Penso que já se perguntaram muitas vezes o que terão que fazer para serem empreendedores, bem como, se há escolas ou cursos que nos ensinem a empreender.

Para responder a estas questões, há diferentes opiniões e milhares de livros publicados que expressam diversas opiniões. No entanto, todos são unânimes em considerar que, para além do talento, das competências e das distintas aprendizagens, é necessário treinar, tentar e fazer. Muitas vezes. Tantas vezes que a dimensão espacial e temporal para falhar deverá ser imensa.

Ao empreendedor, aceita-se o falhanço. Talvez sejam os únicos humanos que estão habilitados e autorizados a falhar. Várias vezes. Não se pode nem deve falhar uma única vez, pois seria sinónimo de que se teria empreendido uma vez e o empreendedor deverá tentar muitas vezes. Até ter sucesso. Por isso é que é empreendedor, porque demonstrou ser resiliente e nunca desistiu. Onde os outros vêem falhanço, o empreendedor vê mais uma, entre muitas, tentativa de empreender.

Mas, para saber ser assim, é preciso ter de facto experiência. Razão pela qual se deve educar para empreender desde a mais tenra infância. Seja através de programas específicos no Pré-escolar ou através da criação de módulos que estimulem a geração de Ideias Inovadoras, Criativas e Sustentáveis a partir do 1º CEB até ao ensino secundário, para que, quando o estudante se preparar para prosseguir estudos no ensino superior, tenha desenvolvido as chamadas competências empreendedoras.

Para além da Educação Formal, há múltiplos exemplos na nossa Sociedade onde as aprendizagens adquiridas podem dar a oportunidade às nossas crianças e jovens de crescerem a empreender.

Um desses exemplos é o escutismo.

Os escuteiros foram fundados por Robert Stephenson Smith Baden-Powell, em 1907, na ilha de Brownsea, através da realização dum acampamento frequentado por vinte rapazes, dos 12 aos 16 anos, onde transmitiu uma grande diversidade de conhecimentos técnicos.

No nosso país, as origens do Escutismo remontam a 1913, com a fundação da Associação dos Escoteiros de Portugal. O escutismo católico – O Corpo Nacional de Escutas – nasceu em 1923.

Até hoje, estas duas estruturas não sofreram qualquer alteração, bem como o livro escrito em 1908 por Baden-Powell “Escutismo para Rapazes”, e constituem uma das melhores escolas de liderança que conheço.

Para se ser um Escuteiro, não basta ser bom. Há que tentar ser bom. Nos escuteiros, não há lugar para a mediocridade, mas há espaço para falhar e tentar de novo. Quantas vezes forem necessárias.

Atividades em equipa. Distribuição equitativa de tarefas (saber fazer – “Learn by doing”). Ao invés de nomeações ou designações decorrentes de poder hierárquico ou funcional, nos escuteiros o grupo é que decide o cargo que cada membro irá desempenhar. Caso o indivíduo não se sinta preparado, deverá justificar a não aceitação. Os cargos de chefia são, igualmente, decididos pelo grupo e nunca decorrem de decisões individuais ou que não contemplem o interesse coletivo.

Nos escuteiros, o geral ganha ao individual.

Para se ser um empreendedor maduro, é essencial que o processo de crescimento tenha comtemplado uma educação empreendedora. Como vimos, há a educação. A formal e a informal. Em todos os processos educativos, a oportunidade de empreender é imensa!

Basta Querer! E Querer é Poder!

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Sobre o autor

Teresa Damásio

Teresa Damásio é Administradora Delegada do Grupo Ensinus desde julho de 2016, constituído por Instituições de Ensino Superior, o ISG, por Escolas Profissionais, o INETE, A Escola de Comércio de Lisboa e a Escola de Comércio do Porto, a EPET,... Ler Mais