“O futuro de Portugal – que não calculo, mas sei – está escrito já, para quem saiba lê-lo,
nas trovas de Bandarra, e também nas quadras de Nostradamus.
Esse futuro é sermos tudo. Quem, que seja português, pode viver a estreiteza de uma só personalidade, de uma só nação, de uma só fé.” – Fernando Pessoa

Ontem. Escrever sobre Portugal é escrever sobre o Mundo. A história de uma nação que se entrelaça, de forma íntima, com a história de uma série de outros países, de outros povos, de outras culturas. É uma constante o espírito aventureiro, corajoso e destemido do povo português, atestado de forma soberana na altura dos Descobrimentos, ambicionando viagens cada vez mais longínquas, avançando em locais inóspitos e mares ignorados. Sobre isto, cantou Camões: “As armas e os barões assinalados, Que da ocidental praia Lusitana, Por mares nunca dantes navegados,…”. Sem cartas ou roteiros que orientassem os pilotos, era necessário avançar com cuidado, observar ventos, abrigos e atentar ao quebrar das ondas. A este espírito, a que muitos chamam de “aventureiro”, faço a analogia do que hoje, frequentemente, chamamos de “espírito empreendedor”, uma característica sobejamente reconhecida como impulsionadora e promotora de sucesso, aos mais diversos níveis, profissional e/ou pessoal.

Este é um estado de espírito, uma predisposição inscrita no ADN do povo português, e que é, desde há muitos anos a esta parte, uma das imagens da marca Portugal.

Conhecimento. De novas terras e mares. De novas gentes e culturas. A valorização da experiência. A grande dádiva de Portugal, e dos Portugueses, à Humanidade.

Acredito piamente que esta característica do povo português prevaleceu, fincando pé contra séculos de guerras de sucessão e de poderios, ou décadas de repressão impostas pelo Estado Novo. Inscrito está nos anais da história que, nas vésperas da implantação da República, Portugal era um dos países menos industrializados da Europa, com um produto industrial ao nível de metade do agrícola e um quantitativo de mão-de-obra equivalente a um terço da população ativa rural, e um elevado grau de dependência externa.

Hoje. Portugal, um país de brandos costumes, ouvimos frequentemente. Um país onde a paz reina e onde a segurança vai imperando, o que, à luz dos recentes acontecimentos internacionais, assume cada vez mais relevância. Sem contextualizar “os porquês”, o nosso país foi passando ao lado dos grandes conflitos políticos e sociais. Integra há quase 3 décadas a União Europeia. Tem um sistema de saúde público. Escolaridade obrigatória e gratuita até ao 12.º ano ou até aos 18 anos. Tem um prémio nobel da literatura. Soma um conjunto de prémios internacionais nas áreas de medicina, ciência e investigação.

Portugal assume hoje um compromisso, assente em pressupostos sólidos e consolidados, com a formação, com a qualificação, com a qualidade, com o empreendedorismo e com a inovação. São estes princípios que norteiam, transversalmente, as missões e as estratégias das instituições, públicas e privadas.

Estas são apenas algumas reflexões, não de somenos importância, na análise da evolução e inovação do Portugal de hoje. Um país que não esquece o ADN inscrito na sua história e que, apesar de “brando”, arrisca, estrutura, experimenta, produz, diferencia-se e vence.

Amanhã. A verdade é que Portugal começa a ter o reconhecimento internacional há muito devido. E isto deve-se às empresas portuguesas, à cultura e aos artistas, às conquistas na área da saúde, da investigação, da inovação, da criatividade, do empreendedorismo, ao futebol, e tantos outros quadrantes de atuação. Mas, fundamentalmente, deve-se às pessoas, aos portugueses, ao capital humano, em território nacional ou espalhados pelo mundo, cada um deles “embaixador” da marca “Portugal”, que diariamente, pela força do seu trabalho, dedicação e profissionalismo, a reforçam e a dignificam.

E serão estas “pessoas” o garante do Portugal que não esquece, que se reinventa e que se posiciona como um país moderno, atrativo e com elevada qualidade de vida.

Sempre. Portugal.

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Sobre o autor

Pedro Machado

Pedro Machado é Presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal desde 2013. Doutorado em Turismo, pela Universidade de Aveiro, é Mestre em Ciências de Educação, na Área de Especialização - Psicologia Educacional, pela Faculdade de Psicologia e... Ler Mais