Conheça as cinco áreas que terão maiores possibilidades de investimento este ano, de acordo com o BBVA.

Quase todas terminam em ‘tech’ e vieram para ficar. São nomes que querem chamar a atenção dos investidores e que mostram que o empreendedorismo continua a dar cartas na inovação.

Foodtech, legaltech, fintech, edtech e machine learning perfilam-se como os setores mais procurados para este ano a nível mundial, segundo o BBVA. Em alguns casos, trata-se de áreas – até agora – consideradas secundárias e noutros um exemplo de segmentos que estão a consolidar-se.

‘Foodtech’

Pedir comida ao domicílio através do telemóvel é cada vez mais uma realidade. Dentro da indústria foodtech, a food delivery registou uma enorme atividade em 2015, com 6 milhões de dólares (cerca de 6 milhões de euros) em investimento. 60% corresponderam a novas start-ups dedicadas ao transporte de comida pronta ao domícilio, segundo dados da CB Insights. Empresas como Just Eat, Deliveroo ou Foodora levam pratos preparados aos lares em tempo recorde e ocupam lugares cimeiros neste mercado.

Mas o setor foodtech não se limita à comida ao domicílio. A grocery delivery ou as compras do supermercado ao domicílio, converteu-se nos últimos meses numa realidade. Não há dúvida de que muitas pessoas continuam a preferir apalpar a fruta no supermercado antes de a comprar, mas também não há dúvida, de acordo com a Openfuture, de que os utilizadores realizam cada vez mais compras de alimentos via online.

A tecnologia também chegou ao transporte e à logística do setor da alimentação. Em Londres, a Just Eat associou-se à empresa Starship para fazer entregas por robots e em Singapura os drones estão a começar a substituir as motos na hora de entregar comida.

Além disso, a sustentabilidade, novos ingredientes, a personalização dos pedidos através de big data e a Inteligência Artificial (IA), a biotecnologia e a nanotecnologia alimentar são outros campos que mais interesse despertam, segundo o site espanhol Muypymes sobre PME. Contudo, ainda há muito mercado foodtech por explorar.

‘Fintech’

Abrir uma conta bancária a partir de uma selfie, bancos que começam a transferir os seus serviços para a nuvem ou robo-advisors que oferecem assessoria financeira automatizada empregando algoritmos são só uma amostra das mudanças tecnológicas que vivem os serviços financeiros.

Os especialistas afirmam que as fintech continuarão imparáveis a nível mundial, embora a distinção entre algumas start-ups seja cada vez mais difícil de estabelecer. Setores como o crowdfunding, o crowdlending, a banca online, os pagamentos através do telemóvel, a tecnologia blockchain, a data management ou as aplicações de poupança doméstica também são os que apresentam maior potencial para 2017, de acordo com a Ticbeat.

No caso espanhol, segundo o World Fintech Report 2017, a Espanha já se posiciona como o quinto país nos serviços fintech. Jesús Pérez, presidente da Associação Espanhola de Fintech e Insurtech (AEFI), destaca que, para a associação “2016 foi muito positivo: temos 215 empresas, de acordo com o último mapa atualizado em dezembro de 2016”.

A Equibit apresenta-se como um importante “player” em 2017. A start-up, com sede em Toronto, dedica-se a garantir a segurança das operações económicas, utilizando a tecnologia blockchain. Desta forma, investidores de qualquer parte do mundo podem transferir instantaneamente criptomoedas chamadas “equibits” sem qualquer agente intermediário e a um preço muito reduzido. Além disso, a Equibit associou-se a nomes sonantes como John McAfee, fundador da famosa empresa de segurança informática com o mesmo nome.

Por seu lado, a Robinhood vai revolucionar as operações bolsistas dos millennials. Os jovens que se sentem atraídos pelo mundo do investimento estão com sorte e agora dispõem de uma app que lhes facilita a compra e venda de ações através do telefone sem pagar comissões.

As redes sociais também chegaram até à banca de investimento. A app Etoro oferece aos seus utilizadores acesso aos mercados globais, permitindo ver outros investidores e investir neles, copiando de modo automático as suas operações.

‘Edtech’

Tradicionalmente, este setor tem ficado na sombra de outras oportunidades de investimento. O Techcrunch calcula que, em 2015, investiu-se mais na Uber do que em toda a indústria do ensino, a edtech. Mas os tempos estão a mudar e alguns especialistas consideram que a edtech está a sofrer uma metamorfose e poderá ser “a nova fintech”.

Segundo a Fundspeople, o investimento neste campo poderá alcançar os 220 milhões de euros a nível global no ano de 2020. Apesar de ter arrancado tarde, a edtech tem muitas possibilidades de vir a ser um setor de tamanho considerável e rentável.

Ferramentas para criar debates, discussões ou inquéritos para os alunos, como a Kahoot, plataformas para realizar trabalhos em equipa, entre as quais a Wikipaces ou apps que permitem a gravação de tutoriais (ScreenFlow) estão a provocar um autêntico furor no mundo do ensino. Também se destacam as plataformas que permitem entregar trabalhos universitários sem limite de extensão ou iniciativas como a Socrative, uma aplicação que ajuda a avaliar os conhecimentos dos alunos de forma rápida.

Chris Haroun, CEO dos Haroun Education Services, afirma na revista Forbes que “os serviços web, como a Amazon, e as plataformas inovadoras de educação online, como a Udemy, oferecem uma educação acessível e exequível sem precedentes, assim como entretenimento educativo em mais de 190 países.”

‘Legaltech’

Gerir divórcios através de um algoritmo, como faz a Wevorce, está a mudar a vida das pessoas. Várias empresas legaltech estão a marcar um antes e um depois, sempre dentro do quadro estabelecido pela legislação atual.

As grandes empresas têm os olhos postos na tecnologia legaltech. Não obstante, de momento, a atividade das start-ups está limitada à gestão de processos que não requerem demasiada complicação. Por exemplo, a ArbiClaims permite colocar ações judiciais relacionadas com a falta de pagamentos, disputas entre proprietários ou danos em propriedades, a um preço muito competitivo; a Lawdingo oferece assessoria jurídica através do telemóvel, de forma rápida e exequível; a PatentVector é uma potente ferramenta de registo, análise e comparação de patentes e a Shake facilita a criação, a assinatura e o envio de acordos legais em questão de segundos.

Os hackathons legais também são uma pequena antecipação do que está para vir. Advogados, programadores, desenhadores, vendedores e empresários reúnem-se nestes eventos para desenvolver ideias e produtos, com a finalidade de causar um impacto positivo no universo legaltech. A Hackatonspain afirma que, em 2016, foram organizados cerca de 840 hackatons em todo o mundo, e a previsão é que este número aumente 5% ao ano.

‘Machine learning’

“Há alguns anos, poucas empresas podiam dar-se ao luxo de contratar cientistas de dados e ter acesso a fontes de machine learning”, explicou Ludo Ulrich, diretor de relações com Start-ups da Salesforce, à revista tecnológica CIO. “Sem dúvida que a tecnologia avançou tanto que, hoje, as pequenas empresas estão a participar na revolução da Inteligência Artificial (IA) e a quantidade de talento disponível é maior”, acrescentou.

O número de fusões e aquisições não para. A Intel gastou 400 milhões de dólares (cerca de 376 milhões de euros) para adquirir a Nirvana, a ARM Holdings outros 350 milhões de dólares (cerca de 330 milhões de euros) pela Apical, a Ford comprou empresas para reforçar a sua ideia de produzir carros sem condutor e a Salesforce adicionou capacidades machine learning à sua plataforma, como conta a Fortune.

Segundo a Dataversity, prevê-se uma explosão de apps inteligentes e assistentes digitais, dentro de um a dois anos. A democratização da IA e a machine learning, através de tecnologias cloud, continuará. As empresas utilizarão algoritmos para praticamente todas as atividades centradas em dados, a self-service BI (uma forma de Business Intelligence na qual o utilizador final tem a capacidade de satisfazer de forma independente as suas próprias necessidades de informação) chegará ao seu máximo esplendor e as tarefas rotineiras serão realizadas por máquinas inteligentes, sem qualquer tipo de intervenção humana.

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