Vendas dos iPhones em queda, pânico e um tombo no preço das ações. Eis a cronologia do pesadelo vivido pela Apple nos últimos seis meses.

Durante a semana passada a Apple atingiu algo que não conseguia há cinco anos. A manhã do dia três de janeiro na Bolsa norte-americana ficou marcada pela queda no preço das ações da Apple, um reflexo dos resultados menos positivos atingidos nos últimos meses.

Apesar de ser um problema, o preço das ações é provavelmente a menor das preocupações da fabricante de Cupertino. Os últimos seis meses foram tanto um desafio para a empresa, devido à guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, como também uma chamada de atenção para a empresa liderada por Tim Cook, que precisa de fortalecer a sua presença nas outras áreas de atuação em que está envolvida.

Eis o que aconteceu na Apple neste período:

2 de agosto de 2018:
A Apple atinge uma avaliação de um bilião de dólares depois de anos a bater recordes em receita e em lucro – algo que começou quando Steve Jobs voltou à empresa depois de algum tempo de afastamento.

12 de setembro de 2018:
Tim Cook, CEO da empresa, apresenta os novos iPhone XS, XS Max e XR. Estes dispositivos não só foram apresentados com um preço mais alto do que o praticado nas gerações anteriores, como também não tinham características novas suficientemente atrativas para que os utilizadores atualizem os seus smartphones.

2 de novembro de 2018:
Mesmo com a proibição de venda nos Estados Unidos, a fabricante chinesa Huawei senta-se no segundo lugar do pódio do mercado global de smartphones, deixando a Apple para trás. A Samsung ainda se encontra confortável no primeiro lugar.

No mesmo dia, a empresa de Cupertino revelou que ia deixar de tornar pública a quantidade de telemóveis vendidos, algo que levou os investidores a achar que as vendas estavam em queda.

15 de novembro de 2018:
Nem duas semanas depois desta decisão ser tomada, saem notícias sobre a revisão das previsões de receitas de um dos maiores fornecedores de sensores da Apple: a AMS. A empresa austríaca teve de rever os números depois da procura por iPhones ter diminuído.

19 de novembro de 2018:
Dias depois, o The Wall Street Journal confirmava o corte na produção de iPhones devido à falta de procura.

23 de novembro de 2018:
Numa tentativa de fomentar as vendas no Japão, a Apple diminui o preço do iPhone XR no país – depois de ter sido relatada a falta de interesse dos consumidores japoneses nos produtos desenhados no outro lado do Pacífico.

26 de novembro de 2018:
A histórica concorrente Microsoft ultrapassa a avaliação da Apple em Bolsa pela primeira vez em oito anos. A última vez em que tal tinha acontecido foi em 2009, altura em que a empresa de Steve Jobs estava a publicitar o iPhone 3GS.

4 de dezembro de 2018:
No início de dezembro, a Bloomberg noticiava o pânico da fabricante – após ter reduzido o preço dos seus produtos com o objetivo de aumentar as vendas no mês de Natal.

9 de dezembro de 2018:
Outro fornecedor da Apple reduz a produção devido à queda nas vendas dos iPhones.

2 de janeiro de 2019:
Tim Cook reduz as expetativas de receitas para o primeiro trimestre de 2019. Numa entrevista à CNBC (vídeo em baixo), o CEO da empresa diz que as razões para isto acontecer passam pela venda de iPhones inferior ao esperado, pelo vigor do dólar, pela existência de novos produtos e as más economias nos mercados emergentes.

No mesmo dia, a Netflix desvincula o seu sistema de pagamento do iTunes (a plataforma multimédia da Apple), fazendo, assim, com que os utilizadores tenham de ir diretamente ao site da empresa de streaming. Isto é especialmente relevante numa altura em que a Apple está a tentar diversificar as suas áreas de aposta, de forma a deixar de estar tão dependente das vendas dos seus smartphones.

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