Arriscaria dizer que a grande questão do nosso tempo é a forma como reagimos ao novo, ao diferente, ao estrangeiro, ao que nos desafia, ao que entra em concorrência connosco, ao que constitui uma mudança, ao que vem de fora.

Se repararmos bem, é esse o grande debate político do momento. Como devem as sociedades reagir ao estrangeiro, ao diferente? Como devem as economias reagir à nova concorrência, às fronteiras abertas? Como devem as relações laborais reagir a novos modelos económicos, à automatização e às máquinas? Como devem as populações reagir ao que as desafia, que as provoca?

Nuns lados, a tónica está nos fenómenos migratórios, no seu impacto. Noutros lados, a tónica está na concorrência dos emergentes, no seu impacto. Nuns casos, receia-se a perda de empregos nas empresas e economias tradicionais, à conta de novas empresas ou novos modelos. Noutros casos, receia-se a perda de empregos nas empresas e economias tradicionais, à conta de novos trabalhadores de novos países.

Nenhuma destas situações se equivale, mas elas têm em comum o mesmo desafio: como reagir à mudança?

Esta é, de facto, a grande questão do nosso tempo e é ela que tem alimentado muito do reposicionamento político e estratégico dos países e das economias e, consequentemente, das empresas.

Existem dois tipos de respostas, claro que cada uma com os seus cambiantes.

Uma resposta acredita na mudança e nos seus benefícios, defende uma sociedade aberta ao outro, à diferença, com fronteiras abertas e livre concorrência. Outra resposta acredita na necessidade de calibrar a mudança, de a atrasar até nos sentirmos confortáveis com ela, de a atrasar para proteger o que temos e o que conhecemos.

Infelizmente, a primeira resposta, que trinfou no pós-guerra e impôs o período mais próspero que o Mundo já conheceu, está a perder terreno para a segunda, muitas vezes entregue aos populistas de serviço: uma empresa fecha, a culpa é da globalização; pessoas são despedidas, a culpa é da globalização; os salários estão baixos, a culpa é da globalização; não há casas livres nos centros das cidades, a culpa é da globalização; não há pleno emprego, a culpa é da globalização.

Em abono da verdade, do lado dos que defendem a primeira resposta, dos que defendem a sociedade aberta, não tem havido capacidade para reagir a este discurso. Como já disse uma vez, é como se precisássemos de encontrar uma nova forma de mobilizar as populações para o valor da liberdade, da abertura à mudança e ao novo.

É nesse esforço que me encontro e, se vos parecer deslocado neste site, deixem-me que conclua dizendo que não haverá empreendedorismo no regresso às sociedades fechadas, que muitos desejam. Nesse modelo de sociedades, o empreendedor estará a mais.

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Sobre o autor

Adolfo Mesquita Nunes

Adolfo Mesquita Nunes tem mais de treze anos de experiência em advocacia nas áreas de direito público, nomeadamente em políticas públicas, contratação pública, regulação, contencioso, arbitragem e contratos públicos, em vários setores de atividade. É Sócio da sociedade Gama Glória.... Ler Mais