O presidente do World Business Angel Investors Forum dá-nos a conhecer os seis princípios básicos dos investimentos anjo.

Os business angels são tidos como um grupo de pessoas com experiência, poder económico e capacidades de investir em negócios em fases embrionárias. Este tipo de investidores colmata a falta de abrangência dos fundos de investimento e do Estado, tornando-se, assim, num fator crítico no que diz respeito ao impulso da economia.

Em 2017, líderes do G20 anunciaram o foco nos business angels como sendo uma medida necessária para estabilizar a economia, revelando também que o número de investidores deste género está longe de atingir os números desejados.

De forma a potenciar o seu crescimento e de partilhar conhecimento sobre este grupo de investidores, Babybar Altuntas, presidente do World Business Angel Investors Forum, deu a conhecer ao World Finance os seis princípios básicos dos business angels.

1 – Perceber onde e em quem está a investir
Existe a ideia de que na hora de investir os business angels focam-se no empreendedor e não no projeto. Segundo Altuntas, esta decisão é muito mais do que uma bifurcação: nesta situação devem ter em conta as seguintes questões:
– Que importância é que o empreendedor dá ao background e carácter do investidor?
– Quanto cuidado é que deve existir na altura de avaliar a equipa da start-up?
– Deverá procurar ajuda de terceiros? Se sim, quanto?

2 – Perceber a diferença entre start-ups e scale-ups
Estatísticas da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) comprovam que apenas 1,2% das start-ups recebe ajuda de um business angel e que apenas um em cada 10 projetos scale-up que recebe investimento consegue criar um negócio de sucesso. Este tipo de dados levanta algumas questões sobre como os usar a favor da sua carreira enquanto investidor:
– Será mais inteligente trabalhar com start-ups que atingem taxas de sucesso pouco elevadas, investindo pequenas quantidades?
– Ou compensará mais arriscar dinheiro num projeto scale-up com maiores probabilidades de sucesso?
Este princípio básico traduz-se em investir menos com mais risco, ou investir mais com menos risco.

3 – O que é que traz para o projeto?
Por norma, um dos principais traços de identificação dos business angels – e que os distingue dos outros tipos de investidores – é que são pessoas especializadas em certas áreas, podendo servir de mentores a projetos novos. A maioria destes investidores foram empresários e entendem o que é preciso fazer para que uma empresa funcione. Quando os empreendedores valorizam os investidores para além do seu dinheiro têm mais probabilidades de ter apoio em eventuais dificuldades que surjam.

4 – Enquanto mentor não subvalorize o valor do trabalho
Como descrito no ponto anterior, parte do trabalho dos business angels é fazer de mentor dos projetos. No entanto, segundo Altuntas, é importante que os próprios investidores tenham os seus próprios mentores. Encontre pessoas mais experientes que possam partilhar as suas aventuras pelo mundo do empreendedorismo. Poderá encontrar este tipo de pessoas nas várias redes de business angels existentes.

5 – Fique atento às expetativas de exit da start-up
Por “exit” entenda-se a intenção de venda do projeto. Parte das start-ups espera que a entrada de um business angel no negócio acelere este tipo de processo. Como Altuntas conta ao World Finance, esta ideia está errada visto que o impacto que este tipo de investidores traz para um negócio é muitas vezes mal-entendido. As aquisições têm sido alvo de estudo dos fundos de capital de risco, no entanto, a realidade neste campo tem mudados nos últimos anos, com muitas start-ups a serem adquiridas por grandes corporações. É, portanto, relevante tentar perceber qual é o objetivo dos empreendedores com a criação do projeto.

6 – Ter uma visão mais ampla
Neste último ponto, o presidente do World Business Angel Investors Forum conta a história de um antigo CEO que passou a ser um business angel e que refletiu que “afinal é muito mais fácil e interessante do que esperava. A parte que achava ser difícil, as mecânicas de investimento, afinal não era. Damos dinheiro a uma start-up em troca de uma percentagem do projeto. Não importa perder muito tempo com preocupações dos detalhes do negócio, especialmente quando se começa a investir. Não é assim que se ganha neste jogo. Quando ouvimos as pessoas a falar de um business angel bem-sucedido, não dizem “ele tem uma preferência de liquidação de x4”, dizem “ele investiu na Google”. E é assim que se ganha: ao investir nas start-ups certas. E isso é muito mais importante do que tudo o resto.”

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