Mas afinal o que é um Business War Game (BWG)? Guerra não é, e um jogo não é certamente.

Não tem nada a ver com Hackers ou Cyber Segurança, Guerra da Informação, Teoria dos Jogos ou jogos eletrónicos como no filme homónimo. Na sua essência, é uma simulação cujo objetivo é desenvolver uma estratégia de negócio e blindá-la contra os potenciais movimentos, atuais e futuros, dos vários intervenientes. Estes podem ir desde a Concorrência, aos Reguladores, ou até mesmo aos Parceiros e Investidores.

O período de planeamento estratégico pelo qual passamos até ao final do ano é onde normalmente esta metodologia é mais usada. Exemplos de BWGs são o desenvolvimento de estratégias de lançamentos de produtos, preparação de fusões e aquisições, ou a entrada num novo mercado.

Qualquer estratégia desenvolvida, seja anual ou plurianual, ou ainda de lançamento de um novo negócio, deveria passar pelo crivo de um BWG!

Para correr um War Game, é necessário preparar um “Intelligence Pack”, um dossier com um conjunto de insights que vão ser usados para simular as estratégias com maior probabilidade de serem implementadas por cada um dos intervenientes. Em assuntos mais complexos, onde é preciso perceber quais podem ser as várias alternativas estratégias, podemos desenvolver cenários e correr um BWG para os dois cenários mais extremos e um de tendência. As alternativas que daí resultam, sendo também as mais extremas, balizam o leque de possibilidades que a empresa anfitriã pode vir a enfrentar. Fica, assim, com um conjunto de estratégias em carteira para qualquer que seja o rumo que o mercado e os seus intervenientes venham a seguir.

A escala, ou seja, a dimensão da empresa ou do desafio, não é um fator crítico para a utilização desta metodologia.

Em Portugal, enquanto Head of Intelligence and Innovation e Executive Board Member da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, foram vários os BWGs que corremos. Sem quebra de confidencialidade, posso partilhar que foram abordados desde temas altamente estratégicos, a temas muito táticos. Um dos exemplos de BWG tático foi uma campanha de ativação de marca em que o resultado final foi uma estratégia de marketing de guerrilha para defesa de um ativo estratégico da marca Sagres. Dos mais estratégicos, resultaram algumas das estratégias e decisões que ainda se fazem sentir no mercado. Basta analisar a performance da SCC em Angola versus os seus concorrentes mais diretos na última década (2008-2018).

Igualmente, esta metodologia pode facilmente ser aplicável a uma start-up que planeia abordar um novo mercado. Os investidores podem correr um BWG para perceber quais as oportunidades e ameaças que as empresas nas quais investem estão sujeitas, no curto e no longo-prazo, e, assim, maximizarem o seu investimento.

Como consultor, facilitei dois BWGs públicos, com a ajuda do The Lisbon MBA e dos seus alunos, assim como dos meus alunos da Pós-Graduação em Gestão de Informações e Segurança da NOVA IMS. Um foi sobre o mercado das cervejas em Angola, onde convidei ex-colegas da SCC e ex-concorrentes do agora Super Bock Group, para estarem presentes para aferir os resultados. O outro foi para os mercados do Norte da Europa, e como o departamento de exportação da Heineken Internacional poderia abordar esses mercados onde não tem filiais, e onde os seus concorrentes são muito fortes. Como sempre, os resultados foram, no mínimo, surpreendentes. Um dos decisores para quem corri com um destes War Games confidenciou-me no final que nunca tinha tido este nível de compreensão sobre o seu próprio negócio e os mercados pelos quais era responsável.

Num ambiente VUCA como o de hoje, é quase impossível pensar em todas as alternativas, sem ser de uma forma estruturada, sem ter acesso a insights fidedignos, e sem integrar as perspetivas de todos os intervenientes como é o caso nos BWGs.

Embora os BWGs não sejam propriamente uma novidade, a plataforma de software que desenvolvi para os facilitar é única a nível mundial. Juntamente com o SMINT, uma abordagem que desenvolvi para entregar insights em tempo-real aos decisores, podemos agora organizar um BWG em quase tempo-real.

Infelizmente o “filme” é quase sempre o mesmo, com ou sem guerra, com ou sem jogos. Se pensam que já viram este filme, estão certos…

Querem apostar que o primeiro BWG em tempo real que vou organizar vai ser além-fronteiras?

Já agora, valia a pena pensar nisto… Dêem oportunidades aos inovadores e empreendedores portugueses, em Portugal, para que não tenham de ir sempre além-fronteiras para testar, crescer e escalar os seus negócios.

Em última análise, crescemos todos juntos… e com a ajuda dos BWGs com certeza teremos mais hipóteses de sucesso!

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Sobre o autor

Luís Madureira

Luis Madureira é fundador da ÜBERBRANDS, uma boutique de consultoria estratégica que ajuda organizações e os seus líderes a navegar o ambiente competitivo com sucesso. É chairman da SCIP Portugal e foi recentemente distinguido com o Fellowship e convidado a... Ler Mais