A importância do empreendedorismo para o crescimento económico e social é já uma realidade plenamente aceite entre académicos, empresários e governantes. Mas, não é apenas a criação de novos negócios que se revela fundamental …

A própria Atitude Empreendedora é hoje entendida como uma peça-chave para o crescimento, tanto das empresas e instituições, como das próprias pessoas. É esta Atitude que leva as pessoas a procurarem continuamente novas oportunidades e a “dar corpo” a novos projetos e empreendimentos. Como tive oportunidade de explanar num livro que publiquei[1], a Atitude Empreendedora compreende três pilares fundamentais:
1) as competências empreendedoras (auto-confiança, proatividade, resiliência, criatividade, networking e orientação para o risco calculado);
2) a motivação;
3) a identidade empreendedora, para “pôr de pé” um novo projeto e/ou empreendimento.
E esta Atitude revela-se imprescindível não apenas nas start-ups, mas em qualquer empresa ou instituição que já “tenha nome no mercado” e procure continuamente inovar e tornar-se mais competitiva. É através da Atitude Empreendedora que os colaboradores “vão para além dos objetivos de desempenho” e fazem benchmarking da concorrência, procuram novas combinações entre os recursos e fazem emergir projetos e/ou programas inovadores, com alto valor-acrescentado para as empresas e instituições onde trabalham. É desta forma que tantos novos projetos têm surgido, desde a proposta de novos cursos de formação e/ou pós-graduação (em instituições de ensino superior), até à proposta de serviços complementares aos já oferecidos pela empresa (ex. oferta de um serviço de massagens a bordo por parte de uma companhia de aviação).

Face à importância da Atitude Empreendedora, como podemos desenvolvê-la? Trata-se de um vetor de base comportamental, pelo que desenvolver a Atitude Empreendedora através do método tradicional de ensino (vulgo método expositivo) não conduz a bons resultados… O desenvolvimento da Atitude Empreendedora passa pela utilização de métodos ativos, de aprendizagem-ação, em que as pessoas são convidadas a agir, i.e. a fazer.

Entre os exercícios mais comuns, contam-se as dinâmicas de teambuilding, em que as pessoas, em grupo, têm que alcançar um objetivo complexo, que vai exigir a gestão dos recursos, das competências e dos papéis internos no seio da equipa. Outro exemplo são os exercícios de roleplaying, que envolvem a simulação de uma dada personagem, e em que o “final da história” é construído pelo próprio. Outros exercícios, ainda, como os pitch, visam a apresentação e venda de um determinado produto/projeto num curto espaço de tempo, para treino da comunicação, postura e da contra-argumentação. Para o desenvolvimento eficaz da Atitude Empreendedora, à “ação” deve seguir-se a “reflexão”, em que as pessoas são convidadas a refletir sobre o que fizeram, o que correu bem, o que correu menos bem, o que pode ser alterado para a próxima vez …A auto-reflexão revela-se fundamental para a mudança efetiva de comportamentos, assegurando que as ações identificadas como necessárias alterar são, na prática, realmente substituídas por outras mais eficazes.

Em síntese, dadas as mais-valias da Atitude Empreendedora, torna-se premente o seu desenvolvimento. Dada a sua natureza comportamental, tal desenvolvimento passa pela “ação”, logo seguida da “reflexão” acerca dos novos comportamentos a implementar. Esta forma de aprendizagem assume uma importância crucial em países como Portugal, onde o método de ensino predominante é o expositivo (desde o ensino básico ao superior), que tende a valorizar o “saber mais” em detrimento do “saber melhor”. O desenvolvimento da Atitude Empreendedora assume-se, assim, como um imperativo nacional!

* Coordenadora da Escola de Liderança e Inovação do ISCSP

[1] Palma, P. J. & Silva, R. (2014). Proatividade e Espírito Empreendedor. In Palma, P. J., Lopes, M.P. & Bancaleiro, J. Psicologia Aplicada à Gestão. Psicologia Para Não Psicólogos: A Gestão à luz da Psicologia. Lisboa: Editora RH.

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Sobre o autor

Patrícia Jardim da Palma

Patrícia Jardim da Palma é doutorada em Psicologia das Organizações e Empreendedorismo e Professora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP- ULisboa). É coordenadora das Pós-graduações “Gestão de Recursos Humanos” e “Empreendedorismo e Inovação”... Ler Mais