Foi divulgado esta semana, pelo European Business Angels Network (EBAN), um novo relatório sobre a atividade dos business angels em 2016 na Europa. Os dados revelam uma forte presença deste tipo de investidores.

Em 2016, as start-ups europeias em early-stage receberam perto de 10 mil milhões de euros em investimentos. Destes, 26% foram atribuídos aos investidores de capital de risco e 67% vieram da parte de business angels, que, no ano passado, foram os maiores impulsionadores de start-ups desta fase. Neste campo, as plataformas de equity crowdfunding, como a portuguesa Seedrs, representaram 7% do total de investimentos. Esta última maneira de receber investimento é relativamente recente e a tendência é para que este tipo de plataformas continue a crescer e a ter um papel cada vez mais importante no desenvolvimento de pequenas empresas.

Entre 2015 e 2016 foram criadas quatro novas redes de business angels. Segundo os dados do relatório, até ao final do ano passado havia 474 grupos deste tipo de investidores na Europa.

Portugal tem 17 redes de business angels e um total de 615 investidores anjo. Nesta área, o Reino Unido, Espanha, Finlândia e a Alemanha são os países mais desenvolvidos. Como é visível no gráfico abaixo, os grupos portugueses deste género fizeram, em 2016, investimentos com uma média de um milhão de euros cada, num total que perfaz 16.9 milhões investidos.

fonte: European Business Angels Network

Inv. (Investimento); BA (business angel); RBA (redes de business angels). Fonte: EBAN Statistics Compendium 2016

Apesar do ecossistema português de start-ups ter tido um grande boom nos últimos anos, os business angels têm investido menos. Em comparação com 2014 e 2015, anos em que o ecossistema nacional registou investimentos na ordem dos 27.9 e 23.4 milhões de euros, respetivamente, o dinheiro que chega às start-ups é cada vez menor. Neste sentido, entre 2014 e 2015 houve um decréscimo de 16% dos investimentos e, entre os dois anos seguintes, houve menos 28% do total de dinheiro investido.

A tendência tem sido descendente desde 2014. No ano anterior ao começo desta inclinação negativa, entre 2013 e 2014, houve um crescimento de 102% nos investimentos.

A Croácia, Chipre e o Kosovo são os países da Europa com pior desempenho. Tendo apenas uma rede de business angels em cada país, os investimentos de 2016 foram, em conjunto, no total de 2,3 milhões de euros.

A Turquia foi o país que mostrou um crescimento mais elevado. Entre 2015 e 2016, os investimentos aumentaram 52%, traduzindo-se num total de 47 milhões de euros o financiamento às start-ups. A Finlândia também apresentou um crescimento bastante significativo quando ­­­­comparado com 2015. Os investimentos deste país nórdico cresceram 45%, totalizando um valor de 53 milhões de euros investidos.

O investimento médio por empresa na Europa, por parte de business angels, foi de 166 mil euros. Do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, a média de investimento por start-up é de cerca de 280 mil euros (330 mil dólares).

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