A concentração de população nos centros urbanos é uma tendência inexorável à escala global, motivada pelo crescimento demográfico (preveem-se mais 1,2 mil milhões de pessoas no planeta até 2030), pelo êxodo das zonas rurais e pela própria criação de novas cidades.

Para se ter uma ideia, apenas 13% da humanidade vivia em cidades no início do século XX. Hoje, e pela primeira vez na História, mais de 50% da população mundial habita em zonas urbanas. Espera-se, aliás, que, em 2050, a percentagem de cidadãos concentrados nas cidades atinja os 68% em todo o mundo (2,5 mil milhões de habitantes).

A urbanização de largas faixas do planeta acarreta enormes desafios para a humanidade, dadas as consequências potencialmente negativas da concentração urbana na qualidade de vida dos cidadãos. Alterações climáticas, sobreocupação dos solos, maior competição por recursos, consumo excessivo de energia, restrições à mobilidade, insegurança, rutura de infraestruturas, escassez de habitação, risco de propagação de doenças e desemprego são alguns dos problemas associados à urbanização desenfreada do território. Importa, por isso, adotar práticas mais sustentáveis de urbanismo, ordenamento do território, preservação ambiental, desenvolvimento económico e coesão social, antes que os danos sejam irreversíveis.

Com este intuito, estão em curso em diferentes países projetos que visam tornar as cidades mais inteligentes, através da aplicação de modelos sustentáveis de desenvolvimento, da introdução de tecnologias digitais na gestão urbana, da implementação de novos sistemas de transportes, do recurso intensivo a energias renováveis e do incremento da eficiência energética. Tudo isto para que, nas cidades do futuro, seja possível compatibilizar o desenvolvimento económico com o equilíbrio ambiental e o bem-estar social, a sofisticação tecnológica com a cultura e o respeito pelas tradições, a concentração populacional com o sentimento de pertença comunitária e a cidadania ativa, o crescimento urbano com o combate às alterações climáticas e a diversificação de fontes energéticas.

Este cenário de reconfiguração das cidades e de emergência de novas estratégias de gestão urbana, no sentido de uma maior sustentabilidade, abre naturalmente uma ampla janela de oportunidades para novos negócios. Não se trata apenas de satisfazer a crescente procura de alimentos, água, commodities e recursos energéticos. Para salvaguardar a qualidade de vida em zonas densamente povoadas, há que encontrar soluções mais sustentáveis e isso implica desenvolver tecnologias, produtos e serviços com esse fim. Ora, subjacente a tudo isto está um elevado potencial de negócio.

É, pois, na produção de conhecimento que está a chave do bem-estar, mas também da competitividade, das cidades do futuro. Uma cidade que queira promover a qualidade de vida, atrair talento, ser economicamente competitiva, preservar a coesão social e ganhar dimensão internacional tem necessariamente de criar mecanismos de produção e partilha de conhecimento dentro da sua comunidade. Conhecimento, esse, que seja convertível em inovação, de forma a gerar valor.

Neste pressuposto, os centros de produção de conhecimento (universidades, institutos de I&D e polos de inovação) devem intensificar o desenvolvimento de projetos na área do urbanismo sustentável e em áreas conexas, ao mesmo tempo que se espera dos empreendedores e investidores uma maior sensibilidade para as oportunidades que se abrem no abrangente domínio das smart cities.

*Associação Nacional de Jovens Empresários

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Sobre o autor

Adelino Costa Matos

Adelino Costa Matos é Presidente da Direção Nacional da ANJE desde janeiro de 2017, tendo já integrado a Direção Nacional precedente (entre 2013 e 2017). É chairman e CEO da ASM Industries, sub-holding do grupo A. Silva Matos, criada precisamente... Ler Mais