Um antigo investidor de capital de risco apresenta algumas razões para as start-ups optarem por desenvolver o seu projeto sem apoio financeiro externo.

Qasim Mohammad é um antigo investidor de capital de risco na OMERS Ventures. Atualmente, apresenta-se como fundador da Repshift, uma start-up que vende uma ferramenta que ajuda as vendas das empresas no mercado business-to-business (B2B).
Num artigo de opinião no The Globe and Mail, uma publicação canadiana, explicou as razões para ter deixado de lado o dinheiro de firmas de capital de risco e ter optado por lançar o projeto sem apoio financeiro externo – prática também conhecida por bootstrapping.

O agora fundador esclarece que, apesar de poder ser uma ferramenta “incrivelmente poderosa” quando utilizada na altura certa, o dinheiro de firmas de capital de risco é um pau com dois bicos e apresenta três razões para, no seu caso, ter optado pela via tradicional.

Priorização da sustentabilidade e rentabilidade em vez do crescimento

Tendo em conta que as firmas de capital de risco só reveem o investimento quando as empresas são adquiridas ou se alistam em Bolsa, são grandes expetativas de crescimento nos negócios em que injetam dinheiro. É por este motivo que existem vários tipos de rondas de investimento (pre-seed, seed, series A…), de forma a incentivar os projetos a atingir determinados marcos financeiros consoante o seu estado de desenvolvimento. Caso não consigam fazê-lo, pode ser difícil ou economicamente impraticável levantar rondas de investimento posteriores. Esta, segundo Mohammad, é a principal razão para muitos empreendedores seguirem a rota de crescimento em vez da de rentabilidade – algo que, por vezes, se torna insustentável.

Este fundador preferiu optar pela rota oposta e priorizar a rentabilidade e sustentabilidade do seu negócio ao construir a sua start-up com menos de 13.500 euros das suas poupanças. A opção, explica, fez com que fosse prudente em como gastava o dinheiro e na forma como pensava na rentabilidade do negócio desde o primeiro dia.

Esta estratégia levou-o a atingir o ponto de equilíbrio económico muito rapidamente.

Liberdade para cometer erros  

A partir do momento em que uma ronda de investimento é formalizada, os empreendedores podem esperar grandes mudanças na forma como o negócio é gerido, restringindo o potencial do fundador correr riscos sozinho. Incluir os investidores nos quadros das empresas, dar-lhes poder de voto e a possibilidade de influenciarem a estratégia e orçamentação da start-up são apenas alguns dos poderes exemplificados pelo antigo venture capitalist. Tudo isto pode ser uma barreira para a liberdade de ter riscos, algo que era essencial para Mohammed descobrir a melhor forma de ir ao encontro do seu nicho de mercado.

Preservar os contactos de firmas de capital de risco para a altura e oportunidade certas

O fundador deixa um conselho aos empreendedores: “só porque têm a habilidade de ligar a investidores e levantar capital não significa que o devam fazer”. Isto porque, antes de levantar uma ronda de investimento, os empreendedores devem perceber exatamente aquilo que querem e se tencionam, eventualmente, optar por vender ou listar o seu projeto para um IPO.

Caso acreditem que levantar uma ronda de investimento é o caminho mais acertado, é importante que os fundadores saibam que todos os que estão inseridos no ecossistema de investidores se conhecem, o que significa que um empreendedor que levanta rondas de investimento de forma irresponsável acaba por ficar na “lista negra” deste grupo de pessoas.

Através da sua experiência de investidor, o fundador da Repshift refere que só se sentiria confortável em levantar capital caso se sentisse extremamente confiante no potencial do seu negócio e na forma como poderia devolver o dinheiro à firma de VC que o apoiou.

Mohammed finaliza explicando que o sacrifício e disciplina necessários para conduzir um projeto em bootstrapping lhe deram a motivação e a flexibilidade necessárias para criar um negócio rentável e sustentável.

Comentários

Sobre o autor