Será que os pontos positivos se sobrepõem aos negativos? Leia o artigo e tire as suas próprias conclusões.

Se há 50 anos dissesse a alguém que ia ter todo o conhecimento humano num dispositivo de bolso, a resposta seria – muito provavelmente – que mais rapidamente iam aparecer carros voadores do que um aparelho com tal poder.

A verdade é que já temos esse poder e é difícil negar o potencial de uma máquina como o smartphone quando é usada para um fim positivo. Mas será que os pontos positivos se sobrepõem aos negativos?

Grande parte das aplicações mobile mais conhecidas, como as redes sociais e os jogos, empregam engenheiros que estão encarregues de ter a certeza de que os seus utilizadores ficam presos aos ecrãs dos smartphones durante o máximo de tempo possível.

Isto é feito, entre outras coisas, através de cores atraentes e de recompensas instantâneas, como os “likes” nas redes sociais. Este tipo de características patentes nas diversas apps potenciam a adição e o desejo das pessoas por estes dispositivos.

Em entrevista à revista Time, Brian Primack, diretor do centro de investigação de média, tecnologia e saúde da universidade de Pittsburgh, explicou que os smartphones estão desenhados para maximizarem o desejo das pessoas.

E qual é o problema de passar o dia inteiro atento ao que se passa dentro do mundo que o smartphone revela? Algumas investigações apontam para o aumento do défice de atenção e perda de memória, enquanto outras sugerem que este vício causa um desequilíbrio no cérebro que faz com que as pessoas se sintam cansadas e ansiosas. A acrescentar a todas estas preocupações vem o facto de as redes sociais potenciarem depressões e mal-estar.

Investigações à parte. Num mundo cada vez mais ligado, em que nunca foi tão fácil falar com uma pessoa do outro lado do planeta, podemos estar cada vez mais desligados e, apesar de estarmos presentes em inúmeras redes sociais, passamos grande parte do tempo a olhar para o ecrã. Seja numa fila de supermercado, a beber o café da manhã, quando se levanta, nos transportes públicos, num jantar com amigos, antes de dormir… Até podemos ter centenas ou milhares de amigos nas redes sociais, mas será que isso nos torna seres mais sociáveis?

Um outro estudo, conduzido por Kostadin Kushlev, um investigador da universidade de Virgínia, adianta que quando os pais utilizam mais os telemóveis ao pé dos filhos criam uma ligação menos intensa. Outro ponto importante a retirar desta pesquisa é o facto de apontar revelar que quando há um smartphone em cima da mesa de jantar, mesmo que não seja utilizado, as pessoas desfrutam menos da sua refeição.

Associado a todas estas preocupações vem o preço deste tipo de dispositivos. O último iPhone, por exemplo, custa mais de 1000 euros. Estas características negativas potenciam o renascimento dos telemóveis tradicionais. A Nokia é uma das marcas que, depois de ter falhado redondamente na venda dos telemóveis de última geração, começou a vender de novo os “dumbphones” (telemóveis ignorantes), que só permitem fazer chamadas, enviar mensagens e desempenhar mais algumas tarefas básicas.

Tal ressurgimento fez com que a Nokia fosse a terceira marca mais vendida no Reino Unido, no quarto trimestre de 2017. A venda do novo/antigo lendário Nokia 3310 é o produto-chave da campanha da tecnológica finlandesa.

Acreditamos que seja difícil deixar um hábito tão solidificado na sua rotina, mas tomar consciência dos problemas que este tipo de dispositivos pode causar é o primeiro passo para começar a reduzir a sua utilização.

Se acabou de ler este artigo num smartphone, agora coloque-o de lado e desligue-se do mundo online durante algumas horas.

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