Uma das principais contribuições para o tema da gestão da inovação nas empresas teve origem em Richard Nelson que em conjunto com o seu colega Sidney Winter desenvolveu uma nova abordagem ao processo de crescimento económico (Nelson & Winter, 1982).

Segundo aqueles autores, a base da atuação das empresas consiste na execução de rotinas suportadas no seu conhecimento organizacional. Assim, o conhecimento torna-se um ativo da empresa e, ao ser aplicado em rotinas, torna-se em algo que vai para além da soma individual das capacidades dos seus recursos humanos e materiais. O conceito de rotinas inclui igualmente atividades que visam a resolução criativa de problemas originados pela constante mutação da envolvente pelo que, o processo de gestão da inovação emerge enquanto um conjunto de rotinas organizacionais que resulta de uma orientação consistente e intencional desenvolvida não só com o conhecimento existente na empresa, mas também através da absorção de novos conhecimentos, sejam eles gerados internamente ou adquiridos fora das fronteiras da empresa, visando avaliar, modificar ou substituir as rotinas existentes.

A capacidade de absorção do conhecimento, enquanto capacidade para reconhecer o valor de conhecimento externo e de o assimilar e aplicar no mercado, sendo uma função do conhecimento pré-existente na empresa, é vital para a valorização do conhecimento externo que vem através das interfaces com os vários parceiros. Para tal, é necessário desenvolver atuações consistentes que visem os diversos tipos de parceiros e conhecimentos que podem estar envolvidos nas atividades de inovação colaborativa. Neste âmbito destacam-se as entidades que geram conhecimento científico tais como as universidades, os atores que possuem conhecimento do mercado tais como os clientes ou utilizadores, e as restantes empresas envolvidas na mesma cadeia de valor tais como os fornecedores ou concorrentes.

Mas a inovação colaborativa com aqueles parceiros externos não terá sucesso se dentro da própria empresa não for desenvolvida uma cultura de colaboração. Assim, é igualmente relevante a capacidade de gestão das interfaces da empresa com a envolvente externa, que mediam a disseminação dos vários tipos de conhecimento dentro da organização. Assim, as atividades de inovação colaborativa estendem-se ao interior da própria organização, onde a construção de capacidade de absorção, depende igualmente do desenvolvimento consistente de atividades de colaboração interna construindo um ambiente, uma cultura organizacional favorável à iniciativa, criatividade e partilha de conhecimento.

Porque a colaboração para a inovação se desenvolve de forma consistente sobre os resultados positivos obtidos, é importante promover a divulgação ativa dos resultados positivos das atividades de inovação colaborativa, sejam eles internas ou com parceiros externos.

Por último, não podem ser descurados os aspetos relacionados com os custos da abertura, acesso e partilha do conhecimento, pois o insucesso que resulte do oportunismo de atores, tenderá a quebrar aquele ciclo e a ser usada como pretexto para comprometer a orientação consistente da empresa para a colaboração. Desta forma, os aspetos relacionados com a gestão e proteção do conhecimento no âmbito das parcerias possuem o potencial de revelar práticas relevantes para a promoção da colaboração.

Assim, a capacidade de colaboração para a inovação pode ser vista como uma competência cujo desenvolvimento depende da construção de capacidade de absorção adquirida no desenvolvimento de rotinas de colaboração para a inovação, capacidade essa que é aprofundada e alimentada com os resultados positivos obtidos nas atividades de inovação colaborativa.

As práticas de inovação colaborativa abrangem por isso diversos domínios, nomeadamente, a orientação estratégica, a capacidade de absorção da empresa e a sua relação com a envolvente tecnológica (centros de saber) e de mercado (clientes, fornecedores e concorrentes), os fatores de organização interna que promovem a colaboração nomeadamente a relação entre indivíduos ou equipas, a promoção da criatividade dos colaboradores e o acesso, partilha e proteção do conhecimento.

*Direção de Investimento para a Inovação e Competitividade Empresarial / IAPMEI

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Sobre o autor

Pedro Cilínio

Possui 20 anos de experiência na área da avaliação de projetos de investimento, grande parte dos quais na gestão de equipas e unidades de negócio, tendo adquirido competências em reengenharia de processos, gestão de projetos de tecnologias de informação, inovação e empreendedorismo, implementação de programas, incentivos com fundos comunitários e auxílios de estado. Licenciado em Engenharia e Gestão Industrial (Instituto Superior Técnico), tem um mestrado em Gestão Industrial (Faculdade de... Ler Mais