O que determina o sucesso das organizações? Depende, seria a resposta mais ouvida. Elaborando nas suas respostas, qualquer que seja o tipo de organização, uns poderão argumentar que será necessário possuir os recursos suficientes para conseguir atingir os objetivos, enquanto que outros dirão que um bom sistema de planeamento será também importante e outros dirão que é a tecnologia.

Mas será isso suficiente? Porque falham as organizações (países, empresas, famílias) e não têm sucesso? Porque é que países que já dominam a ciência espacial continuam a não cumprir o mínimo em termos de desenvolvimento e podem ser considerados Estados falhados? Porque muitas famílias se desintegram? Porque muitas empresas abrem falência? Naturalmente, cada uma dessas organizações tem as suas características idiossincráticas.

Serão recursos materiais, naturais e tecnológicos? O que faz, então, a diferença quando comparamos o desempenho de muitos países ou empresas? Suponhamos, hipoteticamente, que todas estas instituições tivessem os mesmos recursos, fosse possível dar uma nova partida, todos arrancassem ao mesmo tempo e passassem pelas mesmas vicissitudes. Ao fim de algumas décadas, teriam todos o mesmo desempenho?

Por mais modelos que queiramos criar e variáveis que queiramos incluir, a solução final estaria longe de explicar completamente os resultados, se não incluíssemos uma variável que traduzisse a qualidade da gestão dessas empresas ou países.

Então o que poderíamos considerar como sendo gestão de qualidade e como avaliar essa qualidade? De uma forma muito simplista, poderíamos considerar aquela que cria valor, de forma sustentável e com base nas melhores decisões tomadas.

Criar valor: efetivamente, o gestor deve criar, e não destruir valor à espera que os acionistas ou o orçamento público injetem recursos financeiros para suprir as falências.

Sustentável: na medida em que o gestor não pode comprometer o futuro, ou seja não pode pensar só no curto prazo, só no seu mandato e negligenciar a continuidade da organização.

Melhores decisões: tomar as melhores decisões é o corolário de tudo o que foi dito até aqui. Um processo de tomada de melhores decisões implica, por seu lado, ter uma série de características, nomeadamente boa base moral e ética, boa base legal, boa base técnica e preocupação com produtividade e otimização dos recursos.

Como conseguir tudo isso? Podemos conjeturar sobre o papel das dimensões menos exploradas, tais como as culturais e as biológicas; será que existem culturas que possuem princípios e valores catalisadores e indutores do desenvolvimento (pontualidade, honestidade, hard work, honra, espírito empreendedor, atitudes de superação, motivação)? Será que a neurociência pode explicar a existência ou não de diferenças neurológicas entre um bom e um mau gestor?

A dimensão Governance – Por fim, gostaria de destacar a incursão que os teóricos têm feito na área da Governance, também como resposta e proposta à gestão mais prudente das instituições, na sequência do surgimento da pior crise depois da grande recessão.

Contudo, não considero que Governance seja a mesma coisa que qualidade de gestão, pois, salvo uma opinião mais bem formada, Governance centra-se mais em boas práticas e cumprimento de regras administrativas (regras de escolha de gestores, de transparência, de produção de relatórios). É mais o cumprimento de princípios de boas práticas e, por isso, mais administrativa, em contraposição à qualidade de gestão que vai além das boas práticas e se preocupa também com os resultados.

Tecnologia sim, recursos sim, mas, sem gestores de qualidade, pouca diferença fará. A não ser quando a inteligência artificial substituir completamente o homem. Até lá… vamos tendo bons e maus líderes.

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