Há cerca de um mês ao trocar mensagens de texto com um amigo, e depois de termos várias conversas sobre o tema, ele confidenciou-me que não percebia o que era Competitive Intelligence (CI). Isto depois de inclusive termos tido reuniões de negócio onde tentei explicar-lhe como o seu negócio poderia beneficiar, e muito, de usar CI. Dei comigo a pensar como poderia explicar de forma clara e simples este conceito, mas na altura nada me ocorreu.

Mais recentemente, num Tweetchat do Council of Competitive Intelligence Fellows  – um grupo de profissionais que foram reconhecidos pelos pares como líderes e promotores do avanço da disciplina – o moderador perguntou se alguém conhecia uma organização que tivesse o CI integrado na sua Missão. E de repente, fez-se luz!

A melhor maneira de explicar o que é CI é compará-lo com o Google.

Como assim? O motor de busca Google dá-nos respostas às nossas perguntas no sentido de tomarmos decisões que aumentam a nossa performance, quer seja no âmbito pessoal, quer no profissional. Essas respostas não são mais do que informação sobre determinado tópico ou tema.

Por seu lado, o Competitive Intelligence são insights acionáveis que aumentam a performance da organização, através da tomada de decisão informada. O Competitive advém do facto de contextualizar esses insights no ambiente competitivo. O Intelligence são os insights acionáveis, perspetivas que nos permitem tomar decisões sobre determinado assunto.

Ao analisarmos a informação que o Google nos devolve em respostas às nossas pesquisas, para compreender e desenvolver uma perspetiva sobre os factos, geramos insights que nos permitem tomar decisões.

Quando pesquisamos “Hotel” no Google, ele devolve a lista de todos os websites que contenham essa palavra, ordenada por um conjunto de critérios – o contexto em que fazemos a pesquisa. Um dos fatores deste contexto pode ser a nossa localização. Assim, se fizer esta pesquisa em Lisboa, o mais provável é que nos devolva resultados com os hotéis em Lisboa. Mas isso ainda não chega para tomarmos a nossa decisão, ou seja, ainda não temos Intelligence, apenas informação.

Ao analisarmos os diferentes resultados da pesquisa, desenvolvemos um entendimento de qual o hotel que melhor se adapta às nossas necessidades, orçamento ou localização pretendida dentro da cidade. O Intelligence é o conjunto de insights que nos permite escolher esse hotel!

No caso da Alphabet (o conglomerado de empresas que detém o Google), todo o seu negócio é desenvolver insights que usa para atrair usuários, que por sua vez, atraem os anunciantes, a forma como a Alphabet gera receitas. Ou seja, o modelo de negócio da Google é vender publicidade a anunciantes que querem promover os seus produtos a usuários que procuram por determinado tópico. Ou seja (repetição propositada), a Google gera insights para os seus usuários (quem faz as pesquisas), assim como para os seus clientes (os anunciantes que querem encontrar os usuários que procuram determinado tema, tópico, ou mesmo um produto).
Quase podemos dizer que a Alphabet é uma empresa de Competitive Intelligence! Mais especificamente é uma empresa de Consumer ou Customer Intelligence, ajudando os anunciantes com insights acionáveis de como comunicar com o seu público alvo. Concorrem assim com a Televisão, onde a comunicação é massiva e se comunica indiferenciadamente com um público-alvo muito mais alargado e heterogéneo. E este exemplo ajuda-nos a perceber o objetivo do Competitive Intelligence: o aumento de performance!

Em jeito de resumo, o Competitive Intelligence é o processamento de dados e informação que nos permite entender um determinado assunto, de forma a podermos tomar a melhor decisão no sentido de aumentar a nossa performance.

O Google é um exemplo perfeito disto mesmo, fazendo-o nos dois sentidos. No sentido do usuário, respondendo às suas questões. E no sentido do cliente, dando-lhe insights sobre quais os consumidores aos quais deve mostrar as suas propostas publicitárias.

As empresas portuguesas, e em especial as start-ups, sabem que o ambiente competitivo é, e vai ser cada vez mais, difícil.

A única forma de navegar o ambiente competitivo com sucesso é através da geração de insights que aumentem a performance, ou seja, Competitive Intelligence!

 

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