa valorizar economicamente. Ou seja, a um empresário, empresa ou capital de risco que tenha competências de gestão e experiência de mercado que os habilite a desenvolver produtos com interesse comercial.

Por último, há que dizer que as start-ups portuguesas conhecem hoje menos dificuldades para levantar capital em rondas de investimento internacionais. Trata-se, claro, de empresas intensivas em tecnologia, com potencial de crescimento e produtos inovadores de elevado valor acrescentado. Além disso, essas empresas movem-se com à-vontade nos melhores ecossistemas mundiais, muitas vezes com a ajuda de parceiros internacionais estratégicos.

*Associação Nacional de Jovens Empresários.

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Sobre o autor

Adelino Costa Matos

Adelino Costa Matos é Presidente da Direção Nacional da ANJE desde janeiro de 2017, tendo já integrado a Direção Nacional precedente (entre 2013 e 2017). É chairman e CEO da ASM Industries, sub-holding do grupo A. Silva Matos, criada precisamente com o intuito de diversificar a atividade do mesmo, por via da aposta no setor das energias renováveis. A ASM Industries exporta 95% da sua produção e tem como mercados... Ler Mais