Por vezes, a vida prega-nos partidas e, apesar do árduo trabalho, a falência surge no horizonte e pensa-se que é o fim. Mas será? Conheça a história, luta e persistência de Kim Perell, business angel que já realizou mais de 60 investimentos em start-ups.

Kim Perell nunca teve uma vida fácil e tudo o que conseguiu deveu-se ao seu trabalho. Mas nem sempre trabalho é sinónimo de sucesso. Kim sentiu na pele a dor da falência, mas, em vez de ficar presa ao fracasso, persistiu e fez nascer uma nova empresa que conseguiu levar a receitas anuais de 100 milhões de dólares (cerca de 94 milhões de euros) e a uma fusão de 30 milhões de dólares (cerca de 28 milhões de euros).

Hoje trazemos-lhe a história de trabalho, dor e sucesso de Perell, contada na primeira pessoa à CNN, com o objetivo de motivar todos os que estão no fundo, para que amanhã estejam de novo na crista da onda.

Para Perell ficou claro que o trabalho é o único caminho para se conseguir o que se quer. Quando era pequena andava de porta em porta a recolher latas e vasilhames com depósito que depois entregava, para ficar com os 5 cêntimos da devolução e ter algum dinheiro para as coisas dela. Mais tarde, quis aprender a andar de cavalo, tendo começado a limpar as boxes dos cavalos. Quando quis ter um carro próprio, distribuiu pizzas e vendeu roupa, até ter o dinheiro necessário.

Entre os seus 20 e os 30 anos, enquanto estudava, trabalhou num banco de investimento, numa empresa de marketing e numa start-up tecnológica. Nesse processo, acabou por criar duas empresas próprias.

Hoje, com 39 anos, é presidente da Amobee, uma agência de marketing digital em São Diego, EUA, avaliada em vários milhões de dólares.

“Quando comecei a empresa de publicidade digital, não existiam publicitários digitais suficientes no mercado, pelo que procurei comprar produtos diretamente aos fabricantes e vendê-los online aos consumidores. Estes produtos iam desde brinquedos a branqueadores dos dentes”, contou Perell.

O peso do falhanço e as lições aprendidas 

Quando terminou a faculdade, Perell foi trabalhar para uma start-up tecnológica, a XDrive, onde, como diretora de marketing, contribuiu para a captação de investimento, ao mostrar aos investidores como o negócio de venda de publicidade da empresa estava a prosperar. Mas, embora houvesse vendas, a XDrive debatia-se com um problema: a área de armazenamento de informação, o core business da empresa, não estava a conseguir retorno do investimento. Foi esse o problema que levou ao fecho da XDrive, pois todo o investimento conseguido foi rapidamente gasto, sem gerar a solução do problema.

Como referiu à CNN, “A XDrive foi provavelmente o melhor emprego que alguma vez tive. Tinha 22 anos, estávamos a caminho do Four Seasons no Havai, tínhamos agendada uma ida ao Howard Stern Show e gastávamos dinheiro como se não houvesse amanhã. Era tão divertido. Mas, quando entrou em falência em 2001, tornou-se na pior altura da minha vida. Todos os meus amigos a quem tinha dado emprego foram despedidos. As pessoas dependiam de mim. Isso é uma coisa difícil de superar.

Contudo, a falência já não era algo desconhecido para Perell e trazia o peso do passado, pelo bom e pelo mau. “O meu pai criou uma oficina de autorreparação de carros em Portland, que foi à falência. Depois entrou no negócio das coberturas. Quando não estava a conseguir telhas suficientes, montou uma máquina na nossa garagem para fazer telhas de cimento. Quando rebentou a bolha do imobiliário nos anos 80, fechou a empresa. Mais tarde, meteu-se no negócio da construção de lares de terceira idade. Pelo caminho, abriu um restaurante que foi à falência. Também abriu um bar que também foi à falência. Consigo ver o paralelismo entre nós os dois. Ele criou as suas próprias telhas e eu criei o meu próprio mercado”, partilhou.

Quando a XDrive foi à falência, Perell não se deixou ficar e, em vez de lamentar o falhanço, em três meses tinha um novo projeto, desta vez para a sua própria empresa de marketing digital, a que chamou Frontline Direct. A empresa começou a sua atividade em 2002, com os 10 mil dólares (cerca de 9,3 mil euros) que tinha no banco e o crédito disponível no seu cartão de crédito.

“Tinha 10 mil dólares no banco e pensei «O que vou fazer?». O meu marido disse-me que os pais dele deixavam-nos ficar gratuitamente na casa que tinham no Havai. Então consegui ver a oportunidade. Consegui ver-me a criar algo do nada, numa perspetiva de publicidade digital. Apenas precisava de um computador, uma mesa, uma conta na GoDaddy e contactos fantásticos para conseguir lançar a minha própria empresa. Os piores momentos tornaram-se nos melhores momentos.”, confessou.

Com o tempo, conseguiu fazer a empresa crescer até aos 100 milhões de dólares (94 milhões de euros) de receita anual e avançar na sua fusão com a empresa europeia de marketing AdconionDirect, num negócio de 30 milhões de dólares (28 milhões de euros). Esta cresceu até faturar 350 milhões de dólares (328 milhões de euros) e acabou por ser adquirida pela Amobee, uma sucursal do gigante asiático das telecomunicações Singtel, em 2014, por 235 milhões de dólares (220 milhões de euros). Hoje têm escritórios em 20 países e empregam mais de 550 pessoas.

“Quando era CEO da minha última empresa, escrevi o meu objetivo máximo num post-it: vender a minha empresa até junho de 2014; e conseguimo-lo.”, confessou. Segundo esta, escrever os objetivos que temos e olhar para eles regularmente ajuda a manter o foco naquilo que tem de ser feito.

Parrel quer ajudar quem está hoje onde ela já se encontrou. Para tal, assumiu-se como business angel e realizou mais de 60 investimentos em start-ups nas quais vê potencial. Já vendeu a participação numa dúzia daquelas em que investiu, num total que aponta para cerca dos 500 milhões de dólares (468 milhões de euros). Hoje afirma que está “confiante no futuro que agora começa”.

Parrel afirma convictamente que “defino o sucesso pelo número de vidas que consigo influenciar positivamente. Quero criar tantos milionários quanto consiga, para que estes possam depois criar outros mais. Acredito que qualquer pessoa pode ir do ordinário ao extraordinário – a oportunidade está sempre ali”.

Ainda acredita que a falência é o ponto final da linha?

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