“O sucesso depende de uma preparação prévia, e sem tal preparação o falhanço é certo”. Confúcio

Não é raro ver pessoas a acederem a patamares elevados na hierarquia das organizações ou de países em situações que não estariam previstas no roteiro dos seus percursos.

Muitos desses casos têm sucesso, são transformados em case studies e dão origem a livros e a autobiografias, enquanto que outros nem tanto, ficam esquecidos, ou são lembrados pelos piores motivos. Mas vamos pensar nos casos de sucesso, reconhecendo, contudo, que na vida existem falhanços que nos ajudam a crescer como pessoas.

Assim, devemos, no máximo, evitar os falhanços. Todavia, mesmo no caso onde ocorre um falhanço, devemos ter capacidade suficiente para o mitigar ou prever ou superar.

Quanto ao sucesso, considero que é necessário, pelo menos, de entre várias, duas coisas; um conjunto de capacidades e a oportunidade certa. O que queremos dizer é que o sucesso pode depender de cada um, mas também do meio onde a pessoa está envolvida, recusando, firmemente, o discurso da vitimização. Pode até depender de terceiros, mas podemos considerar esses terceiros como incluídos no meio envolvente. Com este entendimento, então cada um que quer ter sucesso nos seus projetos (mais especificamente de liderança), deve preparar-se e esperar passivamente pela oportunidade ou, ativamente, criar esta oportunidade.

Ou seja, falando de capacidades, no longo prazo é indispensável possuir as capacidades adequadas a cada projeto se se quiser aspirar o sucesso, mas também essas capacidades devem ser evidenciadas, demonstradas e não ficarem escondidas nas folhas de um currículo ou certificado.

Como se diz,”Ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa” (in O Sermão do Monte).

Capacidade – segundo a definição é um conjunto de habilidades ou de expertise em determinada área. E quais são estas habilidades?

a) Competências: é necessário ter as competências referentes a uma determinada área.

i. Técnica – Por exemplo, um bom comercial deve conhecer as características técnicas do produto que vende. Aproveite para adquirir mais formação seja ela profissional, académica ou de outra natureza. Atenção, não estamos a dizer para adquirir diplomas ou certificados, nem informação, mas sim conhecimento e sabedoria.

ii. Relacionais ou humanas – quando se fala de liderança e na componente de relacionamento, considero-a como determinante. Sem relacionamento e coaching, estaremos a falar de qualquer outra coisa que não seja liderança.

iii. Visionárias – é necessário “ ver além da esquina”. Considero ser visionário aquele que tem a capacidade de antecipar o futuro e de se adaptar a ele, ou sendo mais ousado, tentar modificar o rumo dos acontecimentos.

b) Vontade – temos de ter a vontade, tomar uma posição e manifestá-la. Não vale apenas ficar na zona de conforto, embora pode ser que pessoas tímidas, que não gostem de serem expostas, precisem de um empurrãozinho.

c) Determinação – mas só a vontade não chega, pelo que é necessária a persistência para conseguir o que se almeja. Sem a determinação só se fica ao nível da vontade, na zona de conforto. Determinação é sair dessa zona e entrar, se necessário, na zona de confronto, deste que estejamos firmes nas nossas convicções e tenhamos argumentos sólidos.

Oportunidades – depois de devidamente preparados, podemos ficar à espera que surja uma ocasião para lançar o desafio, ou então podemos tentar, legitimamente, criar essa ocasião. Consideramos a oportunidade como sendo essa ocasião favorável ou um momento adequado que surge e que nos permite demonstrar que possuímos as capacidades necessárias para o projeto ou cargo.

Cumprindo esses dois requisitos, ou seja estar preparado e atuar na ocasião certa, há grande probabilidade de ter sucesso, ou pelo menos não falhar. No longo prazo nada está garantido.

Uma última observação: sem disciplina nada disso está garantido, mas hoje, por uma questão de disciplina no uso do espaço, fiquemos por aqui.

Comentários

Sobre o autor

Carlos Rocha

Carlos Rocha é administrador do Banco de Cabo Verde, onde desempenhou anteriormente diversos cargos de liderança. Entre outras funções, foi Administrador Executivo da CI - Agência de Promoção de Investimento. Doutorado em Economia Monetária e Estabilização macroeconómica e política monetária... Ler Mais