Qual o impacto do capital humano nos negócios? Quais os custos de um recrutamento errado para uma empresa? Estas são apenas duas das muitas questões que o fundador e CEO do grupo OSM clarifica em entrevista ao Link to Leaders.

Paolo Ruggeri fundou a OSM – Open Source Management, em Itália, em 1990, e hoje, 28 anos depois, lidera  um grupo de consultoria de dimensão mundial. Fomos saber junto deste, que é também um conceituado speaker internacional sobre liderança e motivação, qual a importância do capital humano na vida das empresas.

Como fundador da OSM, como vê o impacto do capital humano ao longo dos anos no mundo dos negócios?
 É a coisa mais importante. Com o passar dos anos, percebi que uma ideia de negócio é tão valiosa quanto as pessoas que a apoiam. Se você tem uma ideia fantástica, mas contrata pessoas fracas, elas vão convencê-lo de que sua ideia é muito difícil de realizar, é impossível, etc.etc… Isso aplica-se não só aos funcionários, mas também aos sócios e acionistas da empresa. Se eu tiver uma ótima ideia, mas não tiver as pessoas certas, nem sequer começo, porque já sei que vai falhar.
Eu tenho três tarefas importantes nas empresas que administro: fornecer o sonho (e mostrar as vantagens para todos ao alcançar o sonho), atrair e recrutar as pessoas mais talentosas para a empresa, e garantir que as finanças são bem geridas. Para fazer bem o número 2, eu tenho que ser um scout, tenho que estar constantemente à procura das pessoas melhores e das mais entusiastas. As pessoas que ajudam as empresas a crescer não são necessariamente as mais treinadas e / ou experientes, são as mais entusiastas

Qual o custo de recrutar a pessoa errada?
Confiar nas pessoas erradas é a principal razão pela qual as empresas europeias vão à falência. Isso é ainda mais importante do que gerir as finanças. Se contratar um gestor errado, ele pode fazê-lo perder excelentes funcionários, grandes clientes, gerar um mau clima dentro da organização, criar problemas legais e, além disso, convencê-lo de que o seu sonho é impossível.
Nós desenvolvemos um sistema chamado i-profile analysis que ajuda as empresas de todo o mundo a entender as pessoas antes de contratá-las, para que elas saibam quem estão realmente a trazer para a equipa. Contratar alguém “testado” e entrevistado por um especialista de RH pode custar-lhe um ou duzentos dólares, mas pode poupar-lhe centenas de milhares.

“Confiar nas pessoas erradas é a principal razão pela qual as empresas europeias vão à falência”.

A OSM  está presente em países tão diferentes como Estados Unidos, Itália, Brasil, Espanha, Portugal… que diferenças existem nesses mercados? A forma diferente de fazer negócios, o capital humano, o quê?
Mesmo que os princípios sobre os quais construímos um negócio lucrativo sejam os mesmos em todo o mundo (um ótimo e único produto ou serviço, marketing, ótimas pessoas, motivação de funcionários, etc.), cada país tem uma cultura diferente. Isso é ainda mais importante para uma empresa como a nossa que lida com recursos humanos. Os serviços da OSM, de fato, são adaptados e feitos à medida para cada país específico.

Nos Estados Unidos, por exemplo, as pessoas medem tudo e há um grande grau de organização, no entanto dão pouca atenção às pessoas. No Sul da Europa, tendemos a medir menos e a ser um pouco mais desorganizados, mas a relação entre os funcionários e a empresa é geralmente mais forte. Na Rússia, muitas vezes o relacionamento entre os funcionários e a empresa é muito frio e eles consideram a empresa apenas um lugar para trabalhar. Nós gostamos de trazer um pouco da abordagem organizacional americana, com a abordagem do Sul da Europa relativamente às pessoas.

Gere 12 empresas, em seis países diferentes… Quais são as principais dificuldades que um homem de negócios como o Paolo enfrenta num mundo em permanente mudança e no qual conceitos como inteligência artificial ou machine learning estão na ordem do dia?
Todos podem gerir muitas coisas se aprenderem a administrar o tempo, as pessoas e as finanças. Gerir o tempo é uma habilidade essencial para um empreendedor em série. Cada coisa que faço eu preciso de aprender como delegar rapidamente. Você precisa de ser capaz de atrair e escolher pessoas boas e em diferentes países, com culturas diferentes. Isso pode ser um desafio. O que é realmente importante é ser um homem de valores e não um homem de valor. Se eu e você começarmos uma relação comercial, a nossa cultura pode ser diferente, mas se nos comportarmos de uma maneira muito ética, haverá confiança mútua. Quando se trabalha no estrangeiro essa é, na minha opinião, uma característica muito importante.
Cada vez que começo uma nova empresa, e passo pela dor de torná-la viável e bem- sucedida, digo a mim mesmo: “Uau, isso foi muito difícil, esta será a última que faço, não vou abrir outra”. Mas, entretanto, surge outra oportunidade…
A inteligência artificial e o machine learning vão mudar o mundo. Temos um dos nossos principais executivos encarregados de uma divisão que chamamos de “cyber osm”. É a empresa do futuro que usa IA, software, experiência online. Hoje o empresário precisa de gerir o presente enquanto constrói a empresa para o futuro.

 “Hoje, o empresário precisa de gerir o presente enquanto constrói a empresa para o futuro”.

Também tem um fundo de investimento imobiliário em Miami, Flórida. Como analisa essa atividade?
Investi no mercado imobiliário da Flórida em 2012, quando os preços eram muito baixos e o euro estava muito forte. Tive sorte, mas também tive muita coragem. Os preços chegaram ao topo agora no mercado de Miami e o mercado está estável. Nós gostamos de arrendar para ter lucro, para mim e para os meus parceiros. Eu gosto de Miami e estamos nisso a longo prazo.

Essa é uma área de crescimento, de inovação?
No geral, eu acho que trabalhar ou competir nos Estados Unidos é como jogar na liga dos campeões: está-se sempre a aprender e fica-se com mais capacidades. Quando fui para Miami com a OSM, ao longo dos anos aprendi muitas abordagens de negócios que me tornaram muito bem-sucedido. Por exemplo, aprendi a criar redes de franchising. Hoje, a OSM tem 60 franquias em todo o mundo.

Tem planos para expandir esse Fundo internacionalmente? Quem sabe para Portugal?
Há aproximadamente três anos vim para Lisboa e pensei que deveria investir em imóveis, mas não o fiz … neste tipo de atividades aprendi que precisas: “apontar, focar e disparar”.
Se você tiver a intuição correta, avance sem pensar e pensar muito … O amor tem de ser o motor. Precisa de se apaixonar imediatamente e investir. Foi assim que ganhei dinheiro até agora com o imobiliário. Acredito que Lisboa ainda tem potencial, uma vez que é uma cidade em que eu adoraria viver.

É autor de vários livros sobre liderança, negócios… No seu ponto de vista, como devem ser os novos líderes do século 21?
Os líderes precisam de ajudar as pessoas a alcançarem os seus sonhos e a vislumbrar metas que tragam valor, antes de tudo, para as suas pessoas (clientes e funcionários) e depois para si mesmos.
O bom líder precisa de entender muito bem a psicologia humana, sendo movido por valores (fazer o que é certo, não apenas pelo que é lucrativo) e ter uma grande capacidade para gerar valor, aceitando desafios reais para levar suas empresas um passo à frente.

Disse várias vezes que, nos dias de hoje, para criar valor no mundo dos negócios, precisamos de menos técnica e mais “nós”. O que significa isso?
Quando nos esquecemos dos nossos valores, quando nos esquecemos da nossa missão, quando nos começamos a comprometer uma e outra vez apenas para ganhar mais alguns dólares em vendas, perderemos tudo.

De que é feito um verdadeiro empreendedor, um verdadeiro homem de negócios?
Se você quer construir riqueza, precisa de dar consistentemente aos seus clientes mais do que eles esperavam e gerar valor, em primeiro lugar para seus funcionários (criando uma empresa onde eles podem realizar os seus sonhos). Se fizer essas duas etapas, ganhará muito dinheiro.

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