A Beta-i existe em torno de uma premissa: trabalhar, ano após ano, nas lacunas do ecossistema, ou “o que falta fazer no ecossistema empreendedor”. Ao longo dos anos, temos incentivado start-ups e founders, das mais variadas formas, sempre procurando o progresso das start-ups de maneira a prepará-las para a próxima fase onde estarão envolvidas.

Foi um processo muito interessante e intenso, que nos fez crescer rapidamente e que ajudou a posicionar a nossa organização como uma das principais e mais inovadoras na Europa. Ao longo dos anos, este processo foi-se revelando cada vez mais eficaz, pois a premissa era fácil de analisar e especificar. Mas também notámos que, cada vez que apresentávamos o nosso trabalho a uma audiência mais jovem, principalmente universitária, éramos confrontados com uma falta de vontade de implementar projetos próprios.

A juventude parecia continuar a preferir uma carreira empresarial em grandes empresas. Mas na Beta-i acreditamos que é preciso mudar a mentalidade das universidades e acreditamos que os estudantes podem fazer um projeto próprio, em vez de estar a trabalhar para outros.

Foi assim que surgiu a ideia de lançar uma nova área dentro da Beta-i ligada à Educação, dirigida a várias idades, mas focada, numa primeira fase, na camada jovem universitária. E é aí que surge a ideia de organizar uma Innovation Academy em Portugal, um programa que procura incentivar os jovens universitários a pensar em conjunto numa ideia, num ambiente internacional e interdisciplinar.

É assim que, neste momento, Cascais dá as boas vindas a Silicon Valley e decorre em Portugal a primeira edição da European Innovation Academy. Quer isto dizer que 300 dos mais brilhantes estudantes universitários e aspirantes a empreendedores de mais de 40 países estarão em Cascais, para participar na European Innovation Academy, um programa extremo de empreendedorismo, que arrancou a 17 de julho e se estende até 4 de agosto.

O objetivo deste programa é também focado na implementação daquela ideia, por um grupo pequeno, mas coeso, apoiado por mentores experientes, num ambiente de prototipagem rápida e num muito curto espaço de tempo. Ou seja, conseguir passar da ideia ao produto, com mil clientes, em três semanas. Parece impossível, mas este programa vem demonstrar que, na realidade, algo que parece impossível e bastante difícil de implementar, é de facto possível. E como gostamos de projetos com impacto e com escala, quisemos fazer algo com um horizonte temporal longo, para criar exatamente esse impacto que, neste caso, são cinco anos.

Durante estas três semanas, inovadores talentosos de todo o mundo irão reunir com mentores e investidores de Silicon Valley e de território regional e nacional, para desenvolver mais de 130 novas ideias de negócio, de 10 indústrias diferentes. No limite, esperamos que cada participante crie a sua própria start-up e que este evento acabe por desencadear uma onda de investimentos no empreendedorismo.

Ser empreendedor não é uma escolha de carreira, mas sim um caminho que se escolhe, quando se pensa obsessivamente sobre um problema e se procura arranjar uma solução para ele. E esse é o melhor resultado que se pode ter: ajudar alguém que tem uma pain terrível e ajudar a resolver esse problema!

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Sobre o autor

Ricardo Marvão

Ricardo Marvão é cofundador da Beta-i, uma associação sem fins lucrativos que nasceu em 2010 e tem como missão inovar o empreendedorismo em Portugal. Começou a trabalhar em 2001 na Dell em Londres e depois em Portugal na PT Inovação. A partir de 2003, trabalhou para a Agência Espacial Europeia, na Alemanha, nos programas de Missões Científicas e Observação da Terra e, mais tarde, para a Inmarsat em Londres, uma... Ler Mais